Trump viaja sem aviso ao Afeganistão e diz que retomou diálogo com Taleban

Visita ocorre cerca de três meses após presidente cancelar negociação com o grupo

Bagram (Afeganistão) | The New York Times e Reuters

O presidente Donald Trump fez uma visita não anunciada às tropas dos Estados Unidos no Afeganistão nesta quinta-feira (28), quando os americanos comemoram o Dia de Ação de Graças.

Ele disse que reiniciou as negociações de paz com o Taleban, menos de três meses depois de ter encerrado as conversas com o grupo.

"O Taleban quer fazer um acordo, e estamos nos encontrando com eles", disse Trump durante uma reunião com o presidente afegão, Ashraf Ghani.

"Vamos ficar até que tenhamos um acordo, ou uma vitória total, e eles querem muito fazer um acordo", disse Trump em referência às tropas americanas. Ele reafirmou seu desejo de reduzir a presença dos militares para 8.600 —atualmente, há cerca de 13 mil.

trump de terno e gravata vermelha em frente a militares vestidos com uniforme camuflado
O presidente Donald Trump discursa a militares americanos no Campo Aéreo de Bagram, no Afeganistão - Olivier Douliery/AFP

Líderes do Taleban disseram à agência de notícias Reuters que o grupo retomou o diálogo com oficiais americanos em Doha no último fim se semana, acrescentando que eles poderiam reabrir formalmente negociações de paz em breve. 

Trump fez sua primeira visita ao Afeganistão envolto em segredo, chegando em um avião disfarçado logo após as 20h30 no horário local (11h em Brasília), numa viagem que a Casa Branca havia ocultado de sua agenda pública por razões de segurança.

O presidente desempenhou o tradicional papel de servir peru com purê de batatas aos militares, que estavam uniformizados. Depois de jantar, confraternizou e posou para fotos em um hangar de aeronaves, além de fazer comentários em homenagem aos militares americanos.

Sua visita teve uma importante dimensão política e ocorre numa encruzilhada para o Afeganistão e a presença militar dos EUA no país, meses depois de Trump ter cancelado subitamente as negociações com o Taleban, nas quais havia sido produzido um esboço de acordo para iniciar a retirada gradual das tropas. 

Trump, que se vangloriou dos sucessos militares contra a Al Qaeda e o Estado Islâmico, sugeriu que o Taleban está ansioso para fazer um acordo de paz, mas que ele próprio é indiferente a esse resultado.

Algumas autoridades atuais e passadas das Forças Armadas estão preocupadas que o apetite de Trump pela redução de tropas, da qual ele poderia se gabar durante a campanha eleitoral como o cumprimento de sua promessa de reduzir as intervenções estrangeiras dos EUA, possa levar a sérios riscos à segurança nacional. ​

Em artigo publicado no Washington Post neste mês, o general aposentado David Petraeus, ex-comandante das forças americanas no país, alertou que o governo só deveria fazer um acordo com o Taleban se os termos forem mais rigorosos do que aqueles que foram tratados antes da interrupção das negociações.

Petraeus, escrevendo com Vance Serchuck, membro adjunto do Centro para uma Nova Segurança Americana, também alertou que os EUA devem estar preparados para seguir realizando missões de contraterrorismo atualmente em curso no país.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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