Mundo
16/04/2008 - 11h01

Análise: Elitismo afeta a política dos Estados Unidos

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MATHEW BIGG
da Reuters, em Atlanta

Em um país que ama se intitular a terra das oportunidades, os norte-americanos devem esperar que os seus candidatos presidenciais sejam mais ricos e mais educados que a média.

Mas eles não querem que falem mal dos eleitores. Isso foi o que pareceu fazer o pré-candidato democrata Barack Obama quando falou, na semana passada, sobre os norte-americanos em pequenas cidades que "se apegam ''a religião e às armas" como um escape para suas frustrações econômicas.

Candidatos que são vistos como tendo educação demais, dinheiro demais ou um passado aristocrata são responsabilizados por ser elitistas se eles fazem ou dizem qualquer coisa que pareça mostrar a falta de entendimento dos americanos comuns, dizem os comentaristas.

O candidato democrata em 2204, John Kerry, foi satirizado como elitista quando ele foi fotografado praticando widsurf.

O problema para os políticos parece ser menos o elitismo e mais a percepção dele e as associações negativas que o conceito tem nas raízes da cultura norte-americana.

"Isso volta ao rei George 3 e porque nós viemos para cá. Nós viemos para cá para fugir do elitismo e de todo o estilo e cultura da sociedade de classe do Reino Unido. Isso é a raiz de tudo", diz o historiador especialista em presidentes, Lee Edwards, para a Reuters.

"Mas se você olhar para o histórico, verá que nós estivemos confortáveis com presidentes que se parecem e falam como aristocratas", completa Edwards que diz ainda que os presidentes George W. Bush, seu pai e até Ronald Reagan poderiam ser descritos como membros da elite.

Obama

Obama foi rapidamente classificado como elitista por seus rivais, a democrata Hillary Clinton e o republicano John McCain, após ter dito a uma audiência em São Francisco que eleitores de pequenas cidades da Pensilvânia eram amargurados e apegavam-se à religião e às armas porque encaravam dificuldades econômicas.

De fato, Obama apareceu tentando ganhar estes eleitores durante uma recente viagem de ônibus no Estado, conversando sobre basquete com homens em bares de esporte. Sua campanha tentou reverter o problema desta semana usando uma retórica anti-Washington.

"Quando eu ouço meus oponentes, ambos senadores com décadas de Washington, dizendo que eu não conheço a realidade dos norte-americanos, é hora de cortar através de sua retórica e olhar para a realidade", disparou Obama em um evento, em Pittsburgh, na segunda-feira.

Autenticidade

Alguns poucos dizem acreditar que Obama será atingido pelos seus comentários do fim de semana entre os eleitores brancos que dominam o eleitorado da Pensilvânia, que fará sua primária democrata no dia 22.

Obama nunca foi favorito para ganhar no Estado. "Será muito difícil para ele ganhar na Pensilvânia com estes comentários. O problema fundamental é que ele tem dificuldades com os eleitores brancos porque eles não tem certeza sobre Obama", avalia Terry Madonna, professor de relações públicas no Colégio Franklin e Marshall na Pensilvânia

Os candidatos freqüentemente tentam entrar em contato com os eleitores através dos aspectos mais importantes de seu passado. Falar do que realmente importa para os eleitores, torna o candidato mais acessível e autêntico.

O democrata John Edwards, que desistiu da corrida em janeiro, fez campanha para combater a ganância corporativa e acabar com a pobreza. Ele lembrou repetidamente seu público que ele foi filho de um trabalhador de moinho.

Mas Edwards é também um advogado rico que foi satirizado no ano passado após ser revelado que ele pagou U$ 400 (R$ 669) em um corte de cabelo. Duas vezes.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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