Descrição de chapéu Festival Fartura

Reino vegetal chega empoderado e exibe toda sua versatilidade

Artistas da cozinha ampliam o número de receitas próprias para o público que não consome carnes

Marina Consiglio
São Paulo

Lançado em abril, o saboroso, suculento e aromático Futuro Burger pode até enganar carnívoros radicais. O motivo? O disco usado para rechear sanduíches se assemelha aos de carne bovina, mas é feito à base de vegetais —proteínas de ervilha, soja e grão-de-bico.

Batizada de Fazenda Futuro, a foodtech brasileira que desenvolveu a receita entrega produtos vegetarianos mirando o público carnívoro. 

Seja pela sustentabilidade, seja por questões de saúde ou ainda pelo bem-estar animal, os vegetais, antes encarados como acompanhamentos em receitas, vêm ganhando status de protagonistas. Isso poderá ser comprovado no Fartura, onde serão servidos 17 pratos vegetarianos.

Bombom de queijo da serra do Bálsamo e marmelada de Santa Luzia de Ian Baiocchi
Bombom de queijo da serra do Bálsamo e marmelada de Santa Luzia de Ian Baiocchi - Divulgação

“Essa coisa de comer carne todos os dias foi imposta”, diz Helena Rizzo, do paulistano Maní, conhecida pelo trabalho com pancs (plantas alimentícias não convencionais) e pelo esforço em explorar a biodiversidade brasileira.

A chef faz parte da programação do Festival Fartura no Espaço Conhecimento, em que apresenta o trabalho de formação do Lab.Maní e oferece uma degustação de sorvetes de frutas nativas.
Além do motivo mencionado por Rizzo, existe uma outra razão para empoderar os vegetais: suas vastas (e deliciosas) possibilidades, que vão bem além dos hambúrgueres.

A chef Gabriela Carvalho, do curitibano Quintana, também serve carne em seu restaurante para não “excluir ninguém”.

“Mesmo assim, busco oferecer pelo menos oito vezes mais opções do reino vegetal em nossos preparos, para mostrar como este é um universo rico e amplo”, conta.

Na aula “sobre o tempo: coisas velhas e boas”, que dará no domingo (4), às 17h, no Espaço Conhecimento, o chef Ian Baiocchi, do goiano Íz, fala da cozinha de sua avó. 

“Seu jeito purista de lidar com ingredientes como quiabo e chuchu, sem transformação, sem firula, fez com que eu me apaixonasse por esses produtos”, diz Ian. Além deles, o chef também destaca os ricos ingredientes do cerrado brasileiro, onde cresceu.

Sua apresentação acompanha uma degustação com bombom de queijo da Serra do Bálsamo e de marmelada de Santa Luzia, de uma comunidade tradicional em Goiás. 

Quem estiver lá também vai poder provar uma receita que mistura doce de chuchu, sorvete de baunilha do cerrado, cogumelo paris, espuma de leite e pó de ervas queimadas, com toque defumado.

Assim como acontece no cenário gastronômico, também na programação do Fartura pipocam exemplos de experimentação com vegetais.  

É o caso do chef Hiroya Takano, do restaurante japonês Shin Suzuran, em Manaus, que serve, ao lado de receitas nipônicas tradicionais, também uma série de preparos com pancs daquela região, como o caule de vitória-régia. 

Igualmente improvável é o tempura de urtiga, feito com a mesma folha que provoca irritação. Bem manuseada, ela se transforma em um petisco crocante, leve e saboroso —com cara de comida do futuro. 

Takano apresentará suas receitas na aula “biodiversidade brasileira e as plantas alimentícias não convencionais”, no domingo (4), às 13h, no Espaço Conhecimento.

Festival Fartura – Comidas do Brasil São Paulo
Sábado (3), das 12h às 22h, e domingo (4), das 12h às 20h, no Jockey Club São Paulo (av. Lineu de Paula Machado, 1.263, Cidade Jardim). R$ 25 (inteira) e R$ 12 (meia), no primeiro lote. Informações e venda de ingressos: farturabrasil.com.br/blog-festivais/fartura-sao-paulo ​

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