Descrição de chapéu
Augusto Massi

Ficção de Otto Lara Resende, à margem por décadas, é tesouro secreto da literatura brasileira

Contos e romance do escritor mineiro que faria cem anos foram eclipsados por sua radiante figura pública

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

O escritor mineiro Otto Lara Resende veste terno escuro e inclina uma das pernas sobre a outra em retrato tirado em Paris.

O escritor mineiro Otto Lara Resende em Paris. Divulgação

Augusto Massi

Poeta e professor de literatura brasileira na USP. Organizou e prefaciou os livros ‘Retratos Parisienses’ e ‘Os Sabiás da Crônica’

[RESUMO] Por décadas, a personalidade hipnótica de Otto Lara Resende, seu talento sem igual para a conversa e a repercussão discreta de seus poucos livros deixaram seu lado ficcionista à margem, eclipsado pela radiante figura pública. No centenário de nascimento do escritor, celebrado neste domingo (1º), sua obra se firma como um dos tesouros secretos da literatura brasileira.

Eu não tinha a intenção de dizer logo assim de saída. Mas já que a Ilustríssima das gentes me convidou para comemorar outro centenário (não bastavam a Independência do Brasil e a Semana de Arte Moderna?) decidi radicalizar: Otto se foi para ficar.

No finalzinho da vida, Otto Lara Resende (1922-1992) conseguiu conciliar jornalismo e literatura. O exercício da crônica, no seu formato mais clássico —coluna diária na imprensa— só vingou quando a Folha, em 1991, o convidou para fixar residência no andar térreo da página dois. Graças às características do gênero, pôde desfrutar daquele raro encontro com os leitores, prazer que nunca havia experimentado antes. Otto era quase um setentão.

O jornalista e escritor Otto Lara Resende está sentado e apoia uma das mãos na cabeça. Ele veste terno escuro.
O jornalista e escritor Otto Lara Resende (1922-1992) - Divulgação

Apesar de ter flertado com formas vizinhas à crônica (perfis, necrológicos, crítica de cinema etc.), nada se assemelha à frequência e constância deste período, de 1º de maio de 1991 a 21 de dezembro de 1992, quando escreveu um total de 508 crônicas.

A brevidade do espaço, mescla de trincheira e quitinete, não permitia que ultrapassasse 34 linhas de 60 toques. Otto soube tirar proveito desse limite. Dedicou-se à crônica com o rigor de um exímio sonetista. A comparação não é floreio de linguagem, ilumina um pormenor formal assombroso e fascinante: todas as crônicas estão divididas em cinco parágrafos.

Antes de alardear esse traço como exclusivo do escritor, confrontei com os textos dos atuais articulistas, emparedados na página dois, em cubículos semelhantes. A maioria oscila entre quatro e sete parágrafos. Porém, o argumento definitivo veio do jornalista Edney Felice Dias, que, na época, era o redator que cuidava das colunas: "Eu respeitava religiosamente os parágrafos de Otto" [1].

A frase lapidar não deixa de prestar uma bela homenagem ao escritor. De certo modo, comprova que Otto dotou a crônica da mesma disciplina apregoada por João Cabral de Melo Neto sem perder a cadência da conversa que perpassa a poesia de Vinicius de Moraes.

Qual seria a marca de fábrica da crônica de Otto? A construção da sua prosa mimetiza a desenvoltura de quem caminha pela cidade misturando dois tipos de registro; passa do observador culto, silencioso e obsessivo às ondulações e devaneios de um distraído. Entre o hábito de ouvir e o dom de se confessar, ensaia uma poética capaz de apreender "esse código sereno": "Embalo de onda que vai e que vem, e se esvai".

Comentar os dois volumes de crônicas do autor exige cautela. "Bom Dia para Nascer" (1993), com seleção de Matinas Suzuki Jr. [2], e "O Príncipe e o Sabiá" (1994), organizado por Ana Miranda, só vieram ao mundo quando o cronista já não estava entre nós. Mesmo reconhecendo os méritos e a fidelidade das antologias —os dois títulos foram desentranhados de crônicas do autor—, é preciso frisar que nenhum deles foi batizado, organizado e nem sequer passou pela revisão endiabrada de Otto. No entanto, paradoxalmente, como não atinar que foram essas duas obras póstumas que abriram caminho para que a ficção de Otto fosse finalmente revisitada e alcançasse repercussão crítica?

