Venezuela alerta cidadãos contra viagens aos EUA e culpa 'elite supremacista em Washington' por ataques

Uruguai também emite recomendação; ambos foram alvos de alertas do tipo por parte do governo americano

Caracas | Reuters e AFP

O governo do ditador Nicolás Maduro sugeriu nesta segunda-feira (5) a seus cidadãos que adiem suas viagens aos EUA devido aos ataques que deixaram 31 mortos no país em um intervalo de 13 horas durante o fim de semana.

A Venezuela é um dos países mais violentos na América Latina, enfrenta uma grave crise econômica, política e humanitária e já foi alvo de diversos alertas do tipo por parte do governo americano.

Em nota, o Ministério de Relações Exteriores "sugere às cidadãs e aos cidadãos venezuelanos que tenham previsto viajar ao EUA que posterguem suas viagens ou extremem suas precauções durante as mesmas [sic, as viagens] diante da proliferação de atos de violência e crimes de ódio indiscriminado" como os ocorridos em El Paso, no Texas, e Dayton, em Ohio. 

Ao menos seis mexicanos estão entre os 22 mortos no ataque a um supermercado Walmart de El Paso.

"Esses crescentes atos de violência encontraram eco e sustentação nos discursos e ações impregnadas de discriminação racial e ódio contra as populações migrantes, pronunciados e executados pela elite supremacista que detenha o poder político em Washington", afirma ainda a nota. 

"É importante ressaltar que os venezuelanos correm risco especial, "após terem sido declarados como ameaça extraordinária à segurança nacional dos EUA desde 2015".

O texto pede ainda que as cidade de Cleveland, Detroit, Baltimore, Oakland, Atlanta e outras sejam evitadas, por serem "as mais perigosas do mundo", citando a revista Forbes.

Segundo informe da ONU publicado em junho do ano passado, a Venezuela registra uma taxa de 56,8 homicídios a cada 100 mil habitantes, colocando-se como o mais violento da América do Sul.

Devido ao agravamento da crise, mais de 4 milhões de venezuelanos já deixaram o país, segundo o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

O Uruguai também emitiu um alerta contra viagens de seus cidadãos aos EUA.

Em comunicado, a chancelaria uruguaia recomenda que se evitem cidades como Detroit, Baltimore e Alburquerque e cita um ranking da revista CEOWORLD para dizer que elas estão entre as 20 mais perigosas do mundo. 

O texto recomenda que viajantes adotem precauções "diante da crescente violência indiscriminada, principalmente por crimes de ódio, incluindo racismo e discriminação, que já custaram a vida de mais de 250 pessoas nos primeiros sete meses do ano".

No último dia 2 de agosto, o Departamento de Estado emitiu seu próprio alerta contra viagens ao Uruguai devido a um aumento de crimes violentos como homicídios, assaltos à mão armada e sequestros-relâmpago.

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