Descrição de chapéu talibã Ásia terrorismo

Estado Islâmico afegão pode estar apto a atacar EUA em até 6 meses, diz Pentágono

A comitê do Senado, subsecretário de Defesa para Política afirma que grupo pretende realizar ações contra Washington

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Washington | Reuters

A inteligência americana avalia que o braço do Estado Islâmico no Afeganistão pode ter a capacidade de realizar um ataque aos Estados Unidos em seis meses, sendo essa a sua intenção, afirmou uma autoridade do Pentágono ao Congresso nesta terça-feira (26).

Ambulância leva vítimas de ataque a bomba contra mesquita em Kunduz, no Afeganistão
Ambulância leva vítimas de ataque a bomba contra mesquita em Kunduz, no Afeganistão - 8.out.21/AFP

As declarações de Colin Kahl, subsecretário de Defesa para Política, são o mais recente lembrete de que o Afeganistão pode gerar sérias preocupações à segurança nacional americana, mesmo após o fim de uma guerra que durou duas décadas.

O Talibã, que retomou o poder do país há dois meses, é inimigo do Estado Islâmico Khorasan (EI-K), filial afegã do grupo terrorista, e tem enfrentado ataques reivindicados pela organização desde a retirada americana no fim de agosto.

Além do atentado ao aeroporto de Cabul em meio à retirada dos militares dos EUA —que matou mais de 170 afegãos e 13 militares americanos—, houve ações visando a minoria xiita, como contra mesquitas em Kandahar, onde ao menos 35 morreram, e em Kunduz, com 55 mortos. Houve ainda a decapitação de um talibã em Jalalabad, entre outros ataques.

Em depoimento ao Comitê dos Serviços Armados do Senado, Kahl disse que ainda não está claro se o Talibã tem a habilidade necessária para efetivamente combater o Estado Islâmico após a saída americana —os EUA lutaram tanto contra o Talibã quanto contra grupos como EI e Al Qaeda.

"A nossa avaliação é que o Talibã e o EI-K são inimigos mortais. Então o Talibã está altamente motivado a combater o EI-K. Sua habilidade em fazê-lo, acredito, ainda será definida." Khal estima que o EI tenha cerca de mil combatentes.

O chanceler talibã, Amir Khan Muttaqi, disse que a ameaça do Estado Islâmico está no radar do grupo e que Cabul não será base para ataques a outras nações. Os atentados, no entanto, têm exposto as incertezas acerca da segurança do país e colocado em xeque as declarações do grupo fundamentalista islâmico, que alega ter trazido paz ao Afeganistão após quatro décadas de conflitos.

Já sobre a Al Qaeda, o subsecretário de Defesa americano sugeriu que o grupo impõe um problema mais complexo, devido às suas ligações com o Talibã. Foram essas relações que motivaram a invasão americana ao Afeganistão em 2001, após o ataque do 11 de Setembro em Nova York, reivindicados pelo grupo terrorista, pois o grupo fundamentalista islâmico abrigava líderes da organização.

Segundo avaliação de Kahl, pode levar um ou dois anos para a Al Qaeda regenerar sua capacidade de realizar ataques fora do Afeganistão contra os EUA.

O presidente americano, Joe Biden, que teve seu índice de aprovação impactado pela retirada caótica de militares e civis do país da Ásia Central, assegurou que os EUA irão continuar vigilantes contra ameaças vindas do Afeganistão, realizando operações locais de inteligência que possam identificar possíveis ações desses grupos terroristas.

Kahl acrescentou nesta terça que o objetivo é desfazer esses grupos para que EI e Al Qaeda não se tornem capazes de atacar os EUA. Ainda assim, autoridades americanas reservadamente alertaram que identificar e desagregar essas organizações é extremamente difícil sem tropas no Afeganistão.

Enquanto drones capazes de investir contra alvos desses dois grupos partem do Golfo, o subsecretário esclareceu que ainda não há acordos com países vizinhos para abrigar tropas para esforços antiterrorismo.

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