A crônica de abertura, "Bom Dia para Nascer", é um marco zero. Otto tinha consciência de que estava diante de um recomeço. Mais do que uma piscadela simpática ao leitor —que reverbera a saudação das crônicas machadianas de "Bons Dias!"—, Otto confere à primeira crônica um teor emblemático, certidão de nascimento e declaração de princípios.

A mobilidade de sua prosa é fascinante. Alinha matéria autobiográfica à matéria literária. Costura distintos tempos históricos sob o signo de cronos: a carta de Pero Vaz de Caminha de 1º de maio de 1500, recorda a invenção do Dia do Trabalho, enreda e convoca Camões e Drummond. Quantas coisas cabem dentro dessa croniqueta!

Por vezes, as crônicas parecem uma versão pública dos seus famosos bilhetinhos. Pequenas doses de ansiolíticos são administradas diariamente ao leitor. Otto passa régua e bisturi em tudo que não seja essencial para o bom andamento do texto: apêndices, amígdalas, vesícula etc. Em contrapartida, costuma trabalhar com fiapos de reminiscência.

A imagem empregada por ele mais de uma vez vai abrindo um leque de variações: poço de reminiscências, caprichos da memória, resquícios de uma velha evocação. Por vezes, os fiapos irrompem, flutuam, tomam de assalto o núcleo central da crônica:

"Manuel Bandeira ficou encantado com João Gilberto. Pois claro: o João estava lá e mostrou a sua recente batida, que ia fazer bater o coração do mundo. Era na rua Bolívar. Ano? 1960, creio. Rindo à toa, Manuel pôs para fora o piano da sua dentuça. E também tocou violão.

Doente profissional, tuberculoso, dormia cedo, pontual. Pois João Gilberto o hipnotizou até as duas da manhã. Só então fui levá-lo ao edifício São Miguel, avenida Beira-Mar. Estava comigo o Armando Nogueira. O assunto obsessivo era o violão de João Gilberto. O Manuel impressionadíssimo com aquele rapaz. Não era um joão-ninguém. Era alguém. Um gênio, de ouvido absoluto. Um fio de voz que até os anjos ouvem em silêncio" [3].

Em outros momentos, vislumbramos passagens subterrâneas que nos permitem palmilhar o território de sua ficção: "Entre o fato e a versão, há um vácuo, no vácuo se aninha o boato" ("Boatólogos e Boateiros"). E o que dizer do seu interesse pela origem de nomes e sobrenomes que grassam por toda sua obra? Ou da sua paixão sempre acesa pela etimologia? "A etimologia ilumina a palavra. Vejam secretária, por exemplo. Fica transparente, uma vez ligada à sua fonte latina. É a mesma de segredo. A que guarda segredos" ("A Graça de Aninha").

"O Príncipe e o Sabiá" caminha no sentido contrário. O volume reúne 60 perfis de personalidades da vida literária, política e jornalística.

Os textos são mais longos, nem sempre foram reproduzidos na íntegra e não possuem a forte unidade de estilo que caracteriza "Bom Dia para Nascer". À exceção dos quatros textos de abertura —a maioria deles dedicados a poetas—, datados entre os anos 1940 e 1960, todos os demais cobrem um arco temporal que vai de janeiro de 1976 até 1990, a imensa maioria publicada no jornal O Globo.

Esse tipo de texto foi largamente praticado ao longo da década de 1970, principalmente por alguns sabiás da crônica: Vinicius de Moraes no Pasquim, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos na Manchete. Cada um à sua maneira, celebra a convivência prosaica, cotidiana e íntima com os amigos, reforça as formas de sociabilidade. Escrita de amigos.

No caso de Otto, o perfil muitas vezes se confunde com o necrológio. É com as tintas ainda frescas da morte que desenha os percursos de uma vida. A morte o interpela, interroga e desafia: o que morre com os amigos prescritos? O memorialista está presente de corpo inteiro.

