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Antes um problema, calma pode fazer de Van Dijk o melhor do mundo

Zagueiro estreia na Champions League desta temporada pelo Liverpool

Alex Sabino
São Paulo

Houve um tempo em que ser calmo demais era motivo de críticas a Virgil van Dijk, 28. Quando começou a carreira em pequenos times da Holanda, como Willem II e Groningen, dirigentes reclamavam que ele era tranquilo em excesso. Quase como não se importasse.

Ser calmo é uma das características que podem fazê-lo ser eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo. A escolha será anunciada em 23 de outubro. Os outros concorrentes são Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, como têm sido rotina desde que o português ganhou o prêmio pela primeira vez, em 2008. Desta vez, Van Dijk (pronuncia-se “van Dáique”) pode ser considerado favorito.

“Ele vai passar a bola, calmo como você gosta”, canta a torcida do Liverpool nos jogos do estádio de Anfield.

Van Dijk (à esq.) comemora gol marcado por Saido Mané em partida do Liverpool contra o Burnley
Van Dijk (à esq.) comemora gol marcado por Saido Mané em partida do Liverpool contra o Burnley - Carl Racine-31.ago.19/Reuters

Nesta terça (17), ele pode mostrar o favoritismo na estreia do time na Champions League. O atual campeão do torneio enfrenta o Napoli, na Itália, às 16h.

Se o holandês for o eleito, será o primeiro defensor a vencer o prêmio de melhor do mundo desde Fabio Cannavaro, em 2006. O italiano foi escolhido por causa da campanha da seleção na Copa do Mundo daquele ano.

Van Dijk, se ganhar, será pelo resultado de toda uma temporada. Em 38 rodadas do Liverpool no Campeonato Inglês, ele não foi driblado nenhuma vez. A equipe não quebrou o jejum de 28 anos sem o principal título nacional mesmo tendo perdido apenas uma vez no torneio. Ficou em segundo, atrás do Manchester City. No título europeu, foram 12 gols sofridos em 13 jogos.

“Ele é o melhor zagueiro da história da Premier League”, afirma o belga Vincent Kompany, que estava no City.

Premier League é o nome da versão moderna do Campeonato Inglês, iniciada em 1992.

Comprado por 75 milhões de libras (R$ 375 milhões em valores atuais), o holandês foi o zagueiro mais caro da história do futebol ao ser contratado, em janeiro de 2018. Acabou superado neste quesito pelo inglês Harry Maguire, que chegou ao Manchester United em julho deste ano por 80 milhões de libras (R$ 400 milhões).

Ninguém sabia na época, mas Van Dijk e o goleiro brasileiro Alisson eram as peças que faltavam para voltar a fazer do Liverpool a principal força do futebol europeu. A equipe lidera a atual liga inglesa com 5 pontos de vantagem após apenas 5 rodadas, com 100% de aproveitamento.

Em junho de 2013, o zagueiro foi comprado pelo Celtic por 2,3 milhões de libras (R$ 11,5 milhões). Houve quem acreditasse que o time escocês havia pago caro demais por um jogador que não tinha recursos técnicos para enfrentar os principais atacantes da Europa.

Aos 17, ele lavava pratos em um restaurante na cidade holandesa de Breda, ganhando 4 euros por hora (R$ 17,20) enquanto tentava se destacar no Groningen.

“Virgil traz para a equipe calma e segurança impressionantes. É jogador que jamais se apavora em campo e tem muita qualidade”, elogia Alisson.

Ajuda a pretensão de Van Dijk de ser eleito o melhor do mundo o fato de o futebol parecer ensaiar uma nova era depois de uma década de domínio da dupla Cristiano Ronaldo-Messi. Cada um venceu cinco vezes. Mas em 2018, apoiado na campanha da Croácia na Copa do Mundo da Rússia, o meia Luka Modric foi o escolhido.

No mês passado, van Dijk já foi eleito pela Uefa o melhor da última temporada. 

“Eu apenas quero entrar em campo e jogar com liberdade. Quero aproveitar cada momento porque cheguei aos 28 e você sabe que a carreira vai acabar. Não quero pensar depois que deveria ter feito isso ou aquilo. Aprecie o momento. E ganhe títulos”, disse o jogador em entrevista para o diário The Times em agosto.

Descendente de surinameses, Van Dijk tem na cabeça também a possibilidade de jogar um Mundial pela seleção holandesa, que não se classificou para o torneio na Rússia.

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