EUA confirmam novo aumento de tarifas e China ameaça retaliação

Trump anunciou no domingo acréscimo para 25% em tarifas sobre R$ 788 bilhões em produtos chineses

Marina Dias
Washington

O governo americano confirmou nesta quarta-feira (8) o aumento de 10% para 25% nas tarifas sobre US$ 200 bilhões (R$ 788 bilhões) em produtos chineses, chancelando a ameaça feita pelo presidente Donald Trump no domingo (6) e provocando uma reação imediata da potência asiática.

De acordo com documento do Escritório de Representação do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que deve ser publicado oficialmente nesta quinta-feira (9), as novas taxas começam a valer já a partir de sexta (10).

Medidas do presidente Donald Trump contra a China são chanceladas por documento publicado nesta quinta
Medidas do presidente Donald Trump contra a China são chanceladas por documento publicado nesta quinta - Jonathan Ernst/Reuters

A medida ocorre às vésperas da chegada da delegação chinesa a Washington mas, segundo analistas, não inviabiliza o acordo comercial entre EUA e Pequim.

Por meio da agência de notícias oficial Xinhua, um porta-voz do governo chinês afirmou que a escalada do atrito comercial "não é do interesse do povo dos dois países" e prometeu retaliação. "Se as medidas tarifárias dos EUA forem implementadas, a China terá que tomar as medidas de reação necessárias", afirmou.

Após as ameaças de Trump no fim de semana, o mercado financeiro reagiu mal –com quedas históricas nas bolsas pelo mundo– mas depois amenizou as perdas ao absorver a análise de que o presidente americano estava apenas fazendo uso de uma estratégia de negociação e não sinalizava uma ruptura de fato com a China.

Analistas nos EUA ainda acreditam que o acordo será fechado nos mesmos termos previstos, com respeito à propriedade intelectual, queda nas tarifas e lista negativa de investimentos na China –para empresas americanas atuarem em solo chinês.

A avaliação é que Trump concedeu um deadline muito curto –até sexta– para o fechamento de qualquer acordo mais alentado e agora, afirmam os especialistas, a alta da tarifa deve ser confirmada e seguir temporariamente até que Washington e Pequim cheguem a um consenso.

Em setembro do ano passado, o USTR havia imposto tarifa de 10% sobre os produtos chineses com plano inicial de aumentar a alíquota para 25% em dezembro. No entanto, houve uma trégua nas negociações –prazo encerrado em março– e, desde então, as tratativas estavam avançando pouco.

Com pressa em fechar o acordo e sem novidades que apresasse os chineses, Trump decidiu ele mesmo criar um fato político para levar os chineses à mesa o quanto antes.

Após anunciar o aumento das tarifas, Trump publicou nesta quarta no Twitter que a China acabara de informar que estava chegando aos EUA para fazer um acordo, mas manteve o ar de incertezas sobre os desdobramentos das conversas. "Veremos, mas estou muito feliz com mais de US$ 100 bilhões por ano em tarifas preenchendo os cofres dos EUA", escreveu o presidente.

O raciocínio do americano é simples: o câmbio chinês só pode variar 2% por dia e, por isso, um aumento de mais 15% em cima dos 10% já anunciados poderia ser uma barreira difícil para Pequim transpor em tão pouco tempo. Quando os EUA anunciaram o aumento de 10% nas taxas, o mercado chinês conseguiu se ajustar rapidamente e não sentiu o impacto real da medida imposta pelos americanos.

Em relação ao impacto sobre os produtos do Brasil, é consenso entre os analistas que o setor agrícola, com soja, milho e trigo, é o que deve ser observado com mais atenção. Enquanto as tarifas estiverem altas, o apetite da China para comprar dos EUA é cada vez menor, o que beneficia o exportador brasileiro.

Por outro lado, os chineses devem usar exatamente esse tipo de bens como moeda de trocar para conseguir mais vantagens com os americanos e, com o acordo fechado, o Brasil poderia perder mercado para Washington.

O documento do USTR também abre espaço para que empresas solicitem exclusões das tarifas de determinados produtos caso prejudiquem indevidamente seus negócios.

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