Antes de estrear em livro, Otto já havia espalhado infinidade de contos por jornais e revistas, sem falar dos projetos abortados e que optou por manter inéditos. "O Lado Humano" (1952), seu primeiro título, afora dois ótimos comentários de Rachel de Queiroz e Vinicius de Moraes, teve recepção crítica discreta. No depurado posfácio que escreveu para a reedição de 2019, Clara de Andrade Alvim, ao mesmo tempo que reconhece certa ingenuidade presente nas histórias, não deixa de nos revelar temas e traços estilísticos que serão retomados na obra futura.

Penso que vale a pena destacar três aspectos que compõem a fisionomia desse rebento magro, asmático, desencantado e que, talvez, permitam compreender melhor a trajetória do escritor. Primeiro, à exceção de "Velhos", os oito contos restantes são todos ambientados no Rio.

Porém, a então capital do país é vista pela ótica miúda de seus personagens, ora sob a ​lábia mesquinha de predadores, ora sob o tênue disfarce da prostituição, figuras quase invisíveis que vivem nas franjas do subúrbio, trabalham sob as garras da repartição ou sob o assédio nos balcões das lojas.

A câmara lenta do narrador capta as tensas e escorregadias negociações desses coadjuvantes que procuram desesperadamente preservar o lado humano, antes que o fluxo da vida os dissolva no desconforto da derrota. O jovem Otto escava com pudor e ironia a mesma paisagem social que Nelson Rodrigues começou a dinamitar na coluna "A Vida como Ela É..." (1951-1961).

Segundo, ao fazer uso do contraplano, tal perspectiva é radicalizada em dois contos: "A Pedrada" e "Terêncio e o Mar". Os personagens ficam expostos a um registro mais agressivo, oprimidos a céu aberto, nos espaços públicos da rua e da praia. A matéria literária é pontuada pela notação de fundo social e sexual, liberando, em sucessivas descargas narrativas, uma violência coletiva que deixa o indivíduo solitário e acuado, à beira do linchamento.

Por fim, em sintonia com sua própria natureza, esse sabiá da crônica sempre disponível e propenso à conversa revela enorme maestria em arrastar seus leitores para dentro do texto. Desde a primeira linha, os relatos de "O Lado Humano" e "Boca do Inferno" (1957) recorrem ao recurso do diálogo, laçando a curiosidade infernal do leitor.

No entanto, o escritor imprime uma reviravolta estrutural: na contramão de uma ficção marcadamente urbana praticada por seus contemporâneos, passa a ambientar suas narrativas, inclusive o romance "O Braço Direito" (1963), em pequenas cidades do interior. Esse deslocamento espacial vem acompanhado de recuo semelhante na faixa de idade dos seus personagens.

A redução de escala, espacial e temporal, permite a Otto moldar a matéria do mundo, internalizando o vasto nas margens do diminuto. A capital cosmopolita e moderna cede espaço à barroca e triste São João del-Rei, que, por sua vez, será devorada pela imaginária cidade de Lagedo.

Como vimos, a literatura de Otto opera segundo um sistema de vasos comunicantes. A partir dos fiapos de reminiscências podemos construir um amplo mosaico cultural e político brasileiro. Mesmo nas suas manifestações mais efêmeras, encontramos rastros biográficos que não se apagam, adquirem lastro histórico e se abrem ao registro memorialístico.

Por isso, à medida que revisitamos seus quatro livros de contos —"O Lado Humano" (1952), "Boca do Inferno" (1957), "Retrato na Gaveta" (1962) e "As Pompas do Mundo" (1975)—, podemos vislumbrar as entranhas, o subsolo, as trágicas galerias de uma imaginação romanesca.

Hoje, ninguém mais discute. "Boca do Inferno", seu segundo livro de contos, é uma obra-prima. Depois da recepção polêmica e traumática, o escritor decidiu nunca mais relançar o livro. Após décadas de silêncio, desde sua reedição em 1998, vem acumulando uma fortuna crítica que inclui, entre outros, um belo estudo de Juarez Donizete Ambires, dois ótimos posfácios de Cristovão Tezza e excelentes artigos de Vilma Arêas, Bruno Tolentino, Cadão Volpato.

