Nova direita vai continuar apesar de Bolsonaro, diz pesquisadora

Para Camila Rocha, radicalismo de mercado, conservadorismo moral e combate à 'hegemonia esquerdista' unem militantes

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Em "Menos Marx, mais Mises" (Todavia), Camila Rocha, doutora em ciência política pela USP, narra como a direita envergonhada, que se dizia de centro depois da redemocratização para tentar se desvincular da imagem da ditadura militar, ficou para trás nos anos 2000.

Nessa época, uma rede descentralizada de organizações e militantes tomou forma no Brasil —a nova direita, que não tem nenhuma vergonha de levantar suas bandeiras.

​Convidada do Ilustríssima Conversa desta semana, a pesquisadora discutiu os principais traços e a evolução da nova direita brasileira.

Para Rocha, esse campo é marcado pela heterogeneidade: há grupos com diferentes orientações, como os neoliberais, que defendem uma ampla agenda de privatizações, e os anarcocapitalistas, que pregam o fim do Estado, com criptomoedas tomando o lugar da autoridade monetária do Banco Central e guardas particulares substituindo as polícias.

Foto em preto e branco de mulher com cabelos longos
Retrato de Camila Rocha, autora de 'Menos Marx, mais Mises' - Renato Parada/Divulgação

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, a autora falou sobre a combinação de radicalismo na defesa do livre mercado e conservadorismo moral da nova direita e abordou as estratégias usadas para combater o pacto da Constituição de 1988 e o que os ativistas chamam de hegemonia cultural esquerdista.

A pesquisadora também discutiu as relações da nova direita com o bolsonarismo. Em sua avaliação, a aliança entre os dois campos é razoavelmente frágil e boa parte dos líderes enxerga com preocupação as constantes ameaças de Jair Bolsonaro à democracia.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts, Spotify e Stitcher. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Antonio Sérgio Guimarães, que recuperou a história do antirracismo no Brasil, Eugênio Bucci, que defendeu que redes sociais extraem o olhar de seus usuários, Rafael Mafei, autor de livro sobre a história do impeachment no Brasil, Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, Christian Dunker, psicanalista que reconstituiu a história da depressão, Lira Neto, que narrou a saga dos judeus sefarditas até o Recife, Roberto Simon, autor de livro sobre o apoio da ditadura brasileira ao golpe contra Allende, no Chile, e Heloisa Buarque de Hollanda, que situou as principais tendências do pensamento feminista contemporâneo, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast. O feed RSS é https://folha.libsyn.com/rss.​

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