Ao Congresso dos EUA, presidente do Google não descarta ferramenta na China

Sundar Pichai, presidente do Google, prestou depoimento a legisladores americanos

Júlia Zaremba
Washington

O presidente-executivo do Google, Sundar Pichai, afirmou nesta terça (11) que não tem planos de lançar uma nova ferramenta de buscas na China, mas não descartou fazê-lo no futuro. 

A empresa não oferece um serviço de pesquisas no país asiático desde 2010, quando decidiu parar de censurar os conteúdos que exibia e foi bloqueada pelo governo chinês. 

Sundar Pichai, presidente-executivo do Google; ele é o terceiro dirigente de empresas de tecnologia a depor no Congresso americano este ano
Sundar Pichai, presidente-executivo do Google; ele é o terceiro dirigente de empresas de tecnologia a depor no Congresso americano este ano - Alex Wong/AFP

Pichai disse que o acesso à informação é um "importante direito humano" e que, caso o plano vá adiante, será "totalmente transparente" com os legisladores em relação ao processo.

O projeto de um novo buscador chegou a ser desenvolvido internamente, segundo ele. Funcionários do Google e congressistas de ambos os partidos haviam criticado o plano de retorno à China, acusando a empresa de ser condescendente com as políticas de Xi Jinping de censura e repressão aos seus cidadãos. 

Ele não entrou em detalhes sobre os motivos para a decisão. Uma autoridade chinesa afirmou à Reuters, sob condição de anonimato, que era improvável que a empresa conseguisse permissão para operar no país em 2019. 

As afirmações do executivo foram feitas durante a manhã em uma audiência no Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados sobre transparência, coleta de dados e filtragem de conteúdos pela empresa, que durou mais de três horas. 

Foi a primeira vez que Pichai testemunhou no Congresso. O Google havia sido criticado por ter faltado a uma audiência no Senado realizada em setembro sobre interferência estrangeira nas eleições americanas, que contou com a presença de representantes do Facebook e do Twitter. 

O executivo também negou para os deputados que a empresa tenha um viés anti-conservador e favoreça conteúdos progressistas na plataforma de busca. 

A teoria é sustentada por republicanos, entre eles o presidente Donald Trump, que acusou em agosto o Google de priorizar notícias negativas sobre ele e outros políticos conservadores nos resultados de pesquisas. 

"Eu lidero essa empresa sem um viés político e trabalho para garantir que nossos produtos continuem a operar dessa forma", afirmou Pichai. "Nós somos uma empresa que oferece plataformas para perspectivas e opiniões diversas." 

Deputados republicanos insistiram na questão do enviesamento durante a audiência. Pichai respondeu que os conteúdos aparecem de acordo com a relevância e que "não é possível" que um funcionário manipule os resultados da busca. Democratas, por sua vez, buscaram desacreditar a teoria dos adversários.

O deputado Jerry Nadler, por exemplo, afirmou que as acusações eram fantasiosas e parte de uma "teoria da conspiração da direita". Em vez disso, focaram em assuntos como coleta de dados de usuários e propagação de discursos de ódio online. 

A exposição de dados de mais de 52 milhões de usuários da rede social Google+ a desenvolvedores externos, revelada nesta segunda (10), também foi abordada.

A empresa afirmou que encerrará a rede social em abril de 2019, não mais em agosto do próximo ano, por causa do problema. Sobre isso, Pichai afirmou que não há evidências de que as informações tenham sido usadas para fins escusos.

 Já em relação à interferência russa nas eleições de 2016, por meio do compartilhamento de desinformação nas redes, ele disse que foram detectadas poucas atividades impróprias do tipo na plataforma de anúncios do Google.

Pichai foi o terceiro presidente de empresa de tecnologia a testemunhar no Congresso neste ano –os outros foram Mark Zuckerberg, do Facebook, e Jack Dorsey, do Twitter –, em um momento de crescente escrutínio de empresas de tecnologia por parte de congressistas. 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.