Veja perguntas que levaram Bolsonaro a interromper entrevistas ou atacar a imprensa

No Acre, Bolsonaro se irrita e encerra abruptamente entrevista ao ser questionado sobre caso Flávio

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Brasília

Quando confrontado com temas incômodos, como suspeitas envolvendo seus familiares ou ministros, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem adotado a estratégia de interromper entrevistas e atacar jornalistas. Desde o início do governo, foram diferentes casos desse tipo.

O último deles, nesta quarta-feira (24), quando encerrou abruptamente uma entrevista coletiva que concedia no aeroporto de Rio Branco (AC) ao ser questionado sobre a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de anular a quebra de sigilo bancário de seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos), senador pelo Rio de Janeiro.

"Acabou a entrevista", afirmou o presidente antes mesmo de a pergunta ser concluída, retirando-se do local ao lado de políticos locais e do ministro Eduardo Pazuello (Saúde).

Abaixo, perguntas que levaram Bolsonaro a interromper entrevistas ou atacar a imprensa​.

O presidente Jair Bolsonaro durante solenidade em comemoração ao Dia Internacional do Voluntariado, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - Pedro Ladeira - 2.dez.2019/Folhapress

"Se for nessa linha, acaba a entrevista."
Sobre os ataques de Carlos Bolsonaro ao seu vice, Hamilton Mourão, em 25.abr.2019.

"Está encerrada a entrevista, muito obrigado."
Sobre a divulgação de mensagens entre o ministro Sergio Moro (Justiça), enquanto juiz, e o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, em 11.jun.2019

"Não vou responder pergunta idiota."
Sobre carona dada a familiares em helicóptero da Presidência em casamento de um de seus filhos, em maio daquele ano, em 26.jul.2019

"Se continuar pergunta nesse padrão, vai acabar a entrevista."
Sobre as ofensas feitas por ele à primeira-dama francesa Brigitte Macron em postagens nas redes sociais, em 27.ago.2019

“Imprensa, gosto muito de vocês. Mas tudo é deturpado. Quando fizerem uma matéria real do que aconteceu lá na ONU, eu dou entrevista.”
Não houve pergunta, ele se recusou a falar com a imprensa antes mesmo das perguntas, em 30.set.2019

"Não tem coisas boas para perguntar para mim?"
Sobre a denúncia pelo Ministério Público Federal contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em 04.out.2019

"Tá com sua mãe."
Quando um ciclista perguntou sobre o caso Queiroz na porta do Alvorada, em 05.out.2019

Se retirou da entrevista, sem falas.
Quando foi questionado sobre críticas do decano do STF, Celso de Mello, em 29.out.2019

Diz que repórter tem "cara de homossexual terrível" e manda jornalistas ficarem quietos.
Sobre busca e apreensão realizada pela PF em endereços do senador Flávio Bolsonaro, em 20.dez.2019

"O livro é fake news, um livro mentiroso, não vou responder sobre o livro."
Sobre o livro "Tormenta", em que a jornalista Thais Oyama diz que o presidente orientou Queiroz a faltar em depoimento, em 14.jan.2020

"Acabou a entrevista."
Questionado se havia conflito de interesse na atuação do secretário-chefe da Secom, Fábio Wajngarten, em 15.jan.2020

"Fora, Folha de S.Paulo, você não tem moral para perguntar. Cala a boca."
Questionado sobre o caso Fábio Wajngarten, em 16.jan.2020

"Você está falando da sua mãe?"
No mesmo dia, no fim da tarde, questionado novamente sobre o caso de Fábio Wajngarten, em 16.jan.2020

"Já que deturpou a conversa, acabou a entrevista."
Pergunta sobre possível saída de Onyx Lorenzoni da Casa Civil, em 30.jan.2020

"Lamento, mas não vou conversar com vocês."
Não houve pergunta. Silêncio se deu um dia após morte de ex-PM ligado a caso de rachadinhas do senador Flávio Bolsonaro, em 10.fev.2020

"PIB? PIB? O que que é PIB? Pergunta o que que é PIB."
Questionado sobre o crescimento de 1,1% do PIB em 2019. Bolsonaro ironizou a pergunta, não respondeu e pediu que humorista falasse com repórteres em 4.mar.2020

“Ache um brasileiro que confie no sistema eleitoral."
Durante viagem a Miami (EUA) Bolsonaro disse que houve fraude nas eleições de 2018. Questionado sobre provas, encerrou entrevista em 10.mar.2020

Se retirou da entrevista sem responder.
Ao desembarcar em Brasília e ser questionado sobre provas diante da acusação feita por ele de que houve fraude nas eleições de 2018 em 11.mar.2020

"É o [apoiador], ele que vai falar"
Ao atender à imprensa e aos seus apoiadores no Palácio do Alvorada, Bolsonaro ignorou os questionamentos dos jornalistas em relação à data de aniversário do golpe militar de 1964 e sobre o ministério da Saúde, em 31.mar.2020.

"Cala a boca"
Ao ser questionado por repórteres sobre mudanças na Polícia Federal, Bolsonaro mandou os profissionais que lhe perguntaram calarem a boca e atacou a Folha, chamando o jornal de "canalha", "patife" e "mentiroso", em 5.mai.2020

“Acabou a entrevista. Valeu, gente, obrigado"
Disse durante uma entrevista coletiva em Bagé (RS), após ser indagado sobre os estudos do governo para a criação de um novo imposto nos moldes da antiga CPMF, em 31.jul.2020

"A vontade é encher tua boca com uma porrada, tá?"
Após ser questionado sobre os depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro, em 23.ago.2020

"Acabou a entrevista"
Ao ser questionado sobre a decisão do STJ de anular a quebra de sigilo de seu filho Flávio Bolsonaro no caso das "rachadinhas" na Assembleia do Rio, em 24.ago.2021

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