Descrição de chapéu The New York Times

Os 15 melhores programas de TV para se sentir viajando

Séries que mostram destinos turísticos pelo mundo, em 2020 ou em outras épocas

The New York Times

Não há como escapar dessa realidade: a maioria de nós não poderá viajar por muito, muito tempo, ainda.

Com certeza existem preocupações mais prementes —saúde pessoal, linhas de suprimento, manter a despensa abastecida, cuidar dos filhos—, mas a antecipação e a paz interior que uma viagem de férias, uma reunião familiar ou uma visita ao exterior propiciam agora desapareceram, e ninguém sabe por quanto tempo.

Não é nem seguro e nem possível (em cada vez mais casos) visitar a Noruega, a França ou seja lá que país, quando você está condenado a ficar em casa.

Mas talvez seja. Uma das delícias genuínas da era do streaming está no grande número de programas internacionais de TV que ela tornou disponível, e para consumo imediato. Acrescente uma dose de diários de viagem e você pode visitar o mundo todo, do conforto (e confinamento) de seu sofá.

Abaixo, alguns dos melhores programas para combater a inquietação causada pelo isolamento:

“Somebody Feed Phil”, Netflix

“Comida é o grande conector”, diz Phil Rosenthal, “e o riso é o cimento”. A série original da Netflix acompanha o produtor de TV em viagens a Lisboa, Buenos Aires e outros lugares do planeta, em uma tentativa de “encontrar a fonte” de algumas de suas comidas favoritas —e descobrir o mundo no processo. A maior parte dos momentos de humor da série surge do confronto entre a persona urbana e tipicamente americana de Rosenthal e a necessidade de aceitar algum desconforto que visitas a esse tipo de lugar requerem.

“Our Planet”, Netflix

O narrador David Attenborough e a equipe responsável por sua aclamada série “Planeta Terra” criaram essa minissérie especial de oito episódios para a Netflix com dois propósitos: celebrar o planeta em que vivemos e apontar para os desordenamentos e perigos que surgiram nos ecossistemas. Essa mensagem continua a ter importância vital, mas o senso de deslumbramento da série e suas imagens poderosas são o destaque; a série foi inteiramente registrada com câmeras 4K —as selvas da Indonésia, o deserto do centro da África, as florestas de Madagascar, o Oceano Atlântico e o Ártico—, todos visíveis em uma grande tela plana que leva o espectador o mais perto possível da experiência real.

“Sense8”, Netflix

Da trilogia Matrix a “A Viagem”, jamais faltou ambição às irmãs Wachowski, e essa série de duas temporadas que produziram para a Netflix tem locações exóticas como parte da premissa, que conecta oito desconhecidos em oito cidades do planeta com as vidas e mundos dos demais protagonistas. Ao contar a história, os realizadores cobriram tanto terreno quanto um programa de viagem faria, com imagens deslumbrantes de Mumbai, Londres, Seul, Nairóbi, Cidade do México, Berlim, Nápoles, Malta, Amsterdã, São Paulo e muitos, muitos outros lugares.

“The Night Manager”, Amazon Prime

Quando o roteirista David Farr e a diretora Susanne Bier adaptaram para a televisão o romance de espionagem que John Le Carré publicou em 1993, eles não só atualizaram a cronologia como alteraram as locações —a história enxuta e refinada foi filmada na na Suíça, em Marrakech e na Espanha (um cenário especialmente digno de menção é a linda casa de campo espanhola do vilão Hugh Laurie). Os puristas quanto ao trabalho de Le Carré podem objetar, mas os demais espectadores estarão ocupados demais curtindo o sabor europeu e a fotografia ensolarada da série.

“Killing Eve”, Globoplay​

Os filmes e programas de espionagem gostam de saltar de ponto a ponto do planeta, o que os torna especialmente apropriados para os espectadores que estão morrendo de vontade de viajar, e a adaptação muito bem sucedida da BBC America para os livros da série “Villanelle”, de Luke Jennings, embora subverta muitas das convenções do gênero espionagem, precisa também aderir a ela, mesmo que só para satirizá-las. Por isso, Eva Polastri, a agente do MI6 que protagoniza a história, deve ir de Londres a locações como a Toscana, Berlim, Bucareste, Paris, Amsterdã, Roma e outros lugares, em sua perseguição à assassina profissional Villanelle (Jodie Comer).

“Wallander”​, Claro Vídeo

A série de romances policias de Henning Mankell, que já tinha sido adaptada para o cinema e em uma série de TV sueca, foi de novo adaptada para a TV britânica, com o mais britânico dos atores, Kenneth Brannagh, no papel título. Mas a série se passa na Suécia, como os livros, e esse é um de seus pontos mais fortes. Mike Hale, crítico de TV do The New York Times, elogia a série pelo seu uso “do terreno plano e bruto da costa sul da Suécia, com seus campos reluzentes e árvores solitárias delineadas contra o azul acinzentado do céu”.

