Descrição de chapéu The New York Times

Diretor de laboratório do MIT renuncia após revelação de laços com Epstein

Bilionário se suicidou na prisão após ser acusado de pedofilia e abuso sexual

The New York Times

O diretor do prestigiado laboratório de mídia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) renunciou neste sábado após uma reportagem do New York Times revelar que ele aceitou doações do bilionário Jeffrey Epstein após ele ter sido condenado, em 2008, por aliciar uma menor de idade para prostituição.

"Depois de longa consideração sobre o assunto, acredito que é melhor que eu renuncie aos cargos de diretor do laboratório de mídia, de professor e empregado do Instituto", escreveu Joichi Ito em um email endereçado ao reitor da instituição.

Em 2014, seis anos após a condenação por aliciamento de menores, Ito registrou em um email que uma doação de US$ 2 milhões (R$ 8,1 milhões no câmbio atual) feita pelo fundador da Microsoft, Bill Gates, tinha sido obtida por Epstein. 

Um funcionário do laboratório respondeu à mensagem dizendo que "para efeito de registro, não mencionaremos o nome de Epstein como o responsável por esta doação".

Ito também fazia parte do conselho de administração do grupo New York Times, dono do jornal homônimo, desde 2012. 

Gates não respondeu a pedidos de comentário do jornal americano. 

Os emails que mostram a contínua ligação do bilionário com o laboratório foram enviados ao New York Times por Signe Swenson, que foi coordenadora de relações com ex-discentes entre 2014 e 2016. 

Ela afirmou ter manifestado à chefia sua reprovação à contínua relação com Epstein várias vezes. "Nunca deram ouvidos para mim", disse. 


Saiba mais:

Caso de Epstein parecia ter acabado até uma repórter entrevistar as vítimas

O que se sabe sobre o caso do bilionário acusado de tráfico sexual de menores?

Fortuna 'próxima do infinito' de bilionário que abusava de menores pode ser mentira ​

Secretário de Trabalho dos EUA renuncia por ligação com Epstein


Entenda o caso Epstein

O empresário bilionário Jeffrey Epstein foi detido no começo de julho, acusado de tráfico sexual. Ele já vinha sendo acusado de pedofilia e abusos sexuais há mais de uma década. 

Epstein era próximo de políticos como o presidente Donald Trump e do casal Bill e Hillary Clinton. 

O corpo de Epstein foi encontrado na cadeia na manhã de 10 de agosto deste ano. Epstein teria se enforcado durante a madrugada. Em 23 de julho, o bilionário já havia sido encontrado inconsciente e em posição fetal em sua cela.

Uma autópsia confirmou que ele se suicidou. 

Semanas antes, investigadores apreenderam fotos de garotas nuas em sua casa, em Manhattan, como parte de uma nova investigação sobre as acusações de que ele explorou dezenas de menores para fazer sexo.

Uma das acusações aponta que ele teria levado garotas rotineiramente à residência, no Upper East Side de Manhattan, e pagado a elas centenas de dólares em dinheiro por massagens e atos sexuais, disse uma das fontes.

Parte das imagens foram encontradas em um cofre, armazenadas em CDs intitulados "fotos garotas nuas".

Epstein também levava as meninas a sua casa em Palm Beach e a outras quatro propriedades, segundo promotores: sua residência principal em uma ilha privada nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos, Little Saint James; uma casa em Great St. James nas Ilhas Virgens; uma propriedade em Paris e uma fazenda a cerca de uma hora a leste de Albuquerque, no estado de Novo México. 

Até ser preso em Nova York neste ano, o bilionário vinha conseguindo evitar processos federais.

Em 2008, Epstein conseguiu um acordo com a Justiça da Flórida que permitiu que ele fosse acusado por um crime menos grave do que as alegações iniciais de que ele teria cometido aliciamento de menores e abusos sexuais. 

Ele foi processado por uma única infração de solicitar prostituição de uma menor. Relatos de dezenas de vítimas, muitas menores de idade, faziam parte da investigação contra ele. 

O raro acordo alcançado com a polícia do condado de Palm Beach permitiu que Epstein saísse da cadeia municipal seis dias por semana para trabalhar. Sua sentença de prisão foi de 18 meses, mas ele foi libertado cinco meses antes do fim da sentença.

O caso também causou a renúncia de Alex Acosta do cargo de secretário de Trabalho dos EUA, em 12 de agosto deste ano. Ele foi questionado por sua participação na negociação do acordo quando era promotor.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.