Preciso do Estado para que funcionário trabalhe com segurança, diz presidente do Magazine Luiza

Frederico Trajano afirma que discussão econômica está ideologicamente exacerbada

São Paulo

O diretor-presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, afirmou nesta terça-feira (28) que a discussão sobre o papel do governo está ideologicamente exacerbada e que o setor empresarial precisa do Estado para que o funcionário trabalhe com segurança e para haja mais mão de obra qualificada para contratação.

"Não acredito muito que nós não vamos ter que ter Estado. Eu pelo menos preciso dele para que meus funcionários trabalhem com segurança, para que eu tenha mais mão de obra qualificada para contratar, [para] não gastar tanto dinheiro com plano de saúde privado", afirmou em evento do banco Credit Suisse em São Paulo.

A declaração foi uma resposta à questão de José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil. Ele perguntou aos executivos se a sociedade passa por uma mudança de percepção "conjuntural ou estrutural" sobre a função do Estado, já que elegeu uma equipe econômica liberal.

Trajano participou de discussão sobre o futuro do Brasil ao lado de André Street, cofundador da Stone, e de Lídia Abdalla, presidente do Grupo Sabin Medicina. 

O empresário Frederico Trajano na cerimonia do Prêmio Líderes do Brasil - Mastrangelo Reino - 11.dez.2017/Folhapress

Uma das empresas de destaque na Bolsa nos últimos anos, com valorização de 110% em 2019, o Magazine Luiza tem parte de seu modelo de negócios inspirada no gigante do ecommerce global Alibaba.

Trajano destacou que a China foi um dos países que mais gerou e distribuiu riqueza no mundo nos últimos 30 anos, e que isso também passa por uma discussão muito polarizada. Ponderou que se trata de um país comunista, mas chamou atenção para a abertura econômica e para a redução gradativa do Estado.

"Não quero na minha rede ter que ser um super especialista de segurança, fazer papel de polícia dentro das minhas lojas ou dos meus CDs [centros de distribuição], eu quero que o Estado faça isso bem feito. Não quero ter que corrigir o sistema de educação, criando uma universidade corporativa porque não é a melhor alocação do capital do meu acionista. Há muita coisa que o Estado tem que ser eficiente", acrescentou.

Para ele, não cabe ao setor empresarial resolver todos os problemas do país.

Já André Street, da Stone, disse que ainda levará tempo para mudar a "cultura estabelecida de vitimismo, de pobre coitado e de burocracia e não meritocracia".

Ele elogiou a abertura em seu setor e as políticas do Banco Central para adequar novos concorrentes no sistema bancário.

"Uma coisa da cultura nova economia que o governo deveria pegar é o foco no cliente. Toda empresa quando fica grande, a burocracia entra e quando você vê está discutindo estrutura organizacional, um monte de 'burocra' que não muda o jogo", disse.

Outro ponto discutido foi o efeito da reforma trabalhista nos negócios. Segundo Trajano, cuja companhia emprega 30 mil funcionários, as reclamações trabalhistas caíram 70% nos últimos cinco anos, parte considerável graças à reforma.

"Estou há 20 anos no varejo  e nunca vi esse quadro dessa magnitude. Tivemos dezenas de casos que conseguimos recuperar os custos advocatícios que tivemos no processo", disse.

Lídia Abdalla, do Sabin Medicina, destacou que a reforma aumentou a confiança para novos modelos negócios e que haviam serviços médicos com grande restrição à terceirização, o que mudou no último ano. "Agora podemos focar em produtividade do trabalhador", afirmou.

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