Já tendo dedicado longo estudo aos contos de "Boca do Inferno", presente na reedição de 2014 da obra pela Companhia das Letras, pretendo me deter aqui, ainda que de forma breve, em uma novelinha que penso não ter recebido o devido destaque.

Publicada em 1962, com o infeliz título de "O Carneirinho Azul", fechava o terceiro livro de contos do autor, "Retrato na Gaveta" [4]. Na segunda edição (1963), o escritor optou por inverter completamente o campo de forças do volume, e a novelinha passou à porta de entrada do livro. Assim permaneceu na terceira (1971) e na quarta edições (1975).

Passados 20 anos, dentro do projeto de reedição da prosa ficcional de Otto, veio à luz a quinta edição, agora, sob novo título: "A Testemunha Silenciosa". As surpresas não terminam no nome. Desgarrada do volume original, a novelinha surge em companhia de "A Cilada" [5], extraída de "As Pompas do Mundo". Ambas acabaram compondo um livro inteiramente novo. Como no volume, publicado pela Companhia das Letras em 2012, não consta nenhuma nota editorial, desconhecemos se a ideia expressa um último desejo do próprio Otto.

Independentemente disso, a mudança do título me pareceu um grande acerto, pois, além de potencializar as qualidades literárias do texto, retira uma carga excessivamente lírica e infantil, quase piegas, para recolocar no centro do relato a voz cindida do narrador, Juca, filho do boticário João Sacramento Júnior e de Sá Carmela, parteira de toda a região.

Na primeira edição, a novelinha começava com esta frase: "Devo ter sido o primeiro brasileiro a colher os frutos da Revolução de 1930". No processo de reescrita, Otto deslocou a moldura histórica para o âmbito de uma micro-história das relações aparentemente familiares que, impactadas pelo grande acontecimento político, assistem à mudança progressiva das relações de força na cidade.

A montagem dos capítulos demonstra que Otto estava realmente armando um romance. E dentro do romanção imaginário que abarcaria toda sua obra futura, essa novelinha ocupa um lugar privilegiado. Aberta a toda sorte de encruzilhadas, bifurcações, conexões, ela sugere a existência de um núcleo comum às demais obras e cifrado na divisa: "A vida é segredo". Ela atravessa e entrelaça "Boca do Inferno", "A Testemunha Silenciosa" e "O Braço Direito".

A presença de Machado de Assis se faz sentir nas entrelinhas. Por exemplo, quando Otto tangencia "O Alienista", em especial nas alusões à Revolução Francesa e à palavra guilhotina: "Parei para ver o homem do dedo guilhotinado. Um homem sem dedo, o dedo quem sabe no chão, ainda sangrando. Um dedo é mais do que um dente de leite. Devia ser o dedo indicador. O dedo que acusa e aponta. O líder da mão. Dedo másculo, que verga mas não quebra. O dedo dado de graça à guilhotina".

Outra referência literária curiosa: Sanico da fazenda Segredinho, sineiro manco, é uma versão lírica e mineira do corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. Ele alimenta a imaginação do menino adiando sempre o sonho do carneirinho azul "feito de palavras e promessa —nosso segredo comum". Sanico circula livremente por todos os espaços. É íntimo e distante. Comunica-se com a cidade através da voz dos sinos: badalo de festa e dobres de finado.

No capítulo 15, em uma das passagens mais belas do livro, verdadeiro rito de iniciação, Sanico pastoreia Juca na escalada em espiral até o ponto mais alto da igreja, dentro da torre, pairando entre anjos e sinos: "Via Lagedo do alto e inteira pela primeira vez. Como alguém do meu tamanho. Tímida corça lançada entre as montanhas, o branco de suas casas ingênuas sob os telhados escuros —toda a cidade estava diante de mim. [...] A cidade desobrigada de seus habitantes. Como um presépio, Lagedo cabia nos meus olhos".

