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18/06/2013 - 18h28

'Estive hoje em um campo de concentração nazista'

FABIO ANDRIGHETTO
da Livraria da Folha

Ignore 60 mil mortos. Ignore dezenas de milhares de brasileiros torturados e violentados. Por quase todo o século 20, em Barbacena (MG), o maior hospício do Brasil foi o endereço de crimes de lesa-humanidade. Imprescritíveis por lei, mas facilmente apagados da memória.

Divulgação
Pacientes protegiam sua gravidez passando fezes sobre a barriga, diz autora
Pacientes protegiam sua gravidez passando fezes sobre a barriga

"Estive hoje em um campo de concentração nazista", disse o psiquiatra italiano Franco Basaglia ao visitar o manicômio conhecido como Colônia, em 1979. Quase duas décadas antes, a revista "O Cruzeiro" publicou a reportagem "Sucursal do Inferno", com as fotos de Luiz Alfredo. "Aquilo é um assassinato em massa", contou o fotógrafo.

Em 2011, a jornalista Daniela Arbex publicou uma série de reportagens na "Tribuna de Minas", jornal de Juiz de Fora, sobre o hospital psiquiátrico. O trabalho foi premiado com o Esso de Jornalismo. "Holocausto Brasileiro" é o resultado da investigação sobre esse período esquecido.

"É uma história desconhecida para muitos mineiros", disse Arbex em entrevista à Livraria da Folha. "Minha geração não sabia nada desta história. Mais tarde, eu descobri que o Brasil não sabia nada desta história".

Na internet, a autora foi acusada de sensacionalista por usar a palavra "holocausto" no título do livro. O emprego do termo não diminui o sofrimento provocado por Hitler. As mortes causadas pelo Terceiro Reich foram mais numerosas e em menos tempo. Porém, observe as fotos da Colônia e esqueça que foram tiradas em Minas Gerais. Salvo o tipo físico predominante, as imagens são as mesmas de um campo de concentração.

Reprodução
Sílvio Savat fotografado em 1979 com o corpo coberto de moscas no Hospício Colônia (MG)
Sílvio Savat fotografado em 1979 com o corpo coberto de moscas e usando vestido na Colônia; imagem de "Holocausto Brasileiro"

Existem outras semelhanças com os métodos nazistas. O higienismo social e a eugenia. Epilépticos, dissidentes políticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, tímidos e negros formavam a maior parte dos internos. Mais da metade dos pacientes não tinha histórico de doença mental.

A tortura --e não o tratamento-- era realizada como em uma linha de montagem de fábrica. Os eletrochoques, por exemplo, eram tão frequentes que chegavam a derrubar a rede elétrica do município. "Na Colônia, o eletrochoque nunca teve finalidade terapêutica", contou. "Eram feitos de cobaia mesmo". Abaixo, ouça um trecho da entrevista.

Ouça

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"Holocausto Brasileiro"
Autor: Daniela Arbex
Editora: Geração Editorial
Páginas: 272
Quanto: R$ 33,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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