Momento de descontrole emocional não compromete a competência de um profissional, diz leitor sobre Janot

Leitor defende Rodrigo Janot, que diz ter cogitado matar Gilmar Mendes dentro do Supremo

Rodrigo Janot

Pensando bem, a arma que o Janot levava debaixo da toga poderia fazer mal a apenas duas pessoas. E ele repensou e recuou. Já a arma que o Gilmar Mendes usa ao vestir aquela toga sem ter estofo moral para usá-la faz mal à Justiça brasileira como um todo. E ele não tem pejo de usá-la continuamente. Quem é o mais facínora dos dois?

Mara Montezuma Assaf (São Paulo, SP)

Um momento de descontrole emocional não compromete a competência de um profissional, ainda mais da magnitude do ex-PGR Rodrigo Janot, que, se foi escolhido por duas vezes (entre seus pares) como primeiro da lista para o cargo, é porque lhe sobram competência e bom caráter. Ninguém aqui defende violência, extremismos e ataques, mas, na vida, às vezes fugimos do nosso eu, tendo em vistas as agressões injustas que recebemos ("Gilmar chama Janot de 'potencial facínora' e pede mudança na escolha do PGR", Poder, 27/9).

Carlos Alberto Félix da Silva (Parnamirim, RN)

Se o STF se propõe a combater as ilegalidades da Lava Jato, seria interessante começar a conter seus próprios abusos. A busca e apreensão em imóveis de Janot foi mais um capítulo dos desmandos praticados no inconstitucional inquérito das "fake news", com uma agravante: o investigado não é mais procurador-geral, de modo que a competência para a ação penal seria do STJ, e não do Supremo. Será que o devido processo legal só se aplica aos processos da Lava Jato?

Marcelo Dawalibi (São José dos Campos, SP)

Letalidade

A Secretaria da Segurança Pública esclarece que, conforme determina a resolução SSP/40, toda morte em decorrência de intervenção policial (MDIP) é rigorosamente investigada pelo DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa] e pelas corregedorias, com o acompanhamento do Ministério Público e do Judiciário. Mais de 60% das MDIP ocorrem em roubos, quando criminosos, cada vez mais armados, colocam a vida de pessoas em risco. Até agosto, 168 fuzis foram apreendidos e 158.724 criminosos presos em todo o estado pelas polícias paulistas ("Reduzir a letalidade não é uma obrigação da polícia, diz Doria", Cotidiano, 27/9). 

Vinicius Traldi dos Santos, assessor de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo 


Lula

Pode até ter bom comportamento, mas é réu em vários outros processos, inclusive condenado em um deles em primeira instância ("Força-tarefa pede que Lula passe para regime semiaberto", Poder, 28/9). Esse prêmio de progressão do regime deveria ser restrito a transgressores ocasionais, o que não é o caso. 

Joao Braga (Marília, SP)

A vida na prisão reconhecidamente é cruel. Mas se o Lula se dispôs a uma causa, acho que ele não deveria se submeter a uma concessão política da Lava Jato ("Família e namorada pressionam Lula a aceitar cumprir pena em casa", Coluna Mônica Bergamo, 28/9).

Nicola Granato (Santos, SP)


Eduardo Bolsonaro

Imagino o escândalo que haveria se, no lugar do Eduardo fazendo arminha, estivesse um muçulmano ("Eduardo Bolsonaro faz gesto de arma em frente a monumento pela paz em NY", Mundo, 27/9). Por isso, considero que esse gesto o desqualifica definitivamente como candidato a embaixador.

Lucia Margarida Japp (Porto Belo, SC)

Aborto

Parabéns pela abordagem do tema do aborto ("Aborto e polarização", Ilustríssima, 29/9). Como profissional da saúde que atende mulheres, meu coração se compadece com cada uma que morre e cada órfão que fica sem mãe para sempre por causa dessa proibição. A ideia de salvar embriões em detrimento de suas mães é constrangedora. Mulheres sempre vão abortar. As ricas vão ajudar a sustentar a indústria da ilegalidade e as pobres são as que vão morrer. Hipocrisia mata.

Ana Cristina Duarte, obstetriz (São Paulo, SP)

Como médico obstetra, acho muito importante uma discussão ampla sobre direitos reprodutivos e respeito à autonomia das mulheres. Aborto acontece todos os dias, e negar isso é tapar o sol com a peneira. E mais, é deixar morrerem mulheres pobres, em geral, por praticarem abortos na ilegalidade. Uma discussão que permita a criação de um direito para todas é imprescindível. 

Paulo Noronha (São Paulo, SP)

Sobre o editorial "A ofensiva de Damares" (Opinião, 29/9), a tragédia que ela quer evitar são os 22 milhões de crianças assassinadas no ventre de suas próprias mães. É triste ver a omissão sobre esse extermínio no texto.

Mauricio de Castro Navarrete (São Paulo, SP)


Obra de estação

A reportagem "Doria comemora obra adiantada de estação atrasada" (Cotidiano, 28/9) descontextualiza fatos numa tentativa primária de vincular a atual gestão a atrasos. João Doria tomou posse como governador em 1º de janeiro de 2019 e, obviamente, só pode responder pelos atos do próprio mandato. Em vez de dar mérito ao atual governo por antecipar seus prazos, esta Folha preferiu fazer uma correlação temporal que desafia a lógica.

Hélia Araujo, chefe de Redação da Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo


Meio ambiente e Greta

Se a mídia, incluindo este jornal e seus comentaristas, tivesse dado o mesmo destaque que deu à Greta aos inúmeros debates científicos e políticos que ocorreram em Nova York na última semana, entenderíamos que quem está optando pelo simplismo não são os ambientalistas ("Com quantas Gretas", de Demétrio Magnoli, Poder, 28/9). 

Beatriz Bracher (Campinas, SP)

Ainda que o artigo [de Demétrio Magnoli] contenha alguns exageros argumentativos, creio que acerta ao chamar a atenção para os resultados ruins, frutos de discursos simplistas e dados a espetáculos para resolver problemas complexos. A questão ambiental não foi descoberta ontem por uma jovem de 16 anos. Não é, tampouco, uma questão intergeracional, na qual os mais jovens estão de um lado (tido "do bem"), e os mais velho (que nunca fizeram "nada" de útil) estão de outro. Não acredito em voluntarismos.
Ulysses Narciso Leal Costa (Brasília, DF)

Parabéns Helen Beltrame-Linné pela esclarecedora e sensível análise sobre Greta ("Greta é fruto de um modelo nórdico em que dinheiro não fala tão alto", Ambiente, 28/9). Nos mostrou que existem países que cuidam com responsabilidade de seus cidadãos. Países onde a educação é, sim, o mais importante e dá belos resultados. Ao mesmo tempo, nos fez ver como estamos atrasados, estagnados num modelo errado de deseducação. 

Rita Abrahão (São Paulo, SP)

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