'Brumadinho representa mais um episódio de descaso com a vida', diz leitor

Após tragédias, Vale comprometeu-se a acabar com barragens como as que se romperam

Brumadinho

Leis que não regulam, fiscalização que não avalia, responsáveis negligentes, autoridades fracas. Para mim, parece óbvio que tudo se justifica pela redução do custo, pelo aumento do lucro, pela felicidade do mercado. Quem questiona acionistas? Quem questiona rentistas de fundos de pensão? Ninguém fica feliz com desastres, mas parece que a atenção maior recai sobre a taxa de retorno. O mercado não é um ser amorfo, ele é feito de pessoas. Pessoas intocáveis (“Em queda histórica, companhia perde R$ 71 bilhões na Bolsa”).

Marina Guyot (São Pedro, SP)

 

Mais eficiente do que afastar a diretoria da Vale seria o governo remover moradores das proximidades de barragens que ainda não se romperam (“Afastar a diretoria da Vale está em estudo, diz Mourão”).

Adilson de Almeida Vasconcelos (Brasília, DF)

 

Na texto “Indústria do perdão”, de Bruno Boghossian, há a reprodução da seguinte declaração de Fabio Schvartsman, presidente da Vale: “Como vou dizer que a gente aprendeu se acaba de acontecer um acidente desses?”. Como assim? Acidentes não acontecem, presidente, são provocados, ou por conta de condição insegura, ou por conta de atos inseguros. No caso de Brumadinho, certamente houve uma combinação de ambos. O senhor precisa ser mais bem assessorado. O que acontece é infortúnio, a exemplo de tsunamis.

José Carlos Tonin, engenheiro de segurança no trabalho (Indaiatuba, SP)

 

Precisamos aprimorar a malha das redes da Justiça brasileira, que captura lambaris e deixa os tubarões livres e soltos ao nosso redor.

Luiz Antonio Pereira de Souza (São Paulo, SP)

 

O que falta é punição verdadeira, daquela que dói no bolso e que põe de fato gestores na cadeia. Só assim mudará a percepção absurda e reinante neste país de que o risco do crime compensa. Com isso, tragédias como essas deixarão de ocorrer. É um absurdo que Mariana tenha acontecido. Mas incorrermos no mesmo erro revela burrice e a nossa falha como sociedade, que nunca pensa em risco, em prevenção. Não nos incomodamos com a reatividade. Vivemos reparando, perdendo, consertando.

Daverson Furlan (Campinas, SP)

 

O caso de Brumadinho representa mais um episódio de descaso com a vida e com o meio ambiente, isto é, a vida futura. A concentração no dinheiro é o que move executivos. Toda a população precisa acompanhar cada passo da Vale. Não podemos admitir novas tragédias, que já estão sendo anunciadas.

João Coelho Vítola (Brasília, DF)

 

Sai ano, entra ano, o Brasil muda, mas quem paga a conta são sempre os trabalhadores. A tragédia de Brumadinho é mais uma prova disso. Não bastasse o desemprego de mais de 12 milhões de pessoas, a falta de perspectiva para as minorias e a precarização de todas as relações trabalhistas, ainda temos que conviver com a falta de luz no fim do túnel. Um aviso: sem os trabalhadores, o Brasil não chegará a lugar nenhum.

Ricardo Patah, presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores)

Sergio Moro

No texto “Sergio Bolsomoro”, o cineasta José Padilha comenta o óbvio sobre a Justiça, isto é, que ela é para todos, inclusive para o filho do presidente. Mas temos também as injustiças, como o tratamento dado a vítimas dos desastres naturais e dos não muito naturais, como o caso de rompimento de barragem que mata e deixa pessoas na miséria. Onde está o ministro da Justiça?

José Dieguez (São Carlos, SP)

 

O articulista repercute a linha que defende que o ministro da Justiça tem de se comportar como bedel. Não cabe a Sergio Moro fulanizar investigações em andamento, sobrepondo-se às autoridades diretamente responsáveis.

Bolívar Arsênio Silva (São Paulo, SP)

Governo Bolsonaro

O jornalismo deve se ater aos fatos e não existe ou não deveria existir para agradar aos detentores do poder. Parabéns, Folha. Governos passam e a credibilidade fica (“O primeiro mês de Bolsonaro”, de Leandro Colon).

Almir Messias Pina (Curitiba, PR)


Marxismo

Parabenizo a Folha por ter publicado o texto do professor Paulo Ghiraldelli Jr. (“A lei está do nosso lado”). Precisamos explicar para a sociedade tanto a importância do entendimento do marxismo quanto a da diferença entre social-democracia e neoliberalismo. Aqueles que defendem o bem-estar social estão sendo tachados de comunistas, mas são, na verdade, humanistas. Parece proposital apregoar tal confusão. O povo sempre perde com a desinformação.

Sueli Cristina R. de Moraes (Brasília, DF)

 

O marxismo é uma teoria social. Busca explicar a realidade social a partir de um sofisticado marco conceitual. É ensinado no mundo todo e nas melhores universidades do mundo capitalista, assim como a obra de outros teóricos sociais, como bem citou o professor. Se formos pelo caminho da censura prévia, estaremos caminhando rapidamente para o obscurantismo.

Armando Simões (Brasília, DF)


Paternalismo

Muito pertinente o ponto abordado por João Pereira Coutinho (“A tirania do bem”). Porém, temos um problema social envolvido nas escolhas de um indivíduo que opta por viver uma vida no ritmo que bem entende. Um fumante que chega ao fim da vida necessitando de cuidados respiratórios em uma UTI pública consumirá recursos de impostos pagos por toda a vida por quem nunca fumou. O equilíbrio entre liberdade individual e bem-estar social é muito mais complexo do que foi imaginado e escrito por alguns filósofos.

Jonas Santana, médico (Sete Lagoas, MG)

 

Na lógica de evitar danos a terceiros, há incentivos contra o fumo (a fumaça do cigarro afeta não só o fumante como também todos os que a respiram) e a favor do uso do cinto de segurança (a pessoa sem cinto pode ser atirada do carro e matar outras). Parece ridículo? Pois não é. Trata-se de causas de morte ou mutilação. A liberdade de uns termina onde começa a dos outros, mesmo que não se veja que se está pisoteando a liberdade alheia.

Mariana Albuquerque (Santana de Parnaíba, SP)


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