Confira 6 dicas para voltar ao mercado de trabalho

Profissional deve ser flexível e ter familiaridade com entrevistas em vídeo

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Charlotte Cowles
The New York Times

Muitos dos que estão em busca de uma colocação não sabem por onde começar, especialmente nesta nova era de anúncios online e home office.

“Muita gente não é assim tão habilidosa na procura de emprego”, diz Richard Wahlquist, presidente-executivo da American Staffing Association, uma organização setorial de empresas de recursos humanos e agências de emprego que ajuda companhias a encontrar trabalhadores para postos temporários e permanentes.

“A maioria de nós não é ensinada a fazê-lo, por suas famílias ou nas escolas e universidades", afirma ele.

Se você é uma dessas pessoas, veja a seguir como superar essa dificuldade e encontrar o caminho de volta para o mercado de trabalho, mesmo que você esteja se sentindo enferrujado.

Ilustração em fundo branco de várias portas, em verde, e uma pessoa de costas, com camisa branca, saia preta e sapatos de salto, olhando para as portas com as mãos na cintura
Como procurar emprego? - Miguel Porlan/The New York Times

Atualize suas técnicas de comunicação

Se você não passou os últimos 12 meses em reuniões via Zoom, não significa que tenha exatamente perdido alguma coisa, mas ainda assim é preciso que saiba se apresentar como bem preparado e profissional em vídeo. “Muitas das entrevistas são virtuais, agora”, diz Randi Weitzman, que trabalha na área de recrutamento da Robert Half, consultoria internacional de recursos humanos.

“Pessoas que estiveram fora da força de trabalho devem praticar a realização de reuniões via Zoom, com sua família ou amigos, para que se sintam confortáveis conversando via vídeo."

Mesmo que você tenha muita experiência conversando com pessoas via FaceTime, a situação não é exatamente a mesma. “Peça que as pessoas comentem sobre o fundo que sua câmera exibe e aprenda para onde olhar, para a câmera ou para a tela, a fim de parecer engajado”, explica Weitzman.

“É preciso ter alguma prática para superar o nervosismo que você sente ao passar pelo processo."

Procure online –e não só no LinkedIn

O LinkedIn é a principal ferramenta para procura de emprego, certamente, e é preciso garantir que seu perfil nele esteja atualizado e bem cuidado. (Melhor ainda é usar o recurso “Open to Work”, que o serviço oferece, e marca sua foto com um distintivo que indica que você está procurando emprego, facilitando que potenciais empregadores o localizem.)

Mas não é o único lugar em que você deveria procurar. Muitos empregadores solicitam candidatos em outras plataformas de mídia social, como o Facebook e Instagram.

“Estamos constantemente em busca de maneiras de divulgar nossas vagas”, diz Kelly McCulloch, vice-presidente de recursos humanos da rede Taco Bell . “Para tanto, temos de procurar candidatos onde eles estão –e muitos deles estão nas redes sociais."

Isso funciona nos dois sentidos. Se você está procurando emprego, fazê-lo em sua rede de contatos online pode ajudar. Um amigo ou conhecido pode indicá-lo para uma vaga em aberto.

“Preenchemos muitas vagas por indicação de empregados atuais”, diz McCulloch. (E, se decidir fazer isso, aproveite para organizar o seu conteúdo publicado na mídia social –alguns empregadores potenciais podem rejeitar postagens de certo tipo.)

Por fim, não tenha medo de eventos online de networking. Muitos deles oferecem serviços úteis, como revisão de currículos e preparação para entrevistas.

Converse com uma agência de empregos ou consultoria de recursos humanos

Muitos candidatos a emprego acreditam que é preciso pagar as empresas de recursos humanos para que elas lhes encontrem empregos. Mas a verdade é o oposto: são os empregadores que pagam as companhias de recursos humanos para que encontrem candidatos adequados.

