Uso de peças que lembram Lego reduz pela metade tempo de obra nos prédios

Paredes chegam pré-montadas ao canteiro e dispensam tijolos, betoneiras e mão de obra

Empreendimento Soberano, da Tarjab, na Vila Mariana
Área comum do empreendimento Soberano, da Tarjab, na Vila Mariana - Divulgação
São Paulo

As inovações que reduzem o tempo de construção e os custos das obras, antes quase exclusividade dos empreendimentos comerciais, chegam agora aos projetos residenciais

A construtora Urbic usa uma combinação de técnicas que, segundo a empresa, reduz o tempo de obra de um empreendimento residencial de 36 para 12 meses. “É o resultado de uma somatória de técnicas e materiais construtivos que garantem agilidade, alta qualidade e segurança”, diz Luiz Henrique Ceotto, sócio da incorporadora.

Ele explica que estruturas são mistas, com pilares tubulares em aço preenchidos de concreto armado de alta resistência, dispensando o uso das formas de madeira. As vigas são metalúrgicas e as lajes são pré-fabricadas com capeamento de concreto, no local da obra, também eliminando as formas de madeira. “Em uma obra tradicional, essa etapa dura, em média, oito meses. Com o nosso modelo, o prazo cai para dois meses”, afirma.

Na fase de fachada, a empresa utiliza concreto pré-moldado com agregado exposto colorido, fixado diretamente na estrutura, o que dispensa colocação de tijolos, argamassa, além da pintura tradicional. Essas estruturas já são entregues pela fábrica com as esquadrias das janelas fixadas. As paredes são de drywall acústico. O sistema hidráulico é produzido em chassis pré-fabricados. “Toda a tubulação chega do fabricante pré-montada e testada”, explica Ceotto.

Os materiais pré-fabricados são mais caros do que os produtos convencionais. Segundo o executivo, o ganho vem em escala, no longo prazo: ao reduzir o tempo de obra, a empresa entrega mais projetos. “O que é melhor uma rentabilidade de 15% em seis meses de obra ou 40% em seis anos?”

Um dos empreendimentos erguidos com essa técnica é o Urbic Ibirapuera, no Paraíso, que mira o alto padrão com 24 apartamentos de 47 e 77 metros quadrados, que custam em torno de R$ 800 mil.

A Tarjab, por sua vez, aposta em sistemas construtivos pré-fabricados. Um exemplo são os kits hidráulicos, que já chegam ao canteiro com as tubulações montadas e testadas de fábrica. Eles são então encaixados e parafusados na estrutura do edifício.

A somatória das técnicas construtivas reduzem o custo total da obra em cerca de 5%, segundo a construtora, que estima reduzir o tempo de obra pela metade. A fundação, que em média leva cerca de cinco meses, agora é feita em dois meses, cita Sérgio Tarjab, sócio da empresa.

Em um deles, o Essencial Vila Mariana, o planejamento é entregar as chaves em 18 meses, contra os três anos da média. O empreendimento terá 46 apartamentos de dois dormitórios com uma suíte e 57 metros quadrados.

Na MRV Engenharia, o uso de paredes de concreto pré-montadas permite à empresa construir um bloco com 20 apartamentos em até uma semana —contra um mês de um projeto convencional. São moldes personalizados que dispensam o uso de tijolos, betoneiras e pedreiros. O número de caçambas também diminui para menos de um terço daquele utilizado em um canteiro tradicional. 

“Desde o início da utilização do processo houve um aumento de produtividade de 300% nos canteiros de obra da MRV”, diz Flávio Vidal, gestor executivo de inovação da empresa.

Outra estratégia que ampliou a produtividade dos canteiros da MRV é o BIM (modelagem de informações da construção, na sigla em inglês). A tecnologia engloba projetos estruturais, arquitetônicos e de infraestrutura no formato 3D e integra orçamento, planejamento e execução da obra. Assim, todo o ciclo de vida de um empreendimento fica consolidado em uma única plataforma.

Segundo Vidal, a principal vantagem é a redução no número de pessoas necessárias para uma obra. Há 10 anos, era necessária uma equipe de 11 pessoas para construir um apartamento. Hoje, 4 profissionais dão conta.

A construtora Porte investiu em análise de dados, o Big Data, para melhorar sua produtividade. Uma plataforma usa as informações para definir, por exemplo, o melhor local do terreno para construir o empreendimento ou altura ideal para o prédio. Também é possível fazer a simulação de cenários e antecipar eventuais problemas na construção. O tempo de obra, segundo a empresa, chega a ser 10% menor.

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