Descrição de chapéu

Eu quero ser blogueiro de moda, não importa o brinde

Chama atenção que não há uma passarela mais alta na SPFW, como aparece nos filmes

Ivan Finotti
São Paulo

Na terça (23), meu colega Marcos Nogueira foi convidado a fazer uma crônica após uma tarde na São Paulo Fashion Week e concluiu que não gostaria de ser blogueiro de moda. Ele, que escreve normalmente sobre gastronomia, não gostou especialmente da pipoca hipster que tinha de brinde.

Já nesta quarta (24), a vítima escolhida para dar sua visão sobre o evento fui eu, que escrevo sobre cinema, literatura, música, mas também não entendo nada de moda. E, ao contrário dele, adorei a experiência de ser blogueiro fashion por um dia.

Consegui assistir a dois desfiles, de João Pimenta e de Amir Slama, e achei um melhor que o outro. Digo conseguir porque não basta estar credenciado como jornalista. É preciso ter um convite também, um para cada desfile, que são distribuídos pelas marcas. O colunista de moda da Folha, Pedro Diniz, me arrumou esses dois.

Quem senta na primeira fila (os convites já vêm com seu lugar marcado) encontra uma sacolinha com releases das marcas, propaganda dos parceiros e brindes, como um suco de maracujá e um bronzeador.

Após os convidados ocuparem seus lugares, lado a lado em bancos compridos (três fileiras de cada lado), a organização abre as portas para a fila dos “standing”. Esses formam uma última fileira em pé. São convites sem assento, são os estratos sociais fashion.

Uma música com volume altíssimo preenche a sala da Arca, um galpão na Vila Leopoldina que tem abrigado a SPFW nos últimos anos. Chama atenção que não há uma passarela mais alta, como aparece nos filmes. Os modelos de João Pimenta entram andando no chão mesmo.

Ternos e sobretudos quadriculados coloridos, preto com cinza ou vermelho com preto. Jaquetas camufladas com tinta vermelha escorrendo pelos ombros. Paletós com estampas iguais aos papéis de parede ingleses, classudos como a realeza britânica. Estou empolgado: vou procurar a loja dele e ver como eu fico de escocês.

São apenas oito minutos mostrando a coleção. No nono, os modelos voltam todos juntos e o estilista, tímido, agradece lá da entrada. Pimenta não veio receber aplausos na passarela.

Acontece um desfile por hora. Quando um atrasa, todos os outros são empurrados para a frente. O de João Pimenta atrasou uma hora e 15 minutos. O próximo, de Amir Slama, só uma hora e meia depois do programado.

Até eu sabia que Slama faz moda praia. Ele aposta na diversidade, iniciando o desfile com duas mulheres deslumbrantes e um séquito de gente normal atrás: gordinhas, gordonas, baixinhas, mulheres mais velhas.

Os homens comparecem de sungas. Tenho um apreço especial por essa peça, mas as estampas apresentadas me parecem festivas demais. As bicolores que aparecem em seguida, verde com azul ou azul com preto, são mais a minha cara.

O capitão Slama manda para o front um pelotão de nórdicas perfeitas, com cabelos estonteantes e queixos pontudos. Usam o que parecem ser vestidos de noite, a maioria preto, brilhantes, furados, transparentes. Embaixo usam biquínis. Aparecem tops no mesmo estilo, com biquínis embaixo.

Parece que são maiôs para a noite. Poderiam mesmo ser usados na balada. É o fechamento perfeito para uma noite experimental no festivo mundo da moda. 

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