Não importa qual seja seu campo de trabalho, provavelmente existe uma empresa de recrutamento que está em busca de pessoal neste momento, garante Wahlquist. “Procure uma empresa que represente pessoas que fazem o mesmo trabalho que você, ou o trabalho que você deseja fazer, com base em suas qualificações”, ele diz.

Wahlquist recomenda conversas iniciais com empresas de recrutamento que lhe deem uma ideia do trabalho que elas já tenham feito para pessoas com background parecido com o seu. Peça ajuda à empresa para identificar quais exatamente são as suas qualificações profissionais e como promovê-las.

“A maioria das pessoas aprende coisas ao longo de suas carreiras que não se encaixam com facilidade em um currículo", diz Wahlquist. “Um profissional de recursos humanos avalia educação, treinamento e história profissional para obter um retrato completo de suas qualificações técnicas e humanas, tendo em vista as necessidades dos empregadores atuais."

Amplie seus horizontes

A transição para o trabalho remoto permitiu que empregadores alargassem suas redes na busca de talentos –e o mesmo deveria se aplicar às pessoas que estão em busca de emprego.

“Muitos empregadores estão abertos a contratar trabalhadores remotos”, diz Weitzman. "É claro que isso significa concorrer com mais candidatos, mas também aumenta as chances de encontrar uma vaga na medida para você."

O momento também pode ser propício para transições de carreira. “Você pode querer ser mais flexível, e pensar em mudar de campo”, afirma Wahlquist. “Aproveite as qualificações que você desenvolveu e tente encontrar algo ainda melhor, ou mais sustentável em longo prazo."

Enquanto isso, considere realizar cursos de treinamento relevantes, especialmente se você passou algum tempo desempregado. “Se você não está trabalhando, recomendo que faça alguma forma de treinamento, porque isso demonstra iniciativa e um interesse em atualizar e expandir suas qualificações”, diz Weitzman.

Seja honesto sobre os motivos de seu desemprego

Se você está desempregado há algum tempo, seja por falta de oportunidade ou porque estava ocupado ajudando seus filhos a estudar via Zoom, isso não é problema. “Todo mundo está ciente do que aconteceu nos últimos 12 meses”, afirma Wahlquist. “A maioria das pessoas não será questionada por uma lacuna em seu histórico de trabalho durante os meses da pandemia."

Mas é preciso estar preparado para explicar —sucintamente— o que aconteceu e o que você vem fazendo desde então. “Mesmo que sua perda de emprego não tenha sido inteiramente relacionada à Covid, a maioria dos empregadores deseja iniciar um relacionamento com transparência”, diz ele.

E os potenciais empregadores vão querer verificar suas referências. Antecipe que eles procurarão seus superiores nos últimos cinco anos, ou nos últimos dois empregos. “Aproveite o momento para procurar essas pessoas e seja direto”, diz Wahlquist.

“Pergunte se a pessoa lhe daria uma referência e se seria uma boa referência."

Uma das perguntas que pode ser feita a um antigo chefe é se essa pessoa o recontrataria. “E, se a resposta for não, a pergunta seguinte será: por quê?”

Estude a possibilidade de um trabalho temporário

Algumas pessoas apreciam trabalhos temporários. Mas muitas preferem a segurança de um emprego em longo prazo, especialmente se oferecer benefícios. O que muita gente não percebe é o quanto um trabalho temporário pode ser útil na obtenção de um emprego permanente.

“Isso é algo que vemos com frequência em uma economia que está se recuperando. Os empregadores contratam pessoas por período limitado”, diz Wahlquist.

Trabalho temporário serve pelo menos para colocar alguma coisa no currículo da pessoa. “É uma forma de ganhar experiência, de conseguir alguma exposição e mais referências”, diz Weitzman.

“Às vezes o cliente se encanta com um prestador de serviço e decide que não pode viver sem ele e, por isso, lhe oferece um emprego permanente. É um grande passo para que alguém retorne à força de trabalho."

Tradução de Paulo Migliacci

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