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Passeata virtual dá voz a vítima de violência sexual na infância; participe

Movimento #AgoraVcSabe promove levante a partir de 18 de maio para tirar problema da invisibilidade

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Giovanna Balogh
São Paulo

"A violência sexual contra a criança e o adolescente é uma realidade. Eu fui vítima e agora você sabe!"

Com essas frases registradas em vídeo, milhares de vozes vão se unir em uma passeata virtual para dar visibilidade a um problema que diz respeito a 75% dos casos de violência sexual no país, cometidos contra vítimas na infância ou na adolescência. ​

Criado pelo Instituto Liberta, o movimento #AgoraVcSabe é para que os adultos abusados, violentados ou explorados sexualmente quando crianças rompam o silêncio.

cartaz contra violência sexual de crianças e adolescentes
Levante virtual contra violência sexual de crianças e adolescentes é no dia 18 de maio - Divulgação/Instituto Liberta

Uma realidade que diz respeito no presente a 4 meninas de menos de 13 anos estupradas a cada hora no país.

A presidente do Instituto Liberta, Luciana Temer, explica que é importante falar sobre o violência sexual especificamente para este público com idade inferior a 18 anos, por ser ainda mais tabu na sociedade.

"Não estamos pedindo para que ninguém fale do seu caso, nem conte detalhes do que aconteceu, nem com quem aconteceu. É um grito contra a violência, é um conjunto de frases ditas por todos nós", afirma ela, sobre a adesão ao movimento.

A passeata, diz ela, quer fazer um grande levante para mostrar o tamanho dessa violência e que ela atinge a todos —meninos e meninas nas mais diferentes faixas etárias e classes sociais. "Ao dar visibilidade ao problema, conseguimos pressionar por políticas públicas neste assunto."

A advogada ressalta que é importante ter força e coragem para que outras vítimas não passem pelo mesmo. "É preciso acabar com o silêncio."

No dia 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a passeata virtual será transmitida no site agoravcsabe.com.br, estará ao vivo no site da Folha e em outros espaços da cidade.

Será que eu fui vítima de assédio?

  • Algum adulto te tocou ou acariciou nas partes íntimas?

  • Te mostrou propositadamente o órgão genital?

  • Se masturbou na sua frente?

  • Te deu alguma "recompensa" por um ato sexual?

  • E isso te provocou ou hoje te provoca dor, vergonha, constrangimento ou medo?

Os organizadores partem do princípio de que todo mundo certamente conhece alguém que já foi vítima ou está entre as estatísticas de jovens que são assediados em ambientes onde deveriam estar mais seguros: dentro de casa ou na de parentes, em igrejas ou na própria escola.

Mãe de dois meninos, a comunicadora especialista em diversidade, Juliana de Faria, engajou-se no movimento. Relata ter sofrido assédio sexual aos 11 anos e que as pessoas normalmente duvidam quando uma pessoa diz que foi vítima tão jovem.

"A ideia não é tocar num assunto tão dolorido para quem viveu essa violência. Não estamos falando da história dessa pessoa nem de ninguém específico. Não é falar de dor, mas de coragem e poder se unir contra algo que aflige a todos."

A jornalista Cristiane Guterres também participou da campanha enviando o seu vídeo pois, além de ter vivenciado o problema na infância, diz que é preciso tirar do obscurantismo essa violência.

"Só conseguimos salvar outras vítimas colocando esse assunto em pauta, ensinando eles a se defenderem e ajudando as pessoas a se reconhecerem como vítimas."

Outra participante da passeata virtual é a fundadora da Mesa Company, Bárbara Soalheiro, que destaca o fato de os casos de abuso sexual na infância serem subnotificados justamente por não falarmos sobre o assunto.

"Em conversas informais com amigas, vemos que 95% delas sofreram algum abuso na infância. Mas não sabemos nomear o que aconteceu com a gente. É uma grande sombra pois ninguém fala sobre", afirma.

Como gravar seu vídeo para o levante virtual

  1. Acesse agoravocesabe.com.br pelo celular ou desktop

  2. Clique em ‘Já fui vítima’ para conhecer tipos de violências

  3. Clique em ‘Gravar’, declare ser maior de 18 anos e aceite o termo de uso de imagem

  4. Posicione seu rosto no círculo e leia o texto que aparece na tela

  5. Refaça o vídeo se desejar

  6. Clique em ‘Enviar’

  7. Deixe seu email se quiser receber uma notificação sobre quando seu rosto irá aparecer na passeata do dia 18 de maio

Para Rodrigo Guima, criador do bloco Tarado Ni Você, esse tipo de levante chega em boa hora.

"Num momento muito importante do mundo, onde não há mais espaço para que esse tipo de coisa aconteça", avalia ele, que já gravou o vídeo no site e estará desfilando pela passeata virtual nessa tomada coletiva de consciência.

"O movimento carrega consigo uma força empática forte e revela que todo mundo está suscetível a isso, tirando aquela velha sensação de que isso poderia acontecer apenas com uma outra pessoa que não você ou alguém da sua família", completa.

Para que mais crianças e jovens saibam que a violência sexual não é algo aceitável e que não deve esconder isso de quem pode lhes proteger, participe da passeata virtual clicando aqui e enviando seu vídeo.

A passeata virtual vai ver vários rostos dos vídeos pré-gravados na plataforma #AgoraVcSabe subindo simultaneamente na tela, como se estivessem caminhando em uma manifestação na rua.

Nesta enorme praça online e em tempo real, os rostos não vão se repetir e a passeata vai seguir enquanto forem subindo novos participantes, a depender do número de vídeos de pessoas engajadas no movimento.

Quem pode participar da passeata virtual?

Todas as pessoas que foram vítimas de violência sexual na infância e na adolescência podem gravar os seus vídeos. Só precisa ter mais de 18 anos para participar.

Números dessa violência no Brasil

  • 4 meninas menores de 13 anos estupradas por hora
  • 4 a 8 anos é a idade da maior parte dos meninos vítimas dessa violência
  • 86% das violências são praticadas por conhecidos
  • 67% dos casos acontecem dentro das residências
  • 60,6% de todos os estupros registrados em 2020 foram contra menores de 13 anos
  • 3.651 pontos de exploração sexual de crianças e adolescentes

​A causa de Combate à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes tem o apoio do Instituto Liberta, parceiro da plataforma Social+.

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