Descrição de chapéu ilustríssima conversa STF

Espetáculo e partidarização prejudicam Justiça, diz Arruda Botelho

Advogado que lança guia sobre Judiciário e direitos critica transmissões pela TV e excesso de politização nos julgamentos

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Marcos Augusto Gonçalves

Editor da Ilustríssima e editorialista. Foi editor da Ilustrada, de Opinião e correspondente em Milão e em Nova York

São Paulo

A transmissão de julgamentos pela TV Justiça é um erro e contribui para a espetacularização da Justiça, diz o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho, que está lançando o livro “Iguais Perante a Lei” pela editora Planeta.

A obra é um guia prático com o objetivo de ajudar o cidadão a defender seus direitos. Arruda Botelho apresenta de maneira simples e didática uma série de informações e conceitos sobre o funcionamento da Justiça no Brasil.

Mas o livro também trata, em sua introdução, de questões mais amplas sobre o Judiciário — e de maneira bastante crítica. Como as transmissões da TV Justiça que, afirma ele, criaram uma relação midiática entre magistrados e sociedade.

“Importante mencionar que esses julgamentos, salvo raras exceções, sempre foram e continuam sendo públicos. Ou seja, a justificativa de que a essência da TV Justiça seria transformar os julgamentos em atos mais transparentes cai por terra”, afirma. Para o autor, um ministro ou ministra do STF é uma pessoa que comete erros, acertos, tem falhas, virtudes, medos, vaidades e inseguranças. “Com toda essa gama de peculiaridades individuais, um membro da mais alta corte de justiça do Brasil também se deixa levar e influenciar por sentimentos comezinhos — sentimentos que afetam a todos nós. Para você ter uma ideia, faz diferença para um ministro ou uma ministra do STF ser aplaudido ou vaiado na pizzaria aos domingos.”

Um sinal de que a espetacularização da Justiça afeta os magistrados é o fato de que a TV Justiça fez aumentar o tempo dos votos de cada juiz. “A vaidade é tamanha (e aqui não há crítica nenhuma a ela), e influencia de tal maneira, ainda que subconscientemente, que essas autoridades, sabendo que estão em rede nacional e falando para milhares de pessoas, querem (como qualquer outra pessoa normal) falar mais. Afinal, ao fazerem isso, a imagem delas aparecerá por mais tempo na tela.”

O advogado Augusto de Arruda Botelho durante evento na Livraria da Vila, em São Paulo
O advogado Augusto de Arruda Botelho durante evento na Livraria da Vila, em São Paulo - Marcus Leoni - 27.nov.2018/Folhapress

Convidado do podcast Ilustríssima Conversa desta semana, Arruda Botelho também sustenta a ideia de que a politização excessiva do Judiciário chegou às raias da partidarização, como se observou nos processos do Mensalão e da Operação Lava Jato — na qual ele atuou na defesa de acusados.

O autor é duro também com a imprensa que em muitas ocasiões mostra-se despreparada e em alguns casos, em sua opinião, sem a devida isenção.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts, Spotify e Stitcher. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Renan Quinalha, para quem a LGBTfobia de Bolsonaro atualiza moralismo da ditadura 'hétero-militar', Simone Duarte, que defendeu que o 11 de Setembro nunca terminou no Afeganistão, Natalia Viana, que discutiu a politização das Forças Armadas, Camila Rocha, pesquisadora da nova direita brasileira, Antonio Sérgio Guimarães, que recuperou a história do antirracismo no Brasil, Eugênio Bucci, que defendeu que redes sociais extraem o olhar de seus usuários, Rafael Mafei, autor de livro sobre a história do impeachment no Brasil, Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, e Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast. O feed RSS é https://folha.libsyn.com/rss.

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