'Presidente é especialista em apagar fogo com gasolina', diz leitor

Bolsonaro tenta pôr fim a atritos entre militares e ala ideológica do governo

Militares X Olavo

Surpreende o presidente, assessorado por uma equipe de militares, tida como competente e por ele constituída, deixar-se influenciar pela cartilha de controversas convicções de um guru (“Bolsonaro tenta encerrar crise com militares, mas defende o pivô Olavo”). Há de ter maturidade suficiente para discernir entre o que convém para a família Bolsonaro, o que clama a sociedade e as necessidades prioritárias do país.

Ari Cosme Francois (Ribeirão Preto, SP)

Olavo de Carvalho é uma figura com péssima qualidade intelectual e nenhum feito acadêmico. Espero que a história lhe reserve o lugar que merece: o esquecimento.

Felipe Araújo Braga (Caieiras, SP)

Eduardo Villas Bôas comparou Olavo de Carvalho a Leon Trótski numa justaposição improvisada e contestável (“Militares reagem e dão recado a Bolsonaro em crise com ala ideológica”). Mas há vários figurões da direita que ele podia ter usado com mais propriedade. Ainda assim, já que falou em Rússia, o obscurantismo e o papel de influenciador do reino que vem tendo o “ideólogo” me lembram mais Rasputin do que Trótski.

Fabio Trombini (Varginha, MG)

Bolsonaro disse que o entrevero com Olavo é página virada. Resta saber se o filósofo concorda. O problema é o que vem na próxima página, pois o presidente é especialista em apagar fogo com gasolina. 

João Henrique Rieder (São Paulo, SP)

Desalentados não são apenas aqueles que, há muito, não conseguem trabalho. Desalentados também estão os políticos da oposição e outros adversários, porque os governistas não lhes dão espaço para depreciar, censurar e reprovar os atos governamentais. O guru e os pimpolhos do presidente por si só já bastam (“Guerra perdida”, de Bruno Boghossian). Essa insistência do presidente em se posicionar contra os próprios colegas de farda leva a pensar: é de propósito?

Mauro Lacerda de Ávila (São Paulo, SP)

Para livrar o Brasil de Lula e do PT, a maioria arriscou comprar um presidente pela internet. Quando chegou a encomenda, ficou claro que o produto era muito pior do que se esperava. E não havia opção de devolver. Então, fazer o quê? Tentar melhorar o produto e torcer para que funcione pelo menos por quatro anos. Dos males, o menor: O PT poderia ter voltado. O resto é lucro.

Helio Marcengo (Curitiba, PR)

Ensino domiciliar

Educação não é só conteúdo de disciplinas. É socialização, é ter referências além das de casa para se preparar para o mundo, é lidar com frustrações, é saber esperar a própria vez, é entender os limites e as possibilidades do convívio com os semelhantes. Na escola, somos parte de algo maior do que a célula familiar, e a relação com o mundo muda para uma visão mais ampla (“Projeto de Bolsonaro, ensino em casa não tem eficácia comprovada nos EUA”).

Alexandre Miquelino Levanteze (Campinas, SP)

O ensino domiciliar, para mim, só tem serventia se for para funcionar de maneira complementar ao oficial, com conteúdo estabelecido pelo MEC e fiscalização e avaliação estatal. Se o Brasil fizer diferente disso, servirá somente ao fanatismo religioso ou político.

Carlo Eduardo C. Lisboa (Valença, BA)


Novas regras para armas

Esvaziar o espírito do Estatuto do Desarmamento no controle de armas sem levar tal discussão ao Congresso Nacional equivale a calar a voz de cada cidadão (“Bolsonaro facilita porte de armas para atiradores, caçadores e colecionadores”). A sociedade, acima de qualquer liberdade individual, tem o supradireito de ser ouvida e consultada sobre os efeitos dessa flexibilização. Apartar o Legislativo dessa discussão, além de violar normas legais, fere a fundo os princípios democráticos, que lutamos tanto para conseguir.

Sabrina Campos (São Paulo, SP)

Lastimável a foto em que aparecem congressistas comemorando a assinatura de decreto que flexibiliza regras de transporte de armas de fogo. Faziam com o polegar e o indicador alusão a armas, com risos. Pior: sob aplausos do vice-presidente da República e do ministro da Justiça. A que ponto chegamos...

Antonio Francisco da Silva (Rio de Janeiro, RJ)


‘Violência obstétrica’

Uso indevido de drogas aumentando as contrações/dores, negação de privacidade, água ou comida, imobilização física em posições dolorosas, proibição de acompanhantes, informações incorretas induzindo cirurgias desnecessárias: essas violências servem para apavorar as mulheres e fazê-las aceitarem a cesárea, mais conveniente para médicos e hospitais (“Ministério da saúde veto uso do termo ‘violência obstétrica’”). 

Carmen Simone Grilo Diniz, professora titular da Faculdade de Saúde Pública da USP (São Paulo, SP)


Reformas

Sobre o texto de Marcos Mendes (“Por que é tão difícil fazer reformas no Brasil?”), consideremos as seguintes questões: as chamadas reformas de base ajudaram a derrubar um presidente (Goulart); o conservadorismo nacional, do povo e da política, não apoia reformas nem faz críticas oportunas que atinjam da melhor forma possível a sua efetivação; os privilégios estão consolidados, e a maioria dos grupos influentes não quer reformas completas, aceita no máximo “pedaços de reformas”.

José de Jesus Moraes Rêgo (Brasília, DF)


Sigilo em acordos

Não tem cabimento o sigilo sobre os acordos de leniência defendido por procuradores da Lava Jato, AGU (Advocacia-Geral da União) e CGU (Controladoria-Geral da União). Os argumentos utilizados para justificar tal medida chegam a ser uma agressão ao cidadão de tão rasos e descabidos. Essa falta de transparência agride a democracia e atinge a credibilidade desses acordos (“Lava Jato no escuro”). Injustificável.

Márcia Meireles (São Paulo, SP)


Sociologia e filosofia

Problemas complexos, em razão de suas características, necessitam de abordagem multidisciplinar, envolvendo especialistas de várias áreas, como física, matemática, psicologia, sociologia, história, ciência, política, filosofia e outras. Não se pode destacar ou descartar nenhuma área do conhecimento, pois todas colaboram para a resolução de problemas socioeconômicos e para o desenvolvimento do país, já que cada situação ou problema exige análise criteriosa, com métodos próprios das diversas ciências (“Em defesa da filosofia e da sociologia na universidade”, de Paulo Ghiraldelli Jr.).

Paulo Marcos Gomes Lustoza (Rio de Janeiro, RJ)


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