Descrição de chapéu datafolha

Atuação de Covas na pandemia é aprovada por 37% e reprovada por 24%, segundo Datafolha

Medidas adotadas em São Paulo foram melhores do que a de outras cidades para 35% dos entrevistados

São Paulo

Candidato à reeleição e segundo colocado em intenções de voto, o prefeito Bruno Covas (PSDB) teve seu desempenho em relação à pandemia do coronavírus avaliado como ótimo ou bom por 37% dos moradores de São Paulo e como ruim ou péssimo por 24%, segundo pesquisa Datafolha feita nesta semana.

Outros 38% consideram regular o trabalho do tucano diante da crise da Covid-19, e 1% respondeu não saber analisar a performance dele em relação ao tema.

A capital paulista foi um dos epicentros da doença no Brasil e teve até esta quinta-feira (24) um total de 12.506 mortes causadas pelo vírus, segundo boletim da Secretaria Municipal de Saúde. Mais de 321 mil casos de contaminação já foram registrados na cidade desde fevereiro.

A pandemia agregou um componente inédito às eleições municipais deste ano, com forte escrutínio sobre o trabalho dos gestores que buscam a reeleição e um protagonismo inevitável do tema nas propostas dos candidatos e nas demandas dos eleitores.

Segundo a mesma pesquisa, Covas tem hoje 20% das intenções de voto e aparece atrás do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos), que lidera com 29%.

O Datafolha ouviu presencialmente 1.092 eleitores nos dias 21 e 22 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O prefeito da capital, Bruno Covas (PSDB), durante entrevista coletiva sobre a pandemia do coronavírus no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, liderado por João Doria (PSDB) - Governo do Estado de São Paulo - 27.jul.2020/Divulgação

O instituto também perguntou se as medidas adotadas na cidade de São Paulo para combater a pandemia foram melhores, iguais ou piores do que as praticadas em outras cidades do país.

Para 35% dos entrevistados, as ações lideradas pelo tucano foram melhores do que as tomadas em outros municípios, 32% responderam que foram iguais e 29% acharam piores. Outros 4% disseram não saber opinar.

A postura de prefeitos e governadores na crise da Covid-19 sofreu comparações principalmente depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou guerra aos gestores locais, por discordar de medidas mais duras de distanciamento, fechamento do comércio e lockdown.

Em abril, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por unanimidade que estados e municípios tinham autonomia para determinar o isolamento social.

Covas, ao lado do governador do estado e seu aliado, João Doria (PSDB), formou um polo de oposição a Bolsonaro desde o início da crise, pregando respeito máximo à ciência e se contrapondo a falas e atitudes do presidente, como o desestímulo ao uso de máscara pela população.

O índice dos que acharam o desempenho do prefeito na pandemia ótimo ou bom, que na média geral ficou em 37%, foi maior entre as mulheres (39%) do que entre os homens (35%).

As taxas de aprovação também foram mais altas na faixa entre 45 e 59 anos (42%) e no grupo considerado de risco para a doença, o das pessoas com 60 anos ou mais (45%). Entre aposentados, o percentual chegou a 47%.

Por outro lado, a desaprovação, em determinadas parcelas, disparou além dos 24% de ruim ou péssimo computados na média geral.

Chegou a 35% entre pessoas que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos, bateu os 31% no grupo dos desempregados que estão em busca de vaga de trabalho e alcançou 27% entre os evangélicos.

O percentual dos que desaprovam também foi maior entre aqueles eleitores que pretendem votar em Russomanno (27%) e no candidato do PSB, o ex-governador Márcio França (28%).

Russomanno tem declarado contar com o apoio de Bolsonaro na campanha e mira o voto de eleitores alinhados ao Palácio do Planalto. França, que busca fixar um discurso anti-Doria, também acredita que pode receber o voto de bolsonaristas que veem o governador como adversário do presidente.

Entre os que têm intenção de votar em Covas, a taxa dos que consideram sua atuação ótima ou boa alcança a faixa dos 70% e o percentual dos que acham ruim ou péssima não passa de 2%.

A comparação com as medidas adotadas em outras cidades também teve diferenças significativas dentro de subgrupos.

Enquanto no resultado geral 35% acham que as ações em São Paulo foram melhores, a aprovação alcançou o patamar de 46% entre os que têm 60 anos ou mais, 42% entre as pessoas com ensino fundamental e 45% entre os que têm renda de cinco a dez salários.

Já a desaprovação (29% na média) é mais alta entre pretos (36%), entre moradores da zona leste (34%) e entre pessoas de 16 a 24 anos (34%).

Medidas da administração Covas para tentar conter o avanço do vírus dividiram opiniões nos últimos meses. Em algumas das ações, o prefeito teve de recuar, como no megarrodízio anunciado em maio para desestimular a circulação de carros, que não surtiu o efeito esperado.

A prefeitura também antecipou para maio os feriados de Corpus Christi (em junho) e do Dia da Consciência Negra (novembro), medida que não contou com a adesão total de empresas e serviços.

A reabertura gradual da cidade, decidida em conjunto com o governo estadual, também é alvo de controvérsia, com pressão de comerciantes e empresários para uma flexibilização maior. Covas tem dito que o retorno às atividades ocorre de maneira coordenada, a partir de orientações técnicas.

A principal polêmica no momento diz respeito à retomada das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas da capital. Ele empurrou para novembro uma decisão sobre o tema, o que suscitou críticas no sentido de que a indefinição esteja relacionada à sua campanha pela reeleição.

Covas, que nega interferência do calendário eleitoral sobre o assunto, sofre pressão de grupos opostos: sindicatos de professores pedem que as aulas presenciais só voltem em 2021, enquanto donos de escolas querem a autorização para voltar a funcionar.

Em outro eixo da pesquisa, o instituto procurou medir a avaliação sobre a gestão do prefeito de maneira geral, além da percepção sobre os principais problemas da cidade e as áreas em que a atual administração do PSDB teve melhor atuação.

A gestão Covas é considerada ótima ou boa por 25%, ruim ou péssima por 27% e regular por 45%; 3% não opinaram.

Saúde, a área mais sufocada pela pandemia, manteve o histórico de dianteira entre as maiores preocupações dos moradores de São Paulo. No levantamento desta semana, foi citada por 23% dos entrevistados como o tema mais problemático na cidade.

Quando a pergunta foi a área de melhor desempenho da atual gestão, 28% responderam não saber, 25% não apontaram nenhuma área e 9% mencionaram espontaneamente o setor da saúde.

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