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Um duelo perigoso

Política externa dura de Biden é novidade geopolítica; ataque a Putin mira China

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Os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin - Eric Baradat e Alexey Nikolsky/AFP

Presidentes americanos em começo de mandato são sempre objeto de especulação política por parte de seus rivais geopolíticos.

Joe Biden, 78, que assumiu a vaga de Donald Trump em 20 de janeiro, preferiu adiantar-se. O democrata parece determinado a mostrar ao mundo que não é um senhor idoso com tendência a titubear, conforme a pecha impingida por seu antecessor.

No horizonte do americano está a China, a potência ascendente percebida como desafiante pelo posto de principal país do mundo, ocupado pelos Estados Unidos sem grandes contestações desde o fim da União Soviética, em 1991.

Para mostrar vigor, Biden escolheu um velho vilão, Vladimir Putin. Ainda assim, seu primeiro ato de política externa foi ambíguo.

Ao mesmo tempo em que fez críticas ao envenenamento do opositor russo Alexei Navalni e ações de hackers, ele aceitou as condições de Putin e estendeu o último acordo de controle de armas nucleares.

As gentilezas para a paz pararam por aí. Biden acusou o serviço secreto russo de tentar matar Navalni e determinou novas sanções. Para coroar o movimento, na semana passada Biden concordou com um entrevistador que chamara o presidente russo de assassino.

Líderes na Casa Branca já chamaram a Rússia de Império do Mal, como fez Ronald Reagan sobre a encarnação soviética do país, mas tão agressivo epíteto é novidade.

Putin é conhecido por reagir a pressões de forma incisiva. A tomada da Crimeia em 2014 foi um exemplo de seu modus operandi.

As tensões ora em alta no leste da Ucrânia, controlado em parte por rebeldes pró-Moscou, são um lembrete de que conflitos congelados não ficam assim para sempre.

Putin não tem musculatura econômica para confrontar os EUA, mas administra uma relação próxima com a China e, nunca é bom esquecer, tem um arsenal nuclear equivalente ao de Biden à mão.

Pressionar o russo por excessos autocráticos é obrigação do Ocidente, mas modular o tom aplicado parece igualmente necessário.

Destinatária final de Biden, Pequim tomou nota do recado. O primeiro encontro diplomático dos dois países sob sua gestão, na semana passada, foi marcado por uma inusual altercação pública.

Após as erráticas políticas de Trump, o rumo de Biden até aqui sugere mais atritos pela frente.

editoriais@grupofolha.com.br

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