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Cinema

Adolescentes de 1999, hoje balzaquianas, são órfãs das comédias românticas

Com cinema escapista dominado pelos filmes de super-heróis, gênero parece passado

Marina Consiglio Úrsula Passos

As adolescentes de 1999, que foram cinematograficamente alimentadas à base de muitas comédias românticas na TV e no cinema, protagonizadas por atrizes como Sandra Bullock e Julia Roberts, então na faixa dos 30 anos, chegam ao fim desta década sem mocinhas nas quais se reconhecer.

Até chegarmos ao sucesso, nos Estados Unidos, de "Podres de Ricos" (2018), amargamos anos sem comédias românticas entre as maiores bilheterias. Assim como Jennifer Aniston —que não conseguiu se firmar como atriz dramática—, quem tinha entre 11 e 19 anos em 1999 passou boa parte de seus 20 e 30 anos abandonado pelo gênero.

Hoje o cinema escapista, aquele que nos tira de nossa realidade e nos faz imaginar outras vidas, está dominado pelos numerosos filmes de super-heróis, e as comédias românticas parecem passado.

Há tempos, atrizes jovens como Charlize Theron abandonaram as comédias românticas para ganhar o Oscar —vale lembrar que Bullock ganhou o seu depois dos 40. Jennifer Lawrence, Brie Larson e Margot Robbie (que concorreu, mas não levou), aliás, sequer têm 30 anos; Emma Stone acaba de fazer 30.

Recentemente, porém, longas como "Para Todos os Garotos que Já Amei" e "Sierra Burgess é uma Loser", grandes sucessos da Netflix no ano passado, dão sobrevida ao gênero.

O mocinho da vez é Noah Centineo, que, em 1999, tinha três aninhos. E os conflitos se passam em escolas e envolvem o primeiro amor. Logo, estão mais para as comédias oitentistas de John Hughes do que para "Noiva em Fuga" ou "Mensagem para Você".

É claro que, além dessas comédias de romances juvenis, com neuras sobre o primeiro beijo e personagens no ensino médio, há algumas que correm por fora dos grandes orçamentos dos megaestúdios, como "Doentes de Amor", com personagens outsiders.

É verdade que as mulheres não se veem mais representadas daquela forma, sendo "salvas" por um homem ou que sua felicidade dependa dele. Mas nem toda história de amor precisa ser "Uma Linda Mulher", e o feminismo pode muito bem conviver com personagens como a de Meg Ryan em "Harry e Sally", ou com as de Piper Perabo e Lena Headey no romance lésbico de "Imagine Eu & Você" (2005).

O amor, afinal, como diria o título de uma bela comédia (romântica) de Nancy Meyers, não tira férias.

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