“Babylon Berlin”, Globoplay

Próxima parada: Alemanha, para essa série neonoir produzida com extravagância e passada na capital alemã pouco antes da ascensão de Hitler, durante a República de Weimar. A série —considerada a produção mais cara na história da TV alemã— usa pesadamente um set permanente no estúdio Babelsberg, mas também recorre a numerosas locações na cidade e no país, entre as quais o Theater am Schiffbauerdamm, a sede da prefeitura de Berlim, a Igreja Protestante do Redentor e o Museu Ferroviário da Baviera.

“Dark”, Netflix

Por outro lado, se você prefere as pequenas cidades da Alemanha, na era atual (bem, mais ou menos na era atual), faça uma visita à aldeia de Winden, que serve de cenário a esta série complicada e atmosférica. Narrando a história de quatro famílias e três gerações de tragédias —sequestros, suicídios, mortes— que muitas vezes convergem nos bosques escuros e assustadores da região, a série é apavorante o bastante para fazer com que o espectador se sinta bem por não sair de casa.

“Dix Pour Cent”, Netflix

A indústria cinematográfica francesa recebe o mesmo tratamento dado às suas versões americana e inglesa em seriados como “Segura a Onda” e “Extras”: uma sátira interna ao mundo do entretenimento que mistura estrelas reais às trapalhadas de uma agência de talentos que talentos altamente disfuncional, que parece estar desabando. O que a série revela é que a maquinaria que mantém as coisas em funcionamento por trás das cenas nada tem de bonita (muita mesquinharia, muita fofoca, muita deslealdade), mas ainda assim as telas mostram muito glamour e oferecem diversas oportunidades de curtir o cenário parisiense e o tapete vermelho dos poderosos.

“My Brilliant Friend”, HBO Go

Algumas séries flutuam por suas locações, fazendo apenas conexões ocasionais. Mas a adaptação da HBO para os romances napolitanos de Elena Ferrante não é só uma história que se passa na Itália dos anos 1950: finca raízes lá, e parece fortemente ciente de cada escadaria, de cada pátio, de cada apartamento no bairro operário que lhe serve de cenário. É uma locação, escreve James Poniewozik, em que “todos vivem amontoados e fofocas e bisbilhoteiros são inescapáveis”. Mas a série também oferece lindos vislumbres do mundo fora do bairro, de uma região mais rica de Nápoles ou de uma ilha de veraneio. É um lembrete bem vindo de que, quando as coisas parecem mais sombrias, ainda assim é possível escapar.

“Kingdom”, Netflix

E continuamos em nossa jornada através do mundo, chegando à Coreia do Sul e voltamos no tempo (ao século 16) para esta série original da Netflix, que mistura drama histórico, zumbis, espadachins, sátira política e (ops) doenças contagiosas —tudo isso em grande escala, com muita ação e grandes e coloridas sequências de ação coreografadas em lindas florestas e diante de paisagens deslumbrantes. Mike Hale escolheu a série como um dos melhores programas internacionais da década, e elogiou a “brilhante” obra pelos seus “valores de produção elevados”.

“Giri / Haji”, Netflix

Para essa série lançada recentemente (produzida pela BBC Two e distribuída pela Netflix), desembarcamos em Londres e Tóquio para uma trama intercultural sobre um detetive de Tóquio (Takehiro Hira) que tenta rastrear seu irmão criminoso no submundo do crime. Ajudando-o na busca —na medida do possível— há uma detetive da polícia londrina (Kelly MacDonald), cujo ânimo parece estar perpetuamente associado ao clima da cidade: tristonho e cinzento. Mas a série também captura de modo muito bonito o brilho das duas cidades à noite, quando os cidadãos respeitáveis deixam as ruas e as coisas começam a ficar realmente interessantes.

“Outlander”, Netflix

Há uma estranha circularidade em assistir (ou mais provavelmente rever) a adaptação para os romances de Diana Gabaldon por conta das locações —já que número considerável dos espectadores da série terminou por visitar o centro da Escócia só para conhecer em pessoa as locações do programa. E elas são lindas, colinas suaves, castelos veneráveis, pântanos nevoentos e florestas frondosas, oferecendo ainda mais escape do que já estamos desfrutando com a história de uma mulher da década de 1940 que inexplicavelmente vai parar na Escócia do século 18. E ela faz o que todos estamos tentando fazer agora: o melhor que pode.

“Black Sails”, Netflix

Quando essa história do coronavírus acabar, pode ser que não queiramos mais estar em terra, e não existe programa melhor para nos levar ao alto mar do que essa série de aventura e drama, quatro temporadas de aventuras de piratas que nos contam a história de Long John Silver. Ainda que se passe nas Índias Ocidentais em 1715, a série foi filmada na África do Sul, que serve como um similar convincente do Caribe. As águas são cristalinamente azuis e as praias poderiam ser irresistivelmente convidativas, se não fossem aqueles piratas incômodos.

“Os Crimes de Fortitude”, Globosat Play ​

E por fim chegamos ao topo do mundo —bem, o mais perto possível dele—, na ilha ártica de Fortitude, o cenário dessa série de aventura e mistério. Fortitude é um lugar fictício (seria coincidência demais que não fosse), e por isso as três temporadas da série foram rodadas na Islândia e Noruega; as geleiras frígidas e as montanhas recobertas de neve podem vir a calhar se ainda estivermos trancados em casa quando chegar o verão.

Tradução de Paulo Migliacci

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