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Passeio de balão mostra videiras, oliveiras e as mil vinícolas de Mendoza

Voo de 60 minutos a 12 quilômetros por hora leva até oito pessoas e custa R$ 680 por cabeça

Videiras da vinícola Sophenia, no Valle de Uco, em Mendoza; ao fundo, os Andes

Videiras da vinícola Sophenia, no Valle de Uco, em Mendoza; ao fundo, os Andes Roberto de Oliveira/Folhapress

Roberto de Oliveira
Mendoza

Um ventilador gigante enche de ar o balão. O ruído das hélices e, depois, o do maçarico que projetará línguas de fogo no seu interior são os únicos sons da aeronave que nos levará num passeio. Serão ao menos 30 minutos até que se revele a sua forma.

Quanto mais inflado, mais chama a atenção de quem cruza a estradinha principal de Junín, cidade dos arredores de Mendoza, capital da província argentina de mesmo nome.

A partir do momento em que ele ganha as alturas, o silêncio conduz a viagem, num sobrevoo de videiras, vinícolas e oliveiras, paisagem cuja moldura é uma ramificação da cordilheira dos Andes.

Estamos numa das dez maiores regiões produtoras de vinho do mundo, que atrai, sobretudo, brasileiros. O clima é agradável: faz sol quase o tempo todo, chove uns 20 dias por ano e, apesar do aquecimento global, ainda se vê neve nos cumes das montanhas. Ah, e fica a menos de quatro horas de voo direto partindo da capital paulista.

Quem ali está costuma priorizar a visita matinal às vinícolas, quando a luz do sol se reflete no chão e nas folhas das videiras, roteiro finalizado, geralmente, com uma “parillada”, almoço no melhor estilo argentino, acompanhado de degustação de vinhos locais.  

Esse é o roteiro mais usual em Mendoza.

Situado na porção oeste da Argentina, no sopé da cordilheira dos Andes, o lugar é o centro viticultor mais importante da América do Sul, onde as vinhas estão plantadas em altitudes elevadas, que variam de 600 metros a 1.200 metros acima do nível do mar.

Graças à combinação do clima seco com a excelente qualidade do solo é que castas de uva malbec, merlot, cabernet sauvignon, tempranillo e chardonnay põem seus vinhos no rol dos mais apreciados do planeta. A região tornou-se referência do enoturismo no Novo Mundo.

Há várias maneiras de explorar essa parada sem abrir mão de uma taça. Do alto, por exemplo, o que sobressai é a cadeia de montanhas.

Um domingo de céu azul e leve frio, sem chuva e com pouco vento, convida a uma viagem de balão. Oito passageiros são alojados nas laterais do cesto, e o piloto fica no centro. Lentamente, o globo —como dizem por lá— levanta voo até atingir 350 metros de altitude, mas ele pode facilmente  alcançar 600 metros.

Sobrevoa a região numa velocidade máxima de 12 km/h por 60 minutos. Até onde a vista alcança, há plantações de uvas e olivas, assim como casas de agricultores e “bodegas”, como ali são chamadas as vinícolas —calcula-se que existam ao menos mil delas na região de Mendoza, cerca de 150 abertas a turistas.

Os voos de balão ocorrem o ano todo, ao amanhecer e ao entardecer, quando os ventos costumam ser mais tranquilos, proporcionando deslocamentos mais estáveis, explica o guia Martín Garcia, 41, da Distintos, agência que monta roteiros personalizados. O voo custa a partir de US$ 170 (cerca de R$ 680) por passageiro. 

Decolagens e pousos ocorrem na cidade de Junín, a 50 km de Mendoza. Voos de balão não costumam ter movimentos bruscos. O plano é que tudo aconteça com calma.

O momento da aterrissagem, contudo, pode trazer surpresas. O piloto busca uma área livre. Para fazer o balão perder altitude, regula a temperatura com o maçarico. 

A depender das condições climáticas, é aqui que a brincadeira se torna mais emocionante. O piloto pede aos passageiros que não deixem as mãos na borda do cesto e diz como devem se posicionar para evitar ferimentos.

Uma equipe de apoio segue por terra o trajeto do balão. Ela também é mobilizada no momento exato do pouso.

Já em terra firme, piloto, assistentes e passageiros brindam com taças de espumante o sucesso da aventura enquanto assistem ao pôr do sol.

A equipe recolhe e dobra o balão, os passageiros são levados até os hotéis ou até um ponto de encontro estratégico no centro de Mendoza, o que, geralmente, fica a cargo das empresas de turismo e está incluído no preço.

Famosa por suas praças, a cidade guarda poucos vestígios do período colonial. Tem cerca de 115 mil habitantes (somada a vizinhas satélites, como Maipú e Luján de Cuyo, forma a “Grand Mendoza”, com pouco mais de 1,5 milhão). Suas ruas planas e bem arborizadas são cortadas por canais que recebem água proveniente do degelo da neve andina.

No centro, a praça Independencia, quatro quadras de jardins com uma alameda ladrilhada, é o eixo que a conecta ao Paseo Sarmiento, com bares, restaurantes e lojas, é claro, bodegas-butique.

A 15 quadras dali, no extremo oeste da avenida Emilio Civit, fica o parque San Martín, um dos principais projetos do arquiteto franco-argentino Carlos Thays (1849-1934). Seus portões de ferro filigranados, saídos da Escócia, guardam um condor e o brasão da província.

