Crise e compra consciente impulsionam brechós para bebês

Uma estratégia para engordar os estoques é estimular os clientes a trocarem roupas antigas por créditos

Flávia G. Pinho
São Paulo

A possibilidade de economizar e o desejo de consumir de forma mais consciente têm alimentado o mercado de roupas usadas. Quando o assunto são itens para bebês, colabora outro fator: eles crescem rápido e costumam perder tudo a cada seis meses. 

Não por acaso, surgem cada vez mais brechós especializados nesse segmento

Fundado pelos irmãos Giovanna Domiciano e Flavio Thenorio, o Arena Baby nasceu em uma sala de 30 metros quadrados em Santo André. Hoje, são dez lojas no estado de São Paulo. 

Por mês, cada unidade fatura em média R$ 40 mil com a venda de até 4.000 peças, entre roupas, acessórios, brinquedos e equipamentos. 

Etiquetas de cores diferentes identificam cada item como "quase novo", "nunca usado" ou "novo de fábrica" —os usados representam 85%. 

Mulher loira ao lado de arara de roupas
A empresária Giovanna Domiciano em uma das lojas da sua marca, Arena Baby, em São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Uma das estratégias para engordar os estoques é estimular os clientes a trocarem roupas que não servem mais por créditos em loja. "Durante a semana, entram até 200 peças novas em cada unidade, mas o volume dobra nos fins de semana e feriados", diz Giovanna, que pretende chegar a 147 lojas até 2025. 

Brechós, em geral, não trabalham com altas margens de lucro: giram em torno de 10% a 20%. O segredo para que o negócio seja bem-sucedido é ter ganho na escala, ensina a analista de negócios do Sebrae Elisângela Doroteu Almeida.

Esse é o plano de negócios da economista gaúcha Michele Zwarg, criadora do brechó virtual Encolheu. Ela criou um perfil no Instagram para vender roupas do próprio filho, em 2018, e se surpreendeu com a procura. Hoje com 11.200 seguidores, a empresária diz vender em média 430 peças por mês. 

Boa parte dos produtos exibe etiquetas de grifes de grande aceitação, a exemplo de Gap e Paola da Vinci. Os preços vão de R$ 15 a R$ 100.

A empreendedora despacha roupas e sapatinhos pelos Correios, depois de higienizá-los e perfumá-los.
"Meu projeto é ganhar escala lançando um comércio eletrônico em breve", diz.

Mesmo que o investimento para lançar uma loja online seja menor do que a montagem de um ponto fixo, Elisângela, do Sebrae, lembra que é crucial contabilizar também o custo de manutenção do site e a eventual contratação de ajudantes.

O publicitário carioca Alexandre Fischer investiu R$ 200 mil para lançar o Ficou Pequeno em 2013. Hoje, reúne 150 mil pessoas que vendem e compram roupas, acessórios e equipamentos. 

Cada usuário monta a própria loja, sem custo, coloca seus produtos à venda e se responsabiliza pelo envio. O site cobra 20% de comissão do vendedor, enquanto o comprador arca com o frete. 

Fischer não entrega o volume de vendas, mas dá o tamanho do estoque: 80 mil peças, à venda por preços até 80% mais baixos que os de peças novas.

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