No capítulo 21, outro ser livre entra em cena: Rita Maria. Vem de fora, do Rio de Janeiro, na plenitude dos seus 18 anos. É uma lufada de vento revirando páginas da história, sem bater portas ou janelas: "Rita Maria veio se movendo, se melomovendo, e parou juntinho de mim, monumental. Ergueu os braços como se eu não existisse. Ajeitou os cabelos e conversava com Dulce, a poucos passos dela. Tinha as pernas altas e os joelhos redondos eram mesmo redondos. Os braços leves, as mãos tão finas, os ombros tímidos e perfeitos, as costas onduladas. Tinha os sovacos raspados. Tinha pescoço e cintura. Tinha o ventre, as ancas, as coxas e os seios. Tinha os seios prometedores debaixo do claro maiô esticado, prestes a arrebentar e a libertar sua nudez".

A descrição envolve o leitor em um efeito cascata, deixando entrever o que se oculta atrás do fluxo das palavras, atrás da fina cortina da linguagem, feito um marulho da água que desliza por entre o limo das pedras arredondadas e nos arrasta até regiões secretas do ser.

Rita Maria simboliza outra revolução. Desejo prestes a arrebentar, libertar o menino. Os sentimentos migram de um extremo ao outro. Na despedida, na plataforma do trem que a levará de volta ao Rio de Janeiro, "ignorando o burburinho à sua volta, ela me segurou pelo queixo, e enfiou nos meus olhos os seus olhos cor de cinza e mel. Puxou o meu rosto para junto do seu rosto —e ficamos sozinhos um e outro, ela comigo, eu com ela, à vista de todo mundo". Se Lagedo cabia nos olhos do menino, Rita Maria também podia caber?

No retornar da estação, o menino passa da plenitude do encontro à experiência da solidão: "Existir, ser sozinho consigo mesmo, estar entregue a si mesmo, livre para ser sua presa —este era o perigo que trazia dentro dele, como um verme dentro de um fruto". Da plenitude do encontro à experiência da solidão. Dez capítulos depois, ele se torna, pela terceira vez, uma testemunha silenciosa.

Na primeira, desvelou a beleza da cidade silenciosa, vista do alto. Na segunda, testemunhou a própria paixão refletida no mel e nas cinzas dos olhos de Rita Maria. Na terceira, reteve fiapos de reminiscência de um crime parido no ventre da família. Vida é segredo.

Para quem não teve o privilégio de conhecer pessoalmente Otto Lara Resende, talvez seja mais fácil se desvencilhar do feitiço hipnótico da sua personalidade e mergulhar de cabeça na sua ficção. Na quarta capa de "Bom Dia para Nascer", o historiador e amigo Francisco Iglésias assim o definiu: "Advogado, com certo exercício no serviço público, escritor, ele foi sobretudo jornalista". Otto soube guardar segrego: era sobretudo escritor.


[1] Devo a informação à medição ovalleana do jornalista, cronista e biógrafo Humberto Werneck

[2] Em 2011, Companhia das Letras publicou uma edição ampliada –74 crônicas inéditos em livro– com ótima seleção e posfácio esclarecedor de Humberto Werneck.

[3] Ver: "O Galo, o João e o Manuel" in: "Bom Dia para Nascer", pág. 279.

[4] A gestação da novelinha foi longa. Em 17 de setembro de 1957, na troca de correspondência com Murilo Rubião, Otto comenta: "Disse-lhe, da outra vez, que escrevi um romance? Pois escrevi. Chama-se, veja a coincidência dos bichos, "O Carneirinho Azul". Depois de um monstruoso trabalho, caí em depressão, tive uma crise profunda. Mas, já passei adiante. Não voltei ao romance porque ainda não tive ânimo. Mas espero, ainda este ano, reescrevê-lo." Ver: Mares interiores: correspondência de Murilo Rubião & Otto Lara Resende. Organização, prefácio e notas de Cleber Araújo Cabral [BH: Autêntica/ UFMG, 2016, pág. 119].

[5] Publicada originalmente em "Os Sete Pecados Capitais" [RJ: Civilização Brasileira, 1967], livro coletivo assinado por Guimarães Rosa [Soberba], Otto Lara Resende [Avareza], Carlos Heitor Cony [Luxúria], Lygia Fagundes Telles [Preguiça], José Condé [Inveja], Guilherme Figueiredo [Gula] e Mário Donato [Ira]. Posteriormente, foi incorporada ao livro de contos "As Pompas do Mundo".

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.