Inaugurado em 1896, o parque estende-se por 400 hectares de vegetação. É perfeito para caminhadas e pedaladas por 17 km de estradas e trilhas, tanto na mata quanto ao redor de lagos artificiais. Decoradas com 34 esculturas, alamedas arborizadas abrigam 300 espécies originárias de diferentes países. 

Vale encarar os 3 km de estrada espiral em direção ao Cerro de Gloria, do outro lado do parque, de onde se tem a vista de boa parte da região.

Roteiro é igual na maioria das propriedades, mas paisagem e sabor variam

Mendoza oferece um cenário ideal para provar vinhos: belezas naturais e temperatura agradável. A ocasião convida a reverenciar o deus Dionísio: em apenas uma visita a uma das vinícolas, é possível experimentar nove tipos de vinho, entre tintos, brancos e rosés.

O roteiro do enoturismo é o mesmo na maioria delas: o que muda é a paisagem e o sabor. Com hora marcada, chega-se em grupo. Enquanto a vista se perde a apreciar o campo, o guia conta a história da bodega, mostra o processo de produção e, em seguida, é oferecida a degustação, acompanhada de almoço.

Nessas horas, difícil é manter os olhos abertos. Dá uma preguiça danada!

Visitar duas vinícolas, em geral, é suficiente para saciar a curiosidade e o paladar. O tempo restante pode ser aproveitado em outras atividades.

No Valle de Uco, a cerca de 70 km de Mendoza, um dos destaques é a Finca Sophenia, em Tupungato.

Ali são produzidos vinhos cabernet sauvignon, merlot, malbec, syrah, chardonnay e sauvignon blanc, numa paisagem formada por campos de videiras plantadas aos pés do Cordón del Plata, uma sucessão de picos coroados de neve, ramificação da cordilheira dos Andes. É uma das regiões vitivinícolas mais altas do mundo, pode alcançar 1.200 m.

Adega da vinícola Club Tapiz, em Maipú, que também abriga restaurante e pousada
Adega da vinícola Club Tapiz, em Maipú, que também abriga restaurante e pousada - Roberto de Oliveira/Folhapress

Com clima ameno, grande amplitude térmica e solo pobre, pedregoso e bem drenado, o Valle de Uco caracteriza-se por sua capacidade de produzir uvas de qualidade superior, segundo os especialistas. O resultado são vinhos de bom tanino, cor e equilíbrio entre acidez e açúcar.

O degelo irriga os campos das vinícolas como a Sophenia , onde se consegue agendar visitas e degustações longe do burburinho.

Em Luján de Cuyo, terra do malbec, a vinícola-butique Tapiz oferece passeio de carruagem pelos vinhedos, enquanto os convidados ouvem a história da vinícola até que um grupo de lhamas rouba a atenção. Esses animais recebem os visitantes com cusparadas.

Na região enoturística chamada de Maipú, o mesmo grupo mantém o Club Tapiz, onde plantações de uva e oliva ocupam 35 hectares.

A porta de entrada é uma vila restaurada de 1890 que conta com pousada e restaurante. Uma boa pedida é harmonizar o menu, criado com ingredientes produzidos nas fazendas e na horta orgânica, com vinhos da própria vinícola.

Para quem se excedeu à mesa, há um jeito de não trazer os quilinhos a mais na bagagem: usar o tempo livre para praticar esportes radicais em meio aos rios da região ou para fazer caminhadas.

A trilha mais famosa é a que leva ao Teto das Américas, o Aconcágua, situado a quase 7.000 m de altitude.

Apreciá-lo a partir do parque Provincial Aconcágua, a 160 km de Mendoza, já é um privilégio. 


Pacotes

US$ 274 (R$ 1.091)

3 noites em Mendoza, na Abreu (abreutur.com.br)

Pacote válido até 20 de dezembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem aéreo

R$ 1.350

6 noites em Mendoza, na Submarino Viagens (submarinoviagens.com.br)

Saída em 20 de novembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui aéreo a partir de São Paulo

US$ 344 (R$ 1.370)

3 noite em Mendoza, na New Age Tour Operator (newage.tur.br)

Pacote válido até 20 de dezembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios, guia em espanhol, traslados e seguro viagem. Sem aéreo

US$ 380 (R$ 1.514)

3 noites em Mendoza, na Pisa Trekking (pisa.tur.br)

Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã (menos no primeiro dia). Inclui passeios, guias em espanhol, traslados e seguro viagem. Sem aéreo

R$ 1801

7 noites em Mendoza, na CVC (cvc.com.br)

Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Com aéreo a partir de São Paulo

R$ 1.944

3 noites em Mendoza, na Flot Viagens (flot.com.br)

Saída em 22 de outubro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios. Sem aéreo


US$ 922 (R$ 3.673)

3 noites em Mendoza, na Sem Fronteiras Viagens e Aventuras (semfronteiras.tur.br)

Saída em 8 de setembro. Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios, traslados e seguro viagem. Com aéreo a partir de São Paulo

US$ 1.204 (R$ 4.797)

3 noites em Mendoza, na Tereza Ferrari Viagens (terezaferrariviagens.com.br)

Hospedagem em quarto duplo, com café da manhã. Inclui passeios e traslados. Sem aéreo

O jornalista viajou a convite da Gol e do hotel InterContinental Mendoza

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