Escondidas há 9 anos, taças do Palmeiras devem ir para arena em 2020

Por impasse entre clube e WTorre, premiações estão guardadas em um depósito

Luciano Trindade
São Paulo

Embalados em caixas e guardados em um depósito longe dos olhares dos torcedores, os troféus do Palmeiras devem ganhar um novo espaço para exposição em 2020. O clube e a WTorre estão em fase final do esboço do projeto para um novo memorial no Allianz Parque.

O Palmeiras será o curador da galeria e o responsável pelo investimento para sua construção. O valor não foi informado. A empresa que administra o estádio vai ceder o espaço, além de fornecer a estrutura básica, como a parte elétrica, ar condicionado e internet, por exemplo.

Os termos do contrato comercial estão sendo discutidos, mas já está definido que a renda da bilheteria será do clube, que pagará à construtora pelo aluguel do ambiente.

De acordo com o diretor financeiro da WTorre, Luis Davantel, as obras devem iniciar no começo do próximo semestre. A operação do museu será do Palmeiras

"É a história do clube. No modelo que estamos estruturando, o clube vai ser o curador e operador", diz Davantel à Folha.

A conclusão ainda depende da definição de um cronograma. ​"Tem uma possibilidade de ser [entregue] no primeiro semestre. Mas isso depende muito mais do tempo de execução do que de qualquer outra coisa", acrescenta.

Na arena, existem pelo menos dois espaços que podem abrigar o projeto. Eles estão localizados no andar térreo do estádio, com acesso principal pela Rua Palestra Itália. O maior ambiente possui 1,2 mil m² e o menor, 1,1 mil m². Ambos são ligadas à parte superior da arena por escadas rolantes.

"A definição do local vai depender de como vai ser o modelo que o Palmeiras quer executar", explica o diretor da construtora.

Davantel conta que gostaria de ver na casa palmeirense um memorial semelhante ao do Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu

Até 2010, as taças do time alviverde eram expostas em um salão sob as arquibancadas do antigo Palestra Itália, demolido para a construção do Allianz Parque. Desde então, o acervo foi para um local não revelado pelo clube. 

O Palmeiras tem mais de 6.000 taças, incluindo conquistas por esportes amadores. Entre os principais títulos do futebol estão: 22 Paulistas, 3 Copas do Brasil, 10 Brasileiros (incluindo Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa), 1 Copa Mercosul, 1 Libertadores e a Copa Rio-1951, que o clube considera como título mundial. 

Construir uma galeria de conquistas estava entre as promessas de campanha de Maurício Galiotte, reeleito presidente do Palmeiras em novembro de 2018 para o seu segundo mandato, até 2021. 

Para tirar qualquer projeto do papel, no entanto, ele precisou aparar arestas com a WTorre, responsável pela construção do estádio. A relação entre o clube a empresa estava estremecida desde a gestão do ex-presidente alviverde Paulo Nobre, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016.

Ao longo de sua administração, Nobre travou várias discussões com a construtora, sobretudo pelo direito de propriedade da arena. Entre os principais pontos debatidos estava a localização das cadeiras cativas para os sócios que possuíam assentos no antigo Palestra Itália.

Antiga sala de troféus do Palmeiras no estádio Palestra Itália, demolido em 2010 para a construção do Allianz Parque
Antiga sala de troféus do Palmeiras no estádio Palestra Itália, demolido em 2010 para a construção do Allianz Parque - Robson Ventura-13.nov.10/Folhapress

Esses e outros itens do contrato de 30 anos assinados pelas partes ainda estão sendo debatidos na Câmara de Arbitragem e Conciliação da Fundação Getúlio Vargas. Os impasses inviabilizavam a execução de qualquer parceria, inclusive a construção de um memorial.

"As questões que estão na arbitral seguem. Elas têm uma dinâmica e vida própria. Mas, hoje, nós temos um alinhamento de interesses. Isso é fundamental. O Maurício [Galiotte] está muito empenhado em fazer uma relação muito boa entre Palmeiras e WTorre", afirmou Luis Davantel.

