Com humor, Nova Zelândia alerta pais sobre acesso de crianças a pornografia online

Campanha do governo também aborda bullying, perfis falsos e conteúdos inapropriados

Bauru

Um casal, nu, bate na porta de uma casa e pergunta pelo filho pré-adolescente da moradora.

"Estamos aqui porque seu filho acabou de nos procurar para nos ver online", diz a visitante, usando nada além de um colar.

"Normalmente, nos apresentamos para adultos, mas seu filho é apenas uma criança. Ele pode não saber como os relacionamentos realmente funcionam", diz a mulher depois de explicar como o garoto usou o computador, o tablet, o videogame e até o celular da própria mãe para acessar pornografia.

"[Nos vídeos] nós nem sequer falamos sobre consentimento, vamos direto ao ponto."

Campanha da Nova Zelândia alerta pais sobre segurança de crianças na internet
Campanha da Nova Zelândia alerta pais sobre segurança de crianças na internet - Reprodução/YouTube

A mãe respira fundo, reflete por alguns segundos e propõe ao filho uma conversa franca sobre as diferenças entre o que ele vê na internet e os relacionamentos na vida real.

A cena faz parte de uma campanha do governo da Nova Zelândia para ajudar os pais a lidarem com os perigos aos quais as crianças estão expostas na internet.

Além do vídeo sobre pornografia, visto mais de 2 milhões de vezes no YouTube, a campanha "Keep It Real Online" também produziu peças sobre bullying, perfis falsos e conteúdos inapropriados para crianças.

"Existem muitos benefícios para crianças e jovens na internet, mas eles também podem ser alvos de crime e exploração", afirma o texto no site da campanha.

"É importante educar as crianças e ajudá-las a desenvolver habilidades de segurança online para que possam navegar na internet de maneira segura, feliz e saudável."

Na campanha que aborda o bullying, uma menina conta ao pai de uma colega que a filha dele tem feito vídeos e grupos na internet para zombar dela depois de começar a chamá-la de "perdedora" na escola.

O pai, então, decide falar com a filha sobre como suas ações online podem ter impacto na vida real. A campanha diz que uma em cada cinco crianças neozelandesas é vítima de bullying na internet.

Em outro vídeo, quem bate à porta de uma família é um homem de meia-idade que usa perfis falsos em redes sociais para conversar com adolescentes. Ele diz ter 13 anos e ser amigo virtual da menina que mora na casa.

A mãe decide conversar com a filha sobre os cuidados que ela precisa tomar ao conversar com estranhos na internet e avisa que vai chamar a polícia.

Segundo a campanha, 40% dos jovens da Nova Zelândia interagem com pessoas que nunca conheceram na vida real.

O controle dos pais e a classificação etária dos conteúdos online são tema de outro vídeo. Nele, uma garotinha assiste a um desenho animado com coelhos.

Depois, clica em um conteúdo relacionado que a redireciona para um vídeo em que caçadores atiram em coelhos. Enquanto isso, a cena é reproduzida no quintal da família.

Os pais então consolam a filha e alteram as configurações no tablet para selecionar a que tipo de conteúdos ela pode ter acesso.

"Crianças podem ir de lugares seguros a lugares assustadores em apenas alguns cliques", diz a campanha.

Em seu site, a campanha da Nova Zelândia traz informações e dicas de segurança para os pais. Conversar com as crianças, controlar o tempo de tela e conhecer protocolos de privacidade na internet são algumas delas.

Além disso, o site também ensina os pais a configurarem dispositivos para aumentar a segurança dos filhos e apresenta canais para denunciar conteúdos impróprios e outros tipos de ameaça.

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