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18/04/2011 - 17h00

Descubra 10 curiosidades sobre "A Malvada" em documentário

da Livraria da Folha

Divulgação
DVD duplo traz filme, documentário, entrevistas e comentários
DVD duplo traz filme, documentário, entrevistas e comentários

Um DVD duplo do "A Malvada", clássico de 1950 com Bette Davis (1908-1989), traz como bônus documentário sobre os bastidores do filme recordista de indicações (14) ao Oscar.

Em 24 minutos, há depoimentos de atores, trechos da produção e revelação de detalhes sobre as filmagens, iniciadas em abril de 1950 e finalizadas em junho do mesmo ano. O filme em preto e branco foi sucesso de crítica.

Confira 10 curiosidades sobre o vencedor de seis Oscars, inclusive melhor filme, roteiro e diretor (Joseph L. Mankiewicz).

1. Volta triunfal de uma estrela

"Foi uma oportunidade única na minha carreira. Eu disse a Mankiewicz que ele me ressuscitou", reconheceu Bette Davis, numa entrevista em 1983, já velhinha, mas sem largar o cigarro entre os dedos.

O papel de Margo Channing, estrela da Broadway insegura com o envelhecimento, veio numa boa hora para Davis, que estava no meio de um divórcio difícil do terceiro marido e acumulava uma série de fracassos de bilheteria.

Durante 18 anos, foi estrela da Warner Bros., levou dois Oscars ("Perigosa", de 1936, e "Jezebel", de 1938), ganhou fama de temperamental, e a carreira entrou num buraco negro no fim dos anos 1940. Deixou de ser requisitada para filmes.

2. A vida imita a arte

"A Malvada" teve bastidores explosivos, como se a vida imitasse a arte. Durante as filmagens, Bette Davis se apaixonou pelo ator Gary Merrill, que no filme era o namorado de Margo. Na vida real, ambos ainda estavam casados.

Houve brigas. Davis insultou Celeste Holm, que interpreta a melhor amiga de Margo. Celeste a cumprimentou com "bom dia", e a diva desdenhou com um "Merda, boas maneiras". Deixaram de se falar. Davis chegou a chamá-la de "cadela".

Marilyn Monroe, que faz uma participação no filme, também sofria um bocado com as críticas das veteranas sobre sua interpretação pífia, apenas sensualizada. Davis se referia a Monroe como "vagabundazinha loira".

3. A escolha do nome do filme

A revista "Cosmopolitan" publicou um conto baseado em uma história verídica, intitulada "The Wisdom of Eve" ("A Sabedoria de Eve", em tradução livre), de Mary Orr, sobre uma atriz ardilosa que se agrega a uma estrela decadente que chegou à idade crítica dos 40 anos.

O diretor Mankiewicz, que se especializava em filmes sobre mulheres, se interessou e desenvolveu a história para o cinema, dando ao roteiro o título "Best Performance" ("Melhor Desempenho").

Falta o homem do dinheiro. O presidente da 20th Century Fox, Darryl Zanuck, leu, gostou e circulou com caneta um fala ("All about Eve") dita logo no início do filme, que acabou sendo escolhido para o título. No Brasil, virou "A Malvada".

4. Rasteira de Anne Baxter em Bette Davis

Hoje, falou "A Malvada", logo se associa o nome de Bette Davis. Mas seu papel mais famoso não lhe rendeu um Oscar de melhor atriz em 1951. Ela levou uma rasteira de Anne Baxter, atriz que viveu Eve Harrington, a fã que se aproxima de Margo para tentar roubar seu namorado, a fama e o trono de estrela da Broadway.

Nos bastidores, Anne Baxter insistiu que não queria ser indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. O estúdio acabou pondo as duas em competição direta na categoria "melhor atriz". O racha foi nocivo às duas. Ganhou a novata Judy Holliday por 'Nascida Ontem. Davis ficou arrasada por perder a chance de um terceiro Oscar.

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5- Marilyn Monroe como periguete

A aparição de Marilyn Monroe em "A Malvada" é radiante. Ela faz a senhorita Caswell, que usa todo seu charme para seduzir produtores de cinema e conseguir seu lugar ao sol. "Por que eles sempre têm a cara triste?", indaga a personagem ao cínico crítico de teatro Addison DeWitt, que responde "Faça um favor a si mesma. Agora vá e o faça feliz."