Pessoas próximas à diretoria do Palmeiras, ouvidas pela reportagem, confirmam que Galiotte já teve dezenas de encontros com diretores da construtura e restabeleceu o diálogo entre as partes.

Citam como exemplo, inclusive, a presença de dirigentes da empresa na festa pelo aniversário de 105 anos do clube, realizada no último dia 26 agosto, a convite do mandatário alviverde.

O próprio Palmeiras passou a reconhecer que é sua a responsabilidade de construir um memorial.

"As tratativas sobre o memorial seguem acontecendo e estão avançando satisfatoriamente. O projeto deverá ser desenvolvido e implementado pela Sociedade Esportiva Palmeiras.", informou o clube em nota.

Uma parcela dos conselheiros do clube defendia que o financiamento do projeto caberia à WTorre e que estaria previsto no contrato de construção da arena. A reportagem teve acesso ao documento, no qual não consta esta obrigação especificamente. O acordo diz que a empresa teria de construir um estádio com padrão Fifa. 

A empresa afirma que ter um espaço destinado a expor as conquistas do clube sempre foi de seu interesse. Inclusive por ser uma nova fonte de receita.

"Quando a gente visita projetos simulares no mundo inteiro, a gente vê que um museu é uma peça importante nas arenas porque ele conta a história do clube que elas abrigam", diz Davantel.

O ex-presidente Paulo Nobre não foi localizado para comentar o assunto. 

Espaço no Allianz Parque reservado para a construção do memorial do Palmeiras
Espaço no Allianz Parque reservado para a construção do memorial do Palmeiras - Divulgação

Museus sobre futebol em São Paulo

Corinthians

Onde: Parque São Jorge. 

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 17h, e sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h, incluindo dias de jogos.

Valores: a entrada custa R$ 10 inteira, R$ 5 a meia para estudantes, aposentados e pessoas acima de 65 anos. Sócios adimplentes não pagam.

Endereço: Rua São Jorge, 777, Tatuapé.

Santos

Onde: estádio Vila Belmiro.

Horário de funcionamento: de terça a domingo e feriados, das 9h às 18h, sujeito a alterações em dias de jogos. A programação consta no site do clube.

Valores: visita monitorada custa R$ 40 (R$ 20 a meia para estudantes, aposentados e pessoas acima de 65 anos). A entrada simples custa R$ 20 (R$ 10 a meia).

Endereço: Rua Princesa Isabel, S/N, Vila Belmiro, Santos.

São Paulo

Onde: estádio Morumbi.

Horário de funcionamento: segunda a sexta, 10h, 12h, 14h e 16h. Sábado, domingo e feriados, 10h, 11h, 12h, 13h, 14h, 15h e 16h.

Valores: o ingresso custa R$ 50 (R$ 25 a meia para estudantes, aposentados e pessoas acima de 65 anos). Sócios torcedores pagam R$ 40.

Endereço: Praça Roberto Gomes Pedrosa, S/N, Morumbi.

Museu do Futebol

Onde: estádio Pacaembu.

Horário de funcionamento:  terça a domingo: 9h às 17h (visitação até as 18h).

Valores: a entrada custa R$ 15. Estudantes, aposentados e idosos acima de 60 anos pagam meia (R$ 7,50). Profissionais de educação das redes federais, estaduais e municipais não pagam. Pessoas com deficiência têm direito à gratuidade, com um acompanhante. As terças, a entrada é gratuita para todos.

Endereço: Praça Charles Miller, Pacaembu.

Museu do Pelé

Onde: Casarão do Valongo

Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 17h (visitação até as 18h).

Valores: o ingresso custa R$ 10 (R$ 5 a meia para estudantes, pessoas com deficiência e acompanhante, professores da rede pública de ensino e pessoas com mais de 60 anos). Gratuito para crianças de até 10 anos e estudantes do Ensino Fundamental e Médio da rede pública. Aos domingos, a entrada é R$ 5 para todos.

Endereço: Largo Marquês de Monte Alegre nº 1 – Valongo, Santos.

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