Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Fui presidente para interferir mesmo', diz Bolsonaro sobre PF e Receita

Em evento, ele disse ainda que não será um 'poste' ou um 'banana' no exercício do mandato

Gustavo Uribe
Brasília

Em uma reação às críticas de que tem interferido na Polícia Federal e na Receita, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que foi eleito justamente para tomar decisões e que não será um "banana" ou um "poste" no exercício do mandato.

"Houve uma explosão junto à mídia no Brasil, uma explosão. Está interferindo? Ora, eu fui [eleito] presidente para interferir mesmo, se é isso que eles querem. Se é para ser um banana ou um poste dentro da Presidência, tô fora", disse nesta quarta-feira (21) na abertura do Congresso Aço Brasil.

A pedido do presidente, foi anunciada a troca do comando da superintendência da PF no Rio de Janeiro. A situação causou um constrangimento ao ministro da Justiça, Sergio Moro. 

"Na Polícia Federal, eu indiquei o Moro. E o Moro indicou o diretor-geral. E ali, no quarto escalão, há as superintendências. Onze já foram mudadas. Quando apareceu a do Rio de Janeiro, eu fiz uma sugestão de pegar o superintendente de Manaus", disse Bolsonaro nesta quarta.

A PF do Rio passa por momento delicado, especialmente após o caso Fabrício Queiroz, PM aposentado e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Ele é pivô da investigação do Ministério Público do Rio que atingiu o senador e primogênito do presidente

A apuração começou após um relatório do governo federal ter apontado a movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio, de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.

Esse caso especificamente não está com a PF, mas há investigações que podem envolver os mesmos personagens.

Também após interferência do presidente foi afastado na segunda-feira (19) o subsecretário-geral da Receita Federal, João Paulo Ramos Fachada, que vinha se posicionando contra ingerências políticas.

Bolsonaro ressaltou nesta quarta que a Receita Federal "tem problemas" e que, por isso, deve haver novas mudanças, sem especificá-las. Uma das possibilidades cogitadas é a troca do secretário especial, Marcos Cintra.

"A Receita Federal tem problemas. Faz um bom trabalho, mas tem problemas. E devemos resolver esses problemas trocando gente", disse.

A saída em massa de seis subsecretários e três coordenadores gerais da Receita chegou a ser articulada como protesto contra as interferências do Planalto, mas a avaliação da equipe foi que a medida só atenderia os interessados na ampla substituição de dirigentes da instituição.

O cargo do subsecretário de Fiscalização da Receita, Iágaro Martins, por exemplo, também está em risco. Ele é visto como um integrante do órgão ligado ao Ministério Público e vem sendo criticado nos bastidores após investigações envolvendo a família de Bolsonaro.

Desde que assumiu a Presidência da República, Bolsonaro contesta ações de órgãos de controle para investigar seu núcleo familiar —incluindo seu filho Flávio, senador pelo PSL e alvo de investigação do Ministério Público do Rio após relatórios do Coaf, rebatizado UIF (Unidade de Inteligência Financeira), apontarem movimentações suspeitas.

No caso da Receita, Bolsonaro acusa auditores de perseguição a seus parentes, que, segundo ele, sofreram uma "devassa".

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