Descrição de chapéu Eleições 2020

Debate em SP tem confronto entre Boulos e Russomanno e dobradinhas contra Covas

Márcio França, também na disputa pelo 2º lugar, foi poupado; pandemia foi pouco citada

São Paulo

O último debate entre candidatos a prefeito de São Paulo antes do primeiro turno da eleição, que acontecerá no domingo (15), foi marcado por ataques à gestão do atual prefeito Bruno Covas (PSDB) e por embate entre Guilherme Boulos (PSOL) e Celso Russomanno (Republicanos), que disputam o segundo lugar juntos de Márcio França (PSB).

No modelo do debate organizado pela TV Cultura nesta quinta (12), os candidatos não podiam selecionar para quem fariam perguntas, o que era definido por sorteio. Em vários momentos, os candidatos se juntaram em dobradinhas para atacar a gestão Covas na prefeitura. Os adversários exploraram os pontos fracos do prefeito, que questionou o nível do debate.

Pesquisa Datafolha divulgada na quarta (11) mostrou que Bruno Covas tem 32% de intenções de voto na cidade. A segunda colocação está dividida entre Boulos, que oscilou de 14% para 16%, Russomanno (16% para 14%) e França (13% para 12%).

As dobradinhas aconteceram entre candidatos dos mais variados espectros políticos, como, por exemplo, entre Joice Hasselmann (PSL) e Jilmar Tatto (PT).

Tatto aproveitou uma pergunta para Joice e questionou o que ela pensava do fato de Covas, que vive na Barra Funda, zona oeste, deixar abandonada a região do Elevado João Goulart, próxima da casa do prefeito. Joice respondeu que a cidade toda estava abandonada.

A candidata, depois, enfrentou o prefeito diretamente e o questionou sobre seu candidato a vice, Ricardo Nunes (MDB), que tem influência sobre empresas que administram creches na cidade, e as viagens de Covas no cargo em momentos de crise na cidade.

Márcio França também aproveitou uma dobradinha com Arthur do Val (Patriota) para questionar viagens do prefeito. A reforma do Vale do Anhangabaú, na região central, que custou R$ 94 milhões aos cofres públicos, também foi usada contra Covas.

Na disputa pelo segundo lugar, Russomanno voltou a acusar Boulos de contratar empresas fantasmas em sua campanha. Ele havia feito a acusação primeiro no debate Folha/UOL que ocorreu na quarta. A Justiça Eleitoral, porém, já determinou que reportagem sobre isso fosse retirada do ar por não refletir a verdade, ponto que foi levantado por Boulos em sua resposta.

Boulos respondeu chamando a acusação de "cara de pau" e lembrou que a denúncia foi feita primeiro por Oswaldo Eustáquio, que foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news.

O candidato do PSOL afirmou que entrou com queixa criminal contra o adversário e pediu a apreensão do celular de Russomanno. "Quem é que está pagando?", disse.

Russomanno dobrou a aposta e reafirmou que as empresas são fantasmas e que vai processar o líder do MTST. Boulos reagiu chamando o adversário de "sem vergonha".

Já Arthur do Val (Patriota) também acusou Russomanno de não falar a verdade por tê-lo questionado sobre faltas na Assembleia de São Paulo, onde exerce o mandato de deputado estadual.

Um dos pontos de confronto mais intenso aconteceu entre Jilmar Tatto e Celso Russomanno. O candidato do Republicanos provocou Tatto, questionando se ele não tinha medo de perder Lula para Boulos, após vários petistas apoiarem o líder do MTST, que tem apresentado melhor aproveitamento nas pesquisas.

Tatto ironizou as seguidas derrotas do candidato do Republicanos nas eleições para prefeito de São Paulo. "Ô Celso Russomanno, me parece que quem é campeão de perder eleição na cidade de São Paulo é você, meu irmão. Você se toca, meu filho. Você perde todas. Teve uma, inclusive, que você saiu com 42%. Você perdeu para o Haddad", disse.

Tatto citou seguidos pontos fracos de Russomanno nas campanhas, incluindo uma proposta de cobrar os ônibus por quilômetro rodado. "E agora você errou achando que o [presidente Jair] Bolsonaro iria te eleger. Você está numa fria danada, rapaz", concluiu.

Pelo terceiro debate seguido, Russomanno não citou o nome do presidente, que é seu apoiador. Bolsonaro é rejeitado por 50% dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha.

Embora também tenha chances de ir para o segundo turno, Márcio França foi poupado pelos seus concorrentes diretos.

A pandemia da Covid-19, que já matou quase 14 mil pessoas na cidade, foi pouco citada durante o debate. Serviu de pretexto para Arthur do Val questionar se o prefeito voltaria a fechar os comércios da cidade em caso de uma segunda onda da doença.

Covas não respondeu e afirmou ser fake news indícios de que haverá uma segunda onda, ignorando que hospitais privados já estão mais sobrecarregados.

Em outro momento, Orlando Silva (PC do B) criticou o presidente Jair Bolsonaro por ter comemorado a suspensão dos testes da vacina desenvolvida em São Paulo pelo Instituto Butantan.

Celso Russomanno afirmou que a volta às aulas da rede municipal deve acontecer antes da disponibilidade da vacina contra o novo coronavírus. A decisão sobre a obrigatoriedade da vacina, para Covas, deve ser tomada segundo critérios científicos, pela área da saúde.

Embora as regras do debate exigissem que os candidatos usassem máscara em todo o tempo, exceto enquanto estivessem respondendo às perguntas, só Márcio França e Andrea Matarazzo respeitaram a norma durante a maior parte do encontro. Marina Helou (Rede) colocou a máscara depois de França chamar atenção para isso. Havia, no entanto, uma barreira de acrílico entre os candidatos.

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