LGBTfobia de Bolsonaro atualiza moralismo da ditadura 'hétero-militar', diz Renan Quinalha

Pesquisador discute repressão a pessoas LGBTQIA+ pelo regime e papel da 'ideologia de gênero' hoje

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No livro “Contra a Moral e os Bons Costumes: a Ditadura e a Repressão à Comunidade LGBT” (Companhia das Letras), Renan Quinalha se contrapõe à ideia de que o regime militar, marcado pela brutalidade da repressão política, foi mais brando em relação aos temas morais e comportamentais.

Advogado, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e ativista no campo dos direitos humanos, Quinalha afirma que a retórica dos bons costumes e a defesa dos valores religiosos cristãos e da família tradicional foram fundamentais para dar sustentação ideológica ao regime.

No episódio desta semana, o autor explicou por que diz, em tom de provocação, que o Brasil viveu uma ditadura hétero-militar: em sua avaliação, o Estado desenhou políticas sexuais para exercer um controle moral sobre a sociedade e reprimir as práticas, como a homossexualidade, consideradas desvios ou perversões.

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, Quinalha falou sobre a perseguição policial a gays, lésbicas, travestis e prostitutas nas ruas das cidades brasileiras e a censura de obras artísticas que continham representações da diversidade sexual.

Homem branco com camisa azul e óculos com prédios ao fundo
Retrato de Renan Quinalha, autor de 'Contra a Moral e os Bons Costumes' - Renato Parada/Divulgação

O pesquisador também abordou os primeiros anos do movimento homossexual brasileiro, como era chamado à época do seu surgimento, em meados dos anos 1970, e discutiu por que o Brasil de Jair Bolsonaro lembra tanto a ditadura militar no que diz respeito aos discursos sobre gênero e sexualidade.

A primeira declaração da ministra Damares é "menino veste azul, menina veste rosa". Bolsonaro tem uma infinidade de declarações LGBTfóbicas, ao mesmo tempo que exalta Carlos Alberto Brilhante Ustra, um torturador notório, e em que se pede a volta do AI-5 e intervenção militar. Ou seja, há um saudosismo da ditadura. Então, acho que a conjuntura acabou confirmando o que eu sustento no livro, a afinidade eletiva impressionante entre moralidade conservadora e autoritarismo político no Brasil

Renan Quinalha

Professor de direito da Universidade Federal de São Paulo

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O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Simone Duarte, que defendeu que o 11 de Setembro nunca terminou no Afeganistão, Natalia Viana, que discutiu a politização das Forças Armadas, Camila Rocha, pesquisadora da nova direita brasileira, Antonio Sérgio Guimarães, que recuperou a história do antirracismo no Brasil, Eugênio Bucci, que defendeu que redes sociais extraem o olhar de seus usuários, Rafael Mafei, autor de livro sobre a história do impeachment no Brasil, Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, e Christian Dunker, psicanalista que reconstituiu a história da depressão, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast. O feed RSS é https://folha.libsyn.com/rss.​

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