É um alívio Moro disputar eleição e não vaga no STF, diz desembargador

Marcelo Semer sustenta que protagonismo político de magistrados leva ao enfraquecimento do Judiciário

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O Ilustríssima Conversa desta semana recebe Marcelo Semer, doutor em criminologia pela USP, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

No livro "Os Paradoxos da Justiça: Judiciário e Política no Brasil" (Contracorrente), o autor esmiúça algumas contradições do sistema de Justiça do país, retratado por ele como uma estrutura de traços conservadores e elitistas que não acompanhou a democratização da sociedade brasileira desde o fim da ditadura militar.

Em sua avaliação, os juízes do país ainda não entenderam por completo o papel de garantidores de direitos que devem desempenhar e, muitas vezes, se enxergam como responsáveis pelo combate à criminalidade, cruzando a linha que os separa de acusadores e se deixando influenciar pela vontade popular.

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, Semer explica por que acredita que o protagonismo político de magistrados leva ao enfraquecimento do Judiciário e por que é uma ilusão acreditar que o STF (Supremo Tribunal Federal) pode resolver os impasses políticos do país, como as ameaças do presidente Jair Bolsonaro à democracia.

Retrato de Marcelo Semer, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e autor de 'Os Paradoxos da Justiça: Judiciário e Política no Brasil' - Marlene Bergamo - 27.ago.21/Folhapress

O desembargador também discutiu a trajetória da Operação Lava Jato e a pré-candidatura à Presidência do ex-juiz Sergio Moro. Para ele, é um alívio Moro ter deixado o Judiciário e não estar mais na disputa por uma vaga de ministro do STF.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts, Spotify e Stitcher. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Eliane Brum, que alertou sobre a necessidade de preservar a Amazônia no contexto atual de crise climática, Renan Quinalha, para quem a LGBTfobia de Bolsonaro atualiza moralismo da ditadura "hétero-militar", Simone Duarte, que defendeu que o 11 de Setembro nunca terminou no Afeganistão, Natalia Viana, que discutiu a politização das Forças Armadas, Camila Rocha, pesquisadora da nova direita brasileira, Antonio Sérgio Guimarães, que recuperou a história do antirracismo no Brasil, Eugênio Bucci, que defendeu que redes sociais extraem o olhar de seus usuários, Rafael Mafei, autor de livro sobre a história do impeachment no Brasil, Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, e Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, entre outros convidados.

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