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Robson Braga de Andrade

Desafios para o país no pós-pandemia

Reformas tributária e administrativa devem tramitar simultaneamente

De uma hora para outra, a pandemia da Covid-19 mudou nossos hábitos e nos obrigou a rever planos e prioridades. Em 2019, as principais discussões em todo o mundo giravam em torno do futuro do trabalho e das previsões de que a automação eliminaria empregos e transformaria a vida das pessoas. Imaginávamos que teríamos tempo para encontrar respostas adequadas a esses e outros desafios.

Entretanto, no início de 2020, o novo coronavírus nos mostrou uma dura realidade. A busca por soluções para preservar vidas passou a ser a prioridade das prioridades. E, em meio à mais grave crise sanitária e econômica da história recente, nos deparamos com uma série de adversidades, muitas até então desconhecidas.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) - Keiny Andrade - 13.nov.18/Folhapress

Apesar das dificuldades, não podemos ficar paralisados. É necessário ter coragem para enfrentar fragilidades, vencer desafios e buscar o crescimento sustentado da economia, para melhorar qualidade de vida e o acesso da população à saúde, à educação e ao lazer, com trabalho, renda, dignidade e liberdade.

Precisamos agir rápido e com muita determinação. Não temos o direito de esperar por uma segunda pandemia. Todos —cidadãos, empresas, governos— devemos deixar de lado o egoísmo, prestar atenção às demandas coletivas e buscar a união em torno de um projeto consistente de retomada da economia, que possibilite ao país superar as consequências negativas da Covid-19 e se adaptar ao chamado "novo normal".

A crise atual provocou algumas reflexões sobre a economia globalizada. A recente falta de insumos e equipamentos na área de saúde mostrou a necessidade de os países terem uma ampla base de produção para assegurar o suprimento das cadeias industriais, manter empregos e gerar riquezas. Ficou claro que não podemos produzir tudo, mas também não podemos depender de um ou dois fornecedores nem de um ou dois clientes.

O novo cenário confirmou que a ciência, a pesquisa e a tecnologia são as garantias da nossa sobrevivência. Por isso, cresceu a necessidade de investimentos constantes e robustos em inovação e desenvolvimento tecnológico.

Aumentou, igualmente, a importância de uma educação básica e profissional de qualidade, que assegure um futuro melhor para os jovens e fortaleça o espírito coletivo e o compromisso ético com o país.

O ambiente mais complexo do pós-pandemia requer, ainda, a ampliação da produtividade e da competitividade da indústria e dos demais segmentos. Um passo decisivo é a aprovação de reformas estruturantes, sobretudo a tributária e a administrativa.

É imprescindível fazer uma reforma tributária que simplifique o sistema de arrecadação de impostos, aumente a base de contribuição, reparta a carga de forma equânime entre os diversos setores e que dê transparência sobre os tributos incidentes sobre produtos e serviços.

É imperioso, também, reformar o Estado brasileiro, por meio de uma reforma administrativa que reduza e racionalize os gastos públicos, e que melhore a qualidade e a eficiência dos serviços prestados à população. Políticas públicas precisam ter metas de desempenho e avaliação precisa de custos e benefícios, para assegurar a efetividade nas ações e na aplicação de recursos públicos.

A revisão do modelo de tributação será o norte para a modernização do Estado. Por isso, é essencial que as reformas tributária e administrativa tramitem simultaneamente no Congresso Nacional, para que, ao final, tenhamos um Estado menos pesado e um sistema tributário simplificado, possibilitando ao Brasil iniciar um novo ciclo de desenvolvimento.

Hoje, o foco principal deve ser a preservação da saúde e da vida das pessoas. Temos, entretanto, que trabalhar para a construção de um futuro de mais prosperidade, qualidade de vida, inclusão social e paz para todos os brasileiros.

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