Dólar abre em leve alta nesta quarta com investidores receosos com EUA

Analistas temem possível desaceleração da economia dos Estados Unidos

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São Paulo

O dólar abriu em leve alta nesta quarta-feira (4), em meio à cautela no exterior uma vez que novas preocupações com uma desaceleração agressiva da economia dos Estados Unidos têm aumentado a aversão ao risco nos mercados globais.

Às 9h04, o dólar subia 0,14%, cotado a R$ 5,6519. Na terça-feira (3), o dólar fechou em alta de 0,49%, a R$ 5,643, e a Bolsa perdeu 0,41%, aos 134.353 pontos.

Notas de dólares estão colocadas ao lado de um gráfico
Investidores se preocupam com possível desaceleração da economia nos EUA - Dado Ruvic/Reuters

A terça-feira foi embalada pela repercussão do resultado acima do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro do segundo trimestre.

A economia brasileira cresceu 1,4% na comparação com os três meses iniciais de 2024, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam crescimento de 0,9%.

O dado, apesar de ser positivo e mostrar aceleração da economia, vem em um momento de incertezas em torno das próximas decisões de política monetária do BC (Banco Central) para controlar a inflação.

Para analistas, o resultado pode levar o Copom (Comitê de Política Monetária) a adotar uma postura mais agressiva no próximo encontro, "já que o avanço da atividade tende a subir os preços lá na frente", diz Cristiane Quartaroli, economista do Ouribank.

O comitê trabalha com a meta de inflação em 3%, definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional, órgão ligado ao Ministério da Fazenda) e com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. A taxa básica de juros do país, a Selic, é o principal instrumento do BC para controlar a alta de preços.

Na leitura de agosto do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), a inflação desacelerou a 0,19% ante julho. Em 12 meses, a variação marcou 4,35%, próxima ao teto da meta.

A desancoragem de expectativas levou o Copom a uma comunicação mais dura na ata da última reunião, em julho, quando optou por manter a Selic em 10,50% ao ano pela segunda vez consecutiva.

Desde então, dirigentes do BC têm reiterado que uma alta nos juros está à mesa para os próximos encontros, se os dados indicarem que há necessidade de um novo ciclo de aperto monetário.

O resultado do PIB se soma aos números de emprego medidos pela Pnad Contínua, divulgada na sexta-feira pelo IBGE. Em mais um sinal de aquecimento, a taxa de desocupação recuou a 6,8% no segundo trimestre, o menor patamar para o período desde o início da série histórica do indicador, de 2012.

"Visto que o mercado de trabalho brasileiro se mostra mais aquecido do que se imaginava, que a atividade econômica também tem performado melhor do que se antecipava, essa situação deve se somar a um cenário que o Banco Central caracteriza como desconforto", aponta Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Apostas de que o BC deve optar por um aperto de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, marcada para 17 e 18 de setembro, têm crescido entre os agentes financeiros.

Quanto maiores os juros no Brasil e menores nos Estados Unidos, pior para o dólar, que se torna menos atraente conforme os rendimentos dos títulos ligados ao Tesouro norte-americano, os Treasuries, caem.

A moeda americana chegou a atingir a mínima de R$ 5,576 na sessão, logo após a divulgação do PIB, mas passou a subir em meio às dúvidas sobre os juros daqui e do Estados Unidos, em linha com o movimento no exterior.

Por lá, investidores adotaram mais cautela antes da divulgação do "payroll" (folha de pagamento, em inglês), na sexta-feira. Os números do mercado de trabalho dos EUA têm ditado as apostas sobre o ritmo que o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) poderá cortar os juros.

A próxima decisão também está marcada para os dias 17 e 18 de setembro. Operadores veem 65% de chances de uma redução de 0,25 ponto percentual nos juros e 35% de probabilidade de um corte maior, de 0,50 ponto, segundo a ferramenta CME FedWatch.

Na cena corporativa, o Ibovespa foi pressionado pelas quedas do minério de ferro e do petróleo, que afetaram Vale e Petrobras, as duas empresas de maior peso no índice.

A mineradora perdeu 3,72%, enquanto os papéis preferenciais e ordinários da petroleira recuaram 1,20% e 1,26%, respectivamente.

Com Reuters

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