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Estado criminoso sustenta democracia de fachada no Brasil, diz autora

Viviane Gouvêa, pesquisadora do Arquivo Nacional, apresenta história da violência estatal contra grupos marginalizados

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Eduardo Sombini
Eduardo Sombini

Geógrafo e mestre pela Unicamp, é repórter da Ilustríssima

Neste bicentenário da Independência, Viviane Gouvêa, pesquisadora do Arquivo Nacional, olha para a história do país a partir da violência do Estado brasileiro contra os grupos marginalizados.

Em "Extermínio: Duzentos Anos de um Estado Genocida" (Planeta), Gouvêa argumenta que indígenas, negros escravizados e libertos, operários, sem-terra e moradores de favelas e periferias foram vistos como inimigos internos pelas elites e pelas forças de segurança.

Tratados como ameaças à manutenção de uma ordem social desigual, não como cidadãos com direitos, esses grupos foram sistematicamente reprimidos com brutalidade, mesmo ao arrepio das leis, diz a autora neste episódio.

A política de extermínio de parcelas específicas da população brasileira, afirma, escancara o esgarçamento do nosso tecido social e os limites da nossa democracia —uma democracia de fachada que vale até o momento em que os despossuídos passam a reivindicar o seu espaço.

Mulher com blusa branca e prédio ao fundo
Retrato de Viviane Gouvêa, autora de 'Extermínio' - Divulgação

O Brasil é uma democracia até que comece a dar problema. Quando existem movimentos articulados dispostos a questionar desigualdades, o desenvolvimento excludente, um aparato jurídico que não respira isonomia, as coisas começam a dar problema. É uma democracia de fachada e vai continuar sendo enquanto o Estado não respeitar as próprias leis

Viviane Gouvêa

pesquisadora do Arquivo Nacional

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O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Esther Solano, socióloga que discutiu o que pensam as mulheres bolsonaristas moderadas, Vagner Gonçalves da Silva, antropólogo que pesquisa as mitologias de Exu, Marcos Nobre, que denunciou o projeto golpista de Bolsonaro, Jean Marcel Carvalho França, pesquisador da história da maconha no Brasil, Vincent Bevins, autor de livro sobre massacres da esquerda durante a Guerra Fria, Rodrigo Nunes, que discutiu as raízes do bolsonarismo, André Lara Resende, crítico da teoria econômica mainstream, James Green, brasilianista autor de um clássico sobre a história da homossexualidade no Brasil, Sidarta Ribeiro, neurocientista que desenvolve pesquisas sobre a importância de sonhar, Heloisa Starling e Miguel Lago, autores de ensaios sobre a lógica de destruição do bolsonarismo, Fábio Ulhoa Coelho, professor de direito que ponderou sobre as relações entre liberdade e igualdade, Debora Diniz, acadêmica que se dedica às áreas de gênero e direitos reprodutivos, entre outros convidados.

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