Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro deve participar de conferência conhecida como 'Davos no deserto'

Iniciativa para Investimentos Futuros será na Arábia Saudita; presidente poderá ser convidado de honra

Ricardo Della Coletta Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro deve participar, na Arábia Saudita, de uma conferência internacional de investidores conhecida como "Davos no deserto".

A Iniciativa para Investimentos Futuros (Future Investment Initiative, em inglês) é organizada desde 2017 por um fundo soberano do país árabe. 

Segundo assessores do presidente, Bolsonaro deve realizar um dos principais discursos do evento, aproveitando sua visita oficial à Arábia Saudita prevista para o final de outubro. 

De acordo com auxiliares do mandatário, a previsão é que Bolsonaro seja um dos convidados de honra. Outro chefe de governo cuja participação é esperada é o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Realizada em Riad, a Iniciativa para Investimentos Futuros está agendada para ocorrer neste ano entre os dias 29 e 31 de outubro.

Na Arábia Saudita, o presidente também deve se encontrar com representantes dos fundos soberanos da região e com o próprio príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman.   

O príncipe saudita disse que foram fechados acordos, durante a conferência no ano passado, que somaram US$ 50 bilhões (R$ 199, 6 bilhões). 

A passagem de Bolsonaro pelo país árabe faz parte de um extenso roteiro de viagens que está sendo preparado para o final de outubro. Além da Arábia Saudita, estão no roteiro Japão, China, Emirados Árabes Unidos e Qatar.

Na edição do ano passado, também realizada em outubro, a reunião "Davos no deserto" sofreu um forte boicote internacional em razão do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Diversos palestrantes e parceiros do evento cancelaram sua participação de última hora, logo após a morte na Turquia do jornalista.

Crítico do regime da Arábia Saudita, Khashoggi morreu dentro do consulado daquele país em Istambul e desde o primeiro momento o príncipe herdeiro foi apontado como possível responsável pelo crime. 

O boicote à conferência foi um das primeiras ações internacionais no sentido de isolar o membro da família real da Arábia Saudita.  

A lista de personalidades que desistiram de comparecer em 2018 incluiu Christine Lagarde (diretora-gerente do FMI), Jim Yong Kim (então presidente do Banco Mundial), Steven Mnuchin (secretário do Tesouro dos EUA) e Liam Fox (então ministro de Comércio do Reino Unido).   

Em junho deste ano, a relatoria especial das Nações Unidas para execuções extrajudiciais, Agnes Callamard, apontou evidências de que o príncipe herdeiro saudita foi um dos responsáveis pelo assassinato de Khashoggi. 

Integrantes do governo que acompanham os preparativos da ida de Bolsonaro aos países árabes avaliam que “dificilmente” um boicote da mesma magnitude ocorrerá neste ano. 

Em 2018, lembram, o fórum de investimentos ocorreu apenas dias depois do desaparecimento do jornalista na Turquia. 

Um auxiliar do presidente argumenta ainda que o príncipe saudita tem pouco a pouco rompido o isolamento internacional. Ele cita como exemplo a cúpula do G20 em Osaka, no Japão, em que Mohammad bin Salman apareceu com destaque na foto oficial (ao contrário da edição anterior, na Argentina).  

Além do mais, eles destacam as altas cifras envolvidas na conferência e as oportunidades que elas podem trazer ao Brasil. 

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