Descrição de chapéu Governo Trump

EUA devem condenar racismo, intolerância e supremacia branca, diz Trump

Republicano faz pronunciamento após atentados matarem 31 em intervalo de 13 horas no país

El Paso (Texas) | Reuters

​O presidente Donald Trump disse nesta segunda (5), em um pronunciamento na Casa Branca, que não há lugar nos Estados Unidos para "ódio, intolerância e supremacia branca". Trump falou após dois massacres no fim de semana terem deixado 31 mortos em Ohio e Texas em um intervalo de 13 horas.

O pronunciamento ocorre em meio a acusações de pré-candidatos democratas à Presidência, que responsabilizaram o republicano pelos atentados —ele incentivaria o medo dos americanos em relação a imigrantes e incitaria a violência, além de fazer frequentes comentários racistas.

Trump não respondeu às críticas e culpou a "cultura da violência" dos videogames e da internet, bem como a saúde mental dos assassinos pelas chacinas.

"Distúrbios mentais e ódio puxam o gatilho, não a arma."

Mais tarde, o prefeito de El Paso, Dee Margo, anunciou que Trump visitará a cidade na quarta-feira (7).

Donald Trump fala sobre os massacres no Texas e Ohio na Casa Branca - Leah Millis/Reuters

No sábado (3), 22 pessoas foram mortas e outras 24 ficaram feridas na cidade de maioria hispânica El Paso, que faz fronteira com o México. Duas das vítimas morreram na manhã desta segunda-feira (5) no hospital, ao não resistirem aos ferimentos. 

Na madrugada de domingo (4), nove pessoas foram mortas e mais 27 feridas em um segundo atentado, em Dayton, no estado de Ohio.

O republicano afirmou que é hora de "jogar luz nos rincões escuros da internet", sites que possibilitam o tráfico ilegal de pessoas e a distribuição de drogas.

Em seguida, pediu a companhias de internet e de mídias sociais que, em conjunto com o Departamento de Justiça, tomem medidas para identificar sinais de alerta emitidos por potenciais atiradores. 

Ele disse ainda que é preciso "condenar a glorificação da violência na nossa sociedade", incluindo jogos de videogame, que nas suas palavras ajudam a radicalizar as pessoas. "A mudança cultural é difícil", completou. 

Segundo ele, democratas e republicanos precisam deixar de lado suas "diferenças destrutivas" e devem se se unir contra os "monstros mentalmente doentes" responsáveis pelos atentados com armas no país. 

Pediu também uma reforma nas leis relativas à saúde mental e afirmou que quem aparenta ser um risco à sociedade não deve ter acesso a armas de fogo. Ele pediu a aplicação da pena de morte para autores de chacinas e de crimes de ódio.

O republicano enviou condolências ao presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pelos sete mexicanos mortos no atentado em El Paso. 

Ele lembrou os vinte anos do massacre de Columbine, que vitimou 13 pessoas e afirmou que o número de ataques com armas só cresceu desde então. 

Disse ainda que está junto com às famílias das vítimas dos crimes neste momento de luto e que as crianças têm o direito de crescer em um país pacífico. "Não há espaço para ódio neste país. O ódio distorce a mente, destrói o coração e devora a alma."

Por outro lado, durante o pronunciamento, Trump não demonstrou apoio a medidas de controle de armas que estão em discussão no Senado. Mais cedo, ele havia dito em uma rede social que quer reforçar a verificação de antecedentes de potenciais compradores de armas e pediu que republicanos e democratas atuassem juntos nesta medida.

Reagindo à fala de Trump, a presidente da Câmara dos Deputados, a democrata Nancy Pelosi, lembrou que a casa passou recentemente um projeto bipartidário de checagem de antecedentes, mas que o Senado, de maioria republicana, ainda não havia votado na proposta.

Em fevereiro, a Câmara aprovou um projeto de lei que pretende estender em pelo menos dez dias o tempo que comerciantes de armas devem esperar pela resposta da checagem de antecedentes antes que possam prosseguir com a venda. Atualmente, esse prazo é de três dias.

Também foi aprovado pela mesma casa outro projeto que proíbe a transferência de armas de fogo de uma pessoa para outra sem que um comerciante, um fabricante ou um importador cheque os antecedentes de quem recebe. 

Patrick Crusius, 21, suspeito de ter matado 22 pessoas em um ataque a tiros numa loja do supermercado Walmart de El Paso, no Texas, no sábado (3), recebeu uma única acusação de assassinato no domingo (4).

A acusação é provavelmente uma estratégia legal para manter Crusius sob custódia até que mais acusações possam ser feitas contra ele por cada um dos mortos e feridos.

Um promotor disse que vai buscar a aplicação da pena de morte contra ele, caso seja considerado culpado. As autoridades federais tratam o massacre de El Paso como caso de terrorismo doméstico.

Segundo o governador do estado, Greg Abbott, o ataque na cidade, que faz fronteira com o México, aparentava ser um crime de ódio, motivado por questões raciais. O atirador teria postado um manifesto no site 8chan antes de fazer os disparos.

Mais cedo na segunda, Trump havia dito em uma rede social que quer reforçar a verificação de antecedentes de potenciais compradores de armas, e pediu que republicanos e democratas atuem juntos nesta medida.

As checagens seriam "casadas" com reformas das leis de imigração. "Precisamos que algo bom, se não ÓTIMO (sic), saia destes dois eventos trágicos", escreveu. Ele ainda não divulgou mais detalhes.

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