Descrição de chapéu Governo Trump Venezuela

Trump ordena congelamento total de ativos do regime Maduro

Trata-se da primeira medida do tipo imposta pelos EUA em mais de 30 anos no Hemisfério Ocidental

Washington | Reuters e AFP

O presidente Donald Trump assinou nesta segunda-feira (5) uma ordem executiva que congela todos os bens do regime do ditador Nicolás Maduro nos EUA, em uma escalada da pressão sobre Caracas. Equivalente a uma medida provisória brasileira, a ação é anunciada na véspera de cúpula do Grupo de Lima sobre a Venezuela.

"Todas as propriedades e interesses em propriedades do governo da Venezuela que estejam nos EUA estão bloqueados e não podem ser transferidos, pagos, exportados, retirados ou de alguma maneira usados", afirma o texto.

De acordo com o Wall Street Journal  —o primeiro a noticiar a ordem executiva—, trata-se da primeira medida do tipo imposta pelos EUA em mais de 30 anos no Hemisfério Ocidental.

Ainda segundo o jornal, a medida coloca o país sul-americano no mesmo patamar de nações como Coreia do Norte e Irã em termos de imposição de sanções. 

O ditador Nicolás Maduro faz discurso durante aniversário da Guarda Nacional, em Caracas
O ditador Nicolás Maduro faz discurso durante aniversário da Guarda Nacional, em Caracas - Palácio de Miraflores - 4.ago.19/Reuters

Em carta enviada à presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, o presidente americano afirma que "é necessário bloquear as propriedades do governo da Venezuela devido à continuação da usurpação do poder pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro, bem como dos abusos de direitos humanos do regime, das prisões arbitrárias e detenções de cidadãos venezuelanos, das restrições à liberdade de imprensa e das tentativas de minar o presidente interino Juan Guaidó e a Assembleia Nacional democraticamente eleita". 

O texto da ordem vetaria ainda a outorga ou a recepção de "qualquer contribuição ou provisão de fundos, bens ou serviços por ou para o benefício de qualquer pessoa cujas propriedades e interesses estejam bloqueadas".

O escopo do anúncio surpreendeu mesmo alguns aliados do governo Trump. "Isso é grande", afirmou Ana Quintana, analista da Heritage Foundation, think tank conservador baseado em Washington.

Quintana afirmou que a ordem parece impor um embargo sobre negócios com a Venezuela, mas que faltam detalhes para bater o martelo. Uma fonte do governo americano ouvida pelo Wall Street Journal afirmou que os EUA se aproximam de impor um embargo total à Venezuela. 

O Ministério da Informação da Venezuela não comentou o anúncio. China e Rússia continuam sendo a principal fonte de apoio internacional ao regime Maduro; internamente, o ditador conta com as Forças Armadas. 

Em uma rede social, Guaidó afirmou que a ação busca "proteger os venezuelanos". 

"Essa ação é a consequência da soberba de uma usurpação inviável e indolente. Aqueles que a sustentam, se beneficiando da fome e da dor dos venezuelanos, devem saber que há consequências."​

Em anúncio que deve ocorrer na terça, os EUA devem ameaçar impor sanções sobre qualquer companhia ou indivíduo, estrangeiro ou americano, que faça negócios ou ofereça apoio a qualquer pessoa afiliada ao governo Maduro. 

As remessas feitas por venezuelanos a seus familiares serão protegidas, bem como envios de comida, remédios e roupas.

O governo Trump tem aumentado a pressão com o objetivo de retirar Maduro do poder. Desde o acirramento da crise política venezuelana neste ano, os EUA já impuseram sanções a mais de cem indivíduos e entidades da Venezuela, incluindo a estatal petroleira Pdvsa. 

Na reunião desta terça, em Lima, estarão presentes o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, e o conselheiro de segurança nacional, John Bolton. 

Também participarão o Brasil, a União Europeia e representantes de cerca de 60 países. O governo brasileiro estará representado pelo chanceler Ernesto Araújo, cuja agenda nesta segunda previa encontro privado com Bolton. Pequim e Moscou se recusaram a participar do encontro.

As ações americanas parecem estar sob discussão há algum tempo. Na semana passada, Trump respondeu com um "sim, estou" ao questionamento de um repórter sobre se estaria considerando um bloqueio ou um embargo à Venezuela. 

Mais cedo nesta segunda, Bolton disse que anunciará em Lima "grandes passos" para avançar em direção a uma "transição de poder de Maduro a Juan Guaidó", o líder opositor que se declarou presidente interino e foi reconhecido como tal por cerca de 50 países, entre eles o Brasil. 

"Mostraremos a dedicação que os EUA têm", afirmou Bolton. 

O conselheiro se mostrou cético sobre o diálogo entre o governo e a oposição, que se realiza em Barbados sob mediação da Noruega, e disse que seria um erro realizar eleições com Maduro no poder.

"Estamos em um ponto em que precisamos ver menos conversas e mais ações", afirmou Bolton. 

Com Washington Post

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