Descrição de chapéu O que a Folha Pensa editoriais varejo

Economia na retranca

Incertezas da política brasileira contribuem para nublar a paisagem

Vagas de emprego anunciadas em rua na região central de São Paulo
Vagas de emprego anunciadas em rua na região central de São Paulo - Danilo Verpa - 17.nov.17/Folhapress

Vai mudando para pior o humor dos analistas que até outro dia expressavam otimismo com a recuperação da economia brasileira, recém-saída de uma de suas recessões mais devastadoras. 

De acordo com o boletim Focus, em que o Banco Central compila previsões de consultorias e instituições financeiras, a aposta no início de março era que o país alcançaria uma taxa de crescimento próxima de 3% até o fim deste ano.

Nas últimas semanas, porém, uma sucessão de notícias frustrantes levou os economistas a rever seus números. No boletim mais recente, desta segunda (16), projeta-se taxa mais modesta, de 2,76%.

Outro sinal preocupante veio do IBC-Br, índice calculado pelo BC que procura tomar o pulso da atividade econômica. Ele apontou uma contração de 0,64% em janeiro e uma variação positiva irrisória, de 0,09%, em fevereiro.

Desde o fim de 2017, quando ficou claro que o país havia deixado para trás a recessão, tudo indicava que a recuperação da economia seria lenta e pouco vigorosa. O desempenho dos últimos meses parece confirmar esses indícios.

Ele sugere que ainda será preciso esperar um bom tempo até que os brasileiros recobrem a confiança perdida nos anos difíceis da recessão, condição essencial para uma retomada mais forte da demanda e dos investimentos produtivos.

Parte do problema está na frágil expansão do mercado de trabalho. Os que têm conseguido emprego em geral assumem vagas sem registro em carteira profissional ou atuam por conta própria.

É um alívio depois de mais de três anos de demissões em alta, mas são postos que não fornecem a segurança necessária para reativar o consumo, principal motor da atividade econômica.

As vendas do varejo, que pareciam estar reagindo nos últimos meses do ano passado, caíram 0,1% em fevereiro. Apesar da queda acentuada das taxas de juros fixadas pelo BC, aquelas cobradas dos consumidores continuam em patamar exorbitante.

A saúde financeira das empresas melhorou, mas muitas ainda padecem —os pedidos de recuperação judicial voltaram a crescer.

As incertezas da política contribuem para nublar a paisagem. Sem saber se o próximo presidente estará disposto a promover as reformas necessárias para que o país volte a crescer de forma sustentável, consumidores e investidores tendem a prosseguir na retranca.

​editoriais@grupofolha.com.br

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.