Facada e cirurgias são obstáculos em histórico de saúde de Bolsonaro; relembre casos

Presidente afirmou, nesta terça (7), ter contraído o novo coronavírus

São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro, 65, afirmou nesta terça-feira (7) que contraiu o novo coronavírus, após realizar um novo exame para detectar o vírus na segunda-feira (6).

“Estou perfeitamente bem”, afirmou Bolsonaro, ao anunciar, de máscara, o resultado positivo para Covid-19 em entrevista para CNN Brasil, Record e TV Brasil no Palácio da Alvorada.

O presidente decidiu realizar o teste após sentir sintomas leves: febre baixa e tosse. Em nota, a assessoria do Palácio do Planalto disse que Bolsonaro "mantém bom estado de saúde".

Veja abaixo outros obstáculos no histórico de saúde do presidente desde o atentado a faca, em setembro de 2018.

Facada e primeira cirurgia (6.set.18)

Jair Bolsonaro, então candidato do PSL à Presidência, sofre um atentado a faca durante um ato de campanha na cidade de Juiz de Fora (MG). Ao chegar na unidade de saúde local, passa por um ultrassom e é encaminhado ao centro cirúrgico.

Segunda cirurgia (12.set.18)

Bolsonaro passa por uma cirurgia de emergência no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para onde foi transferido um dia após o atentado. O resultado de uma tomografia levou a equipe médica a submetê-lo a um novo procedimento em que foram retiradas aderências que obstruíram o intestino delgado, e corrigida uma fístula surgida em uma das suturas feitas na operação inicial após o atentado. Ele só deixou a UTI em 16 de setembro, quatro dias depois

Alta (29.set.18)

O então candidato recebe alta, 23 dias depois de chegar ao hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Ausência em debates (18.out.18)

Na época dos debates, Bolsonaro justificava sua falta por problemas de saúde. Em outubro, após deixar a casa do então candidato, o médico cirurgião Antonio Luiz Macedo disse à Folha que a participação dependia de Bolsonaro, “por causa da colostomia".

Terceira cirurgia (28.jan.19)

Já como presidente, Bolsonaro passa por um novo procedimento, com sete horas de duração, para retirada da bolsa de colostomia. Ele havia sido internado no dia anterior. Estavam previstas três horas de cirurgia, mas a grande quantidade de aderências (partes do intestino que ficam coladas) levou a equipe médica a executar um procedimento mais complexo e demorado do que se esperava.

Pneumonia (7.fev.19)

Após 11 dias de internação no hospital Albert Einstein, em São Paulo, por causa de sua terceira cirurgia, o presidente Jair Bolsonaro volta a ter febre na noite do dia 6, e uma tomografia detecta pneumonia. No dia 13, recebe alta.

Quarta cirurgia (8.set.19)
Bolsonaro volta ao hospital. Os médicos corrigem uma hérnia que surgiu na região do abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local nos últimos meses. A operação dura cinco horas e é considerada bem-sucedida. Ele recebe alta no dia 16 de setembro.

Suspeita de câncer de pele (11.dez.19)

Bolsonaro passa por um procedimento para retirar pintas, segundo aliados. Em seguida, é realizada uma cauterização no local. Em junho, ele já havia sido submetido a processo semelhante e, segundo o próprio presidente, havia "suspeita de câncer de pele", o que não foi confirmado.

Queda no banheiro (23.dez.19)

Presidente passa a noite no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, após sofrer uma queda no banheiro.

Viagem aos Estados Unidos (12.mar.20)

Após uma missão oficial aos Estados Unidos, Bolsonaro e toda a comitiva passam por exames para detecção do coronavírus. O presidente informa que o resultado do seu teste foi negativo, mas 19 pessoas que estiveram na viagem contraíram a doença.

Histeria (15.mar.20)

Em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro chama de "extremismo" e "histeria" as medidas adotadas diante da pandemia do coronavírus, que no Brasil já havia infectado 200 pessoas até a data.

Gripezinha (20.mar.20)

O presidente volta a minimizar a gravidade do coronavírus e afirma que só faria um novo exame para saber se foi contaminado em caso de recomendação do médico da Presidência da República.

Em entrevista à imprensa, na qual vestia uma máscara cirúrgica, o presidente lembra que sobreviveu a uma facada na campanha eleitoral de 2018 e diz que não vai ser uma "gripezinha" que irá derrubá-lo.

Histórico de atleta (24.mar.20)

Em pronunciamento, Bolsonaro ataca governadores, culpa a imprensa pelo agravamento da crise de saúde e critica o fechamento de escolas. "O que se passa no mundo mostra que o grupo de risco é de pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?" "Raros são os casos fatais, de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade."

Bolsonaro conclui dizendo que, se ele fosse infectado, por seu "histórico de atleta", não deveria temer a doença.

Resultado negativo para coronavírus (12.mai.20)

Bolsonaro divulga seus testes a pedido do Supremo Tribunal Federal. Os três exames deram negativo. O presidente usou codinomes para realizá-los.

Resultado positivo para coronavírus (6.jul.20)
Após sentir sintomas leves, Bolsonaro faz novos testes e confirma que contraiu Covid-19. O presidente aproveita o anúncio do resultado do teste, nesta terça (7), para defender a hidroxicloroquina como medicamento eficaz para o tratamento da doença, mesmo sem comprovação científica de sua eficácia. Ele afirmou que está tomando a droga.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.