Descrição de chapéu Pan-2019 Tóquio 2020

A um ano de Tóquio-20, Brasil desafia o caos para superar Rio-16

País tenta ser o segundo a melhorar de desempenho depois de sediar Olimpíada

Lima

A um ano da Olimpíada de Tóquio-2020, que começará no dia 24 de julho de 2020, o esporte brasileiro se concentra numa competição mais próxima tanto em tempo quanto geograficamente, mas sem perder de vista o evento no Japão.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) não divulga meta de medalhas nem para os Jogos Pan-Americanos de Lima, com abertura nessa sexta (26), nem para a Olimpíada do ano que vem.

Há o desejo, porém, de repetir o feito da Grã-Bretanha e tornar-se a segunda nação na história a superar na edição seguinte o resultado de quando sediou os Jogos. Em 2016, no Rio de Janeiro, o Brasil conquistou 19 medalhas, 7 delas de ouro.

Ana Marcela com o ouro da prova de 5 km da maratona aquática no Mundial da Coreia do Sul
Ana Marcela com o ouro da prova de 5 km da maratona aquática no Mundial da Coreia do Sul - Evgenia Novozhenina/Reuters

Em que pese a dificuldade de se fazer uma projeção de pódios por enquanto, já que muitos esportes terão seus campeonatos mundiais no segundo semestre, o cenário de evolução é factível.

Isso acontece principalmente graças à entrada de novas modalidades, como surfe e skate, no programa de Tóquio. O Brasil tem atualmente os campeões mundiais de surfe, Gabriel Medina, e de skate na categoria park, Pedro Barros. Outros três skatistas do país subiram ao pódio no último Mundial da categoria street.

Primeiro da sequência de Mundiais dos próximos meses, o de esportes aquáticos, em andamento na Coreia do Sul, mostrou que a nadadora Ana Marcela Cunha, 27, tem chances de disputar uma medalha na prova dos 10 km da maratona aquática. Em Gwangju, ela ficou na quinta colocação nessa distância (única disputada na Olimpíada). Venceu os 5 km e os 25 km, que não estão nos Jogos.

Na sequência do Pan serão realizados os Mundiais de canoagem, judô, basquete masculino, atletismo e ginástica, além do evento-teste da vela para os Jogos do Japão.

Enquanto tenta uma melhora de desempenho em comparação a 2016, o esporte brasileiro vive um ambiente caótico dos pontos de vista financeiro e administrativo.

Desde a Olimpíada do Rio, a realidade da maior parte da modalidades é de cortes. Os investimentos públicos e privados, abundantes para o ciclo olímpico de 2016, minguaram, asfixiando várias das confederações que gerem o esporte nacional junto com o COB.

O período pós-2016 também foi marcado por denúncias de corrupção. Entre os dirigentes que enfrentam processos judiciais está Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do comitê olímpico, que chegou a ser preso em outubro de 2017 e é acusado de participar de um esquema de compra de votos para que o Rio de Janeiro fosse escolhido como sede.

 

O COB espera, porém, que a queda dos investimentos não tenha impacto imediato nos resultados da delegação brasileira no Pan-Americano do Peru ou na Olimpíada do Japão.

No Pan, a delegação brasileira acredita ser possível conseguir a segunda colocação na classificação no quadro de medalhas –deverá travar uma disputa direta com Canadá e Cuba.

“Essa redução de investimentos causa risco para os resultados esportivos, não se pode esconder isso. Mas se esse efeito já vai acontecer nesta edição dos Jogos Pan-Americanos ou nas seguintes eu poderei responder daqui a 20 dias”, afirma Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

O principal motor financeiro do esporte olímpico brasileiro são as verbas oriundas das loterias federais por meio da Lei Piva. Este ano, a previsão de arrecadação do comitê, que repassa parte do dinheiro às confederações, chega a R$ 250 milhões.

São esses valores que permitem a participação de atletas em competições internacionais, pagam treinadores estrangeiros ou custeiam períodos de treinos no exterior.

“O processo de preparação para os nossos principais atletas, pelo menos para a edição dos Jogos de 2020, foi blindado, já que foi mantido o nível de boa participação internacional nos últimos anos”, diz Bichara. Ele destaca, porém, que o mesmo cenário não pode ser garantido no ciclo olímpico seguinte e para os atletas mais jovens.

O ginasta Arthur Nory, 25, medalhista olímpico em 2016, foi um dos beneficiados pela fase de grandes investimentos entre os Jogos de Londres-2012, quando o Brasil ganhou sua primeira medalha na ginástica, o ouro nas argolas de Arthur Zanetti, e os Jogos do Rio.

“No pós-Olimpíada, a gente vê que teve uma queda muito grande. Hoje, na ginástica masculina, tem um vazio entre os atletas com 25, 30 anos e o juvenil”, afirma Nory. “Mas temos que aproveitar o pessoal bem capacitado e o centro de treinamento incrível que ficaram para a gente”.

Outro fator que explica uma manutenção do desempenho internacional do país para os próximos eventos é o investimento dos grandes clubes do país no esporte.

“O Brasil sempre viveu essa questão de impasse com investimento no esporte. Um ano tem, no outro não. Isso afeta os atletas, mas ter o apoio de instituições, no meu caso o Pinheiros, que dá o suporte para você evoluir, apaga um pouco desse cenário que as confederações passam”, afirma Caio Pumputis, 20, um dos destaques da nova geração da natação.

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