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Streaming bombou com isolamento social e novelas saíram do ar em 2020

Relembre como foi o ano pandêmico para a televisão e as plataformas de conteúdo sob demanda

São Paulo

Qualquer previsão feita no final de 2019 sobre como o cenário de televisão e streaming estaria nos meses seguintes certamente abordou a batalha travada entre esses dois meios —e também a disputa por assinantes entre as próprias plataformas de conteúdo sob demanda. Eis que 2020 chegou com uma pandemia, o que incendiou mais ainda esse imbróglio.

Isolada por causa das restrições da Covid-19, a população mundial dedicou boa parte do ano que termina a passatempos caseiros. Viagens, shopping, baladas e idas ao cinema foram substituídos pelo sofá e a TV, durante vários meses. Isso não apenas deu um respiro à audiência televisiva, como também fez com que o streaming tivesse um estouro de público.

Plataformas como Netflix, Globoplay e Amazon Prime Video não costumam divulgar dados de assinatura e de visualizações, mas o aumento de buscas por seus conteúdos no Google e os alertas de perigo de congestionamento das redes de internet são indicativos de que se a pandemia fez bem para algum negócio, foi para o streaming.

O Disney+, aliás, completou em novembro passado um ano de vida. A meta era alcançar entre 60 e 90 milhões de assinantes até 2024 —mas, depois de apenas 13 meses, o serviço atingiu a impressionante marca de 86 milhões. Isso após uma ajudinha do Brasil, que deu as boas vindas à plataforma também em novembro.

Com investimentos pesados neste novo mercado e uma parceria com o Globoplay, o Disney+ se posiciona agora para bater de frente com a Netflix, líder de mercado, tendo como parte de seu arsenal conteúdos de marcas como Pixar, Marvel e “Star Wars”.

Recentemente, a empresa de Mickey Mouse ainda anunciou que, em junho de 2021, deve estabelecer na América Latina uma segunda plataforma de streaming da companhia: o Star+, equivalente ao americano Hulu, com conteúdo julgado “adulto demais” para o bom-mocismo de Mickey e sua turma. A ele vai se somar a HBO Max, da WarnerMedia.

Esse último serviço, ao lado do Disney+, esteve no centro de uma polêmica que promete ainda dividir muitas opiniões. A exemplo do que fez o streaming da Disney com vários de seus conteúdos, a HBO Max decidiu adicionar um aviso e uma contextualização no início de um dos filmes de sua biblioteca, o clássico “... E o Vento Levou”, devido a trechos considerados racistas.

O impasse surgiu diante dos protestos do Black Lives Matters. Na mesma toada, a emissora americana Paramount Network cancelou o reality “Cops”, que há 31 anos acompanhava a rotina de policiais sem problematizar a violência incutida na série.

Enquanto a indignação com o racismo motivava levantes por todo o mundo, o Emmy, principal premiação da TV americana teve recorde de atores negros indicados em sua 72ª edição, ainda que latinos e asiáticos tivessem sido praticamente ignorados.

Uma das indicações que vingou foi a de Regina King, estrela de “Watchmen”, também premiada como melhor minissérie do ano. A trama com tom de denúncia, que aborda as tensões raciais nos Estados Unidos, ajudou a HBO a liderar a lista de premiados do 72º Emmy. Mesmo com a ameaça do streaming e o maior número de indicações para a Netflix, a TV tradicional ainda goza de grande prestígio, e a premiação vem deixando isso claro.

Na TV brasileira, uma decisão sem precedentes deixou milhares de pessoas sem novelas inéditas. Logo no começo da pandemia, em março, a Globo interrompeu as gravações de “Amor de Mãe” e de seus outros folhetins, para evitar aglomerações e frear as taxas de contágio pelo novo coronavírus.

A programação jornalística dela e de outros canais foi expandida, a fim de ampliar a cobertura sobre a pandemia —e ganhou reforço quando a CNN Brasil finalmente debutou, em março—, e reprises de novelas antigas passaram a integrar a grade da emissora. Foi para o passado, aliás, que a TV brasileira se voltou nos últimos meses, reprisando também jogos de futebol e séries, por exemplo.

A alternativa que se apresentou para driblar a quarentena foram programas como “Amor e Sorte” e “Diário de um Confinado”, gravados pelos próprios atores e que se debruçaram sobre os temas e as aflições trazidos pela Covid-19.

Voltando à faixa das nove, até agora, nem sinal de Lurdes, personagem de Regina Casé em “Amor de Mãe”. Mas a trama, depois de encurtada e adaptada, já terminou de ser gravada e deve voltar à TV no começo de 2021.

Para isso, a Globo precisou adotar uma série de rígidos protocolos de segurança, assim como fizeram suas concorrentes nos mais diversos tipos de programas. Auditórios, por exemplo, foram esvaziados, e máscaras e álcool em gel entraram em cena. No caso da dramaturgia, no entanto, as coisas complicam.

As novelas precisaram sofrer adaptações para evitar cenas de muita intimidade, aglomerações, gravações externas e a presença de atores mais velhos nos sets de filmagem. Em “Salve-se Quem Puder”, por exemplo, placas de acrílico ajudaram os casais da ficção a ficarem pertinho, mas em segurança.

Tudo indica que as normas devem continuar em vigor por um bom tempo, sendo incorporadas ao novo normal de várias emissoras como a Globo.

Ao longo de 2020, vários medalhões da emissora perderam seus contratos, numa estratégia que a emissora rotula como uma necessidade de se adequar à nova realidade do mercado audiovisual. Tarcísio Meira, Glória Menezes, Antônio Fagundes, Renato Aragão e Miguel Falabella não são mais empregados da casa, que permanece de portas abertas para eventuais projetos individuais.

Outra figura que deixou a Globo depois de décadas foi Regina Duarte, mas por vontade própria. A namoradinha do Brasil decidiu aceitar convite de Bolsonaro para ser secretária especial da Cultura, numa passagem rápida e frustrada pela política.

Já na reta final de 2020, uma outra bomba foi detonada nos corredores da Globo. Marcius Melhem, ex-diretor do núcleo de humor da emissora, foi acusado por diversas colegas de trabalho, incluindo a humorista Dani Calabresa, de assédio moral e sexual. Já fora da emissora, ele nega as acusações e diz que vai à Justiça contra a advogada das vítimas. Essa parece ser mais uma novela que vai se arrastar deste para o próximo ano.

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Destaques da TV em 2020

"Amor e Sorte"
Em quatro episódios, a série da Globo pôs atores que estavam passando a quarentena juntos para filmarem tramas sobre a pandemia.

"Bom Dia, Verônica"
A produção nacional da Netflix bombou nas redes sociais ao tratar de violência doméstica numa trama de serial killer

"Desalma"
O Globoplay iniciou sua ofensiva de expansão com a série sobre bruxaria

"Sob Pressão: Plantão Covid"
A popular série médica da Globo voltou para um especial que mostrava a rotina num hospital de campanha

"The Crown"
Em sua quarta temporada, o drama da Netflix renovou as expectativas do público ao incorporar as trajetórias de Margaret Thatcher e Lady Di na trama

"The Mandalorian"
Com a estreia do Disney+ no país, os brasileiros finalmente puderam assistir à série derivada de "Star Wars"

"The Undoing"
Nicole Kidman repetiu a parceria de sucesso com o produtor David E. Kelley na HBO nesta minissérie de drama

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