Annie Haslam volta ao Brasil com sua voz envolvente em turnê do Renaissance

Banda de rock progressivo se apresenta em três capitais ao lado da também britânica Curved Air

São Paulo

Fãs paulistanos de rock progressivo devem marcar o dia 19 de março na agenda. Duas das bandas britânicas mais populares e longevas do gênero se apresentam no Espaço das Américas: Renaissance e Curved Air. Como ponto em comum, duas cantoras excepcionais.

Annie Haslam, 72, entrou para o Renaissance em 1972, depois de a banda ter lançado dois álbuns sem muita repercussão. A voz dela foi a melhor mensageira possível para as canções escritas pelo guitarrista Michael Dunford e por Betty Thatcher, letrista que era praticamente integrante do grupo.

Sonja Kristina, 70, é a única presença constante em todas as inúmeras formações do Curved Air. Entre os fãs de rock mainstream, a banda é lembrada pela passagem de Stewart Copeland, que depois seria baterista do Police. Ele foi casado com Sonja por 16 anos.

Embora cultuado na cena progressiva, o Curved Air extrapolou os limites do gênero bem cedo, quando “Back Street Luv”, do segundo álbum do grupo, se transformou em um dos hits de 1972.

Os shows no Brasil prometem ter dois sets completos, um de cada banda, e no final o público deve presenciar Haslam e Kristina dividindo o palco, num repertório surpresa.

O Curved Air vem pela primeira vez ao Brasil. O Renaissance retorna depois de uma turnê de ingressos esgotados em 2017. Mas tocar em palcos brasileiros é coisa antiga para Annie Haslam. Ela já veio ao país cinco vezes, entre shows do Renaissance e de sua carreira solo. Ela lançou em 1998 o álbum “Live Under Brazilian Skies”, gravado em apresentações no ano anterior, no Rio de Janeiro e em Petrópolis.

“É um disco muito especial para mim”, diz Haslam. “Sempre fui recebida no Brasil com muito carinho, toquei com músicos incríveis.” 

 

No álbum “Grandine il Vento” (2013), o mais recente disco de estúdio do Renaissance, Haslam gravou a faixa “Waterfall”, sobre as florestas brasileiras.

O repertório do Renaissance pode ser dividido em canções mais curtas, de três ou quatro minutos, de pegada mais pop, e em músicas longas, essas próximas das peças ambiciosas do rock progressivo.

“Vamos fazer as favoritas, claro”, diz a cantora sobre o repertório no Brasil. Podem ser encaixadas entre essas “favoritas” inúmeros hits da banda. “Carpet of the Sun”, “Mother Russia”, “Northern Lights” e “Day of the Dreamer” são algumas escolhas óbvias.

“Muitas bandas viajam com duas ou três músicas conhecidas no repertório. Fomos abençoados por ter tantas que os fãs elegeram como clássicos.”

Ela acha graça diante da pergunta sobre como cantar durante décadas as mesmas canções sem ficar cansada delas.

“Eu amo essas canções! Na verdade, trocamos muito o repertório de cada turnê, vamos buscar coisas não tão conhecidas. As que apresentamos sempre são aquelas que os fãs ficariam desapontados se não tocássemos, como ‘Carpet of the Sun’ e ‘Ashes Are Burning’, claro.”

As excepcionais harmonias vocais do Renaissance são puxadas pela voz envolvente de Haslam. “Quando eu entrei para a banda, minha voz era parecida com a de Joan Baez, porque eu ouvia muito os discos dela. Eu estudei muito, com professores, para que minha voz se tornasse realmente minha, única.”

Ela teve grande participação nos arranjos do Renaissance. E ouvir sua performance, aos 72 anos, impressiona. “Minha voz é muito poderosa ainda. Claro que ficar longe de bebidas e drogas ajudou, mas desde o início fui educada para ser cantora de ópera. Então, cantar corretamente desde cedo foi importante para que eu ainda tenha uma voz interessante e boa para vários tipos de canções. Muitos cantores não preservam suas vozes.”

Ela admite não acompanhar o rock progressivo. Ela chega a refutar a inclusão do Renaissance no gênero. “Creio que fazemos um pop sinfônico. Eu não curto muito o progressivo. Gosto de pouca coisa. Gosto do Yes, do Asia, das bandas de John Wetton, que foi um grande amigo”, diz, referindo-se ao cantor e baixista inglês morto em 2017, que integrou bandas como King Crimson, Asia e o próprio Renaissance, no início do grupo.

“Acho o rock progressivo um ambiente muito dominado pelos homens”, diz Haslam, rindo. Ela e Sonja Kristina irão mostrar como são exceções nessa cena em três shows no Brasil. Depois de São Paulo, as bandas se apresentam no Vivo Rio, em 21 de março, e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 22.

Renaissance & Curved Air

  • Quando Dia 19/3, às 21h; Dia 21/3, às 21h; Dia 22/3, às 19h
  • Onde Espaço das Américas, r. Tagipuru, 795, São Paulo; Vivo Rio, av. Infante Dom Henrique, 85, Rio de Janeiro; Palácio das Artes, av. Afonso Pena, 1.537, Belo Horizonte
  • Preço R$ 140 a R$ 360; R$ 280 a R$ 400; R$ 250 a R$ 300

Raio-X de Annie Haslam

 

Nascida em Bolton, na Inglaterra, em 8 de junho de 1947
Mora na Pensilvânia, nos Estados Unidos
Gravou 13 álbuns de estúdio com o Renaissance, além de dez discos solo
É cantora, compositora e também pintora
Suas pinturas estão na capa dos álbuns ‘One Enchanted Evening’, ‘Woman Transcending’ e ‘Grandine il Vento'

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