Mas não foi fácil conseguir esse papel. Dois anos antes, Monroe tinha sido demitida por Zanuck. O motivo? O poderoso do estúdio dizia que ela não era fotogênica.

6- Bette Davis e os homens peludos

Entre as fofocas de bastidores, falava-se que Bette Davis adorava homens peludos. Isso teria sido o que despertou sua atração pelo colega Gary Merrill, na época com 34 anos, mais novo que a diva quarentona. Após encerrar as filmagens de "A Malvada" e o divórcio, a diva casou com ele, mas a relação durou só dez anos. "Ele se casou com Margo Channing, não com Bette Davis", alfinetou Anne Baxter, em 1983.

Um dia após "A Malvada" estrear em 13 de outubro de 1950, em Hollywood, onde Davis apareceu só acompanhada com a mãe, a diva voltou, escoltada por fuzileiros, para ter as mãos imortalizadas no cimento na calçada do Chinese Theatre.

7- Personagem preferido do diretor

O veneno do crítico de teatro Addison DeWitt, interpretado por George Sanders, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante, era o personagem preferido de Mankiewic, diretor de "A Malvada".

No documentário, Tom, o filho do cineasta, conta que o pai se identificava com o personagem, principalmente seus comentários de desdém. Antes do início das filmagens, Mankiewic teve medo de trabalhar com Bette Davis.

Ela tinha fama de incluir anotações nos scripts, de chegar atrasada, de arrumar briga com o elenco e de se desentender com diretores. Mas, segundo o documentário, Davis não alterou o roteiro, que ela considerava "perfeito".

8- Primeiras opções não vingaram

Na fase de escolha do elenco, não havia consenso de nomes entre o diretor e o produtor Zanuck. Em vez de Anne Baxter para o papel da arrivista Eve, Zanuck queria Jeanne Crain. Mankiewic acabou o convencendo a aceitar Anne alegando que a atriz tinha uma "virtuosidade de vilã".

Não foi a única concessão de Zanuck. O diretor queria Celeste Holm para o papel de Karen Richards, a amiga responsável por ajudar Eve a ser "adotada" por Margo. Celeste tinha sido demitida por briga com a Fox, mas devido à insistência do diretor, acabou sendo recontratada.

E Bette Davis também não foi a primeira opção para o papel de Margo, antes imaginado para a atriz Claudette Colbert. Mas semanas antes do começo das filmagens, ela sofreu uma fratura e teve de se afastar do projeto. Surgiu o nome de Davis, mas Zanuck era contra, pois tinha brigado com ela. Mas engoliu o orgulho e ligou pessoalmente para convidá-la.

AP
Imagem mostra o selo com a atriz Bette Davis lançado em dezembro de 2007
Imagem mostra selo com atriz Bette Davis lançado em dezembro de 2007, nos EUA

9 - Diálogos marcantes

Apesar de o título do filme chamar a atenção para Eve, personagem de Anne Baxter, não há dúvidas sobre o magnetismo de Margo nas cenas. Ainda hoje suas frases são cultuadas por uma legião de fãs. Bette Davis está à vontade no personagem, porque Margo espelha muita sua trajetória: estrela de meia-idade em declínio, sentindo-se ameaçada por uma nova geração de atrizes, lançadas pelo cinema colorido, com uma sensualidade mais liberal.

"Somos todas abelhas cheias de ferrões, fazendo mel dia e noite", "Pode colocar a estatueta onde seu coração deveria estar", "Esses fanáticos por autógrafos não são gente", "Apertem os cintos. Será uma noite turbulenta" são algumas falas de Margo Channing, entre um coquetel e outro, uma baforada de cigarro ou uma jogada de casaco de zibelina no chão.

10- Uma mulher pérfida

"Uma pessoa com um desdém pela humanidade, capaz de amar ou ser amada, com uma ambição insaciável". Assim é descrita Eve. Ela queria o sucesso, para isso mentia, trapaceava, esquecia os escrúpulos morais. Chegou a trair a amizade dos amigos aplicando golpes baixos. Mas o crítico de teatro Addison DeWitt descobre a farsa e parece fascinado com o talento da jovem aspirante ao estrelato.

O documentário traz trechos de entrevistas de Anne Baxter e Bette Davis falando sobre a personagem. As elogiadas atuações femininas de "A Malvada" fizeram escola. Hoje, esse perfil de mulher é frequente em produções de cinema, novela, teatro e literatura. Nos traillers da época, o filme era apresentado assim: "All About Eve" é sobre mulheres e seus homens.

 
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