Democracia racial também foi bandeira de luta de negros, diz professor da USP

Antonio Sérgio Guimarães discute história de ideias e conflitos que moldaram o antirracismo no Brasil

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De que maneira pessoas com ascendência africana passaram a se identificar como negras no Brasil depois da abolição e, com o passar das décadas, como negras com origem na diáspora forçada pela escravidão?

Esse é o fio condutor dos ensaios reunidos na coletânea “Modernidades Negras” (editora 34), do professor titular da USP Antonio Sérgio Guimarães, convidado desta semana do Ilustríssima Conversa.

Referência no campo das relações raciais do Brasil, o sociólogo investiga no livro como as hierarquias e as desigualdades entre negros e brancos foram historicamente fabricadas no país, que se constituiu com base na ideia de mestiçagem e na negação do racismo.

A interpretação de Guimarães da noção de democracia racial tem destaque na obra. De acordo com o autor, o termo surgiu como uma utopia antirracista nas primeiras décadas do século 20, moldada em uma colaboração tensa entre negros, que buscavam se livrar dos estigmas da escravidão, e intelectuais brancos, que imaginavam um país com harmonia racial e um povo miscigenado.

Retrato de Antonio Sérgio Guimarães
Retrato de Antonio Sérgio Guimarães, autor de 'Modernidades Negras' - Divulgação

Hoje tratada como um mito ou uma ideologia de dominação, a democracia racial era o terreno possível do debate sobre a discriminação contra negros no Brasil até os anos 1960, quando passou a ser fortemente criticada.

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, o pesquisador lembrou da importância do intelectual e ativista negro Abdias do Nascimento para essa virada e falou sobre o alargamento dos movimentos antirracistas no Brasil e no mundo desde o assassinato de George Floyd.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts, Spotify e Stitcher. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Eugênio Bucci, que defendeu que redes sociais extraem o olhar de seus usuários, Rafael Mafei, autor de livro sobre a história do impeachment no Brasil, Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, Christian Dunker, psicanalista que reconstituiu a história da depressão, Lira Neto, que narrou a saga dos judeus sefarditas até o Recife, Roberto Simon, autor de livro sobre o apoio da ditadura brasileira ao golpe contra Allende, no Chile, e Heloisa Buarque de Hollanda, que situou as principais tendências do pensamento feminista contemporâneo, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast. O feed RSS é https://folha.libsyn.com/rss.​

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