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02/05/2011 - 19h06

Entenda o cinema de autor e outros movimentos da sétima arte

da Livraria da Folha

Clássico de nouvelle vague. Representante do cinema independente. Exemplo de cinema de autor. Escapismo, distopismo, surrealismo, cult, western e musical. Estas são algumas das muitas formas utilizadas para se referir a filmes.

Divulgação
"O Sétimo Selo", de Ingmar Bergman, é um dos exemplos de cinema de autor citados no volume "Para Entender Cinema" de coleção
"O Sétimo Selo", de Ingmar Bergman, é um dos exemplos de cinema de autor citados no volume "Para Entender Cinema" de coleção

Críticos e especialistas em cinema usam constantemente estas expressões para classificar, comparar e, algumas vezes, menosprezar alguma produção cinematográfica.

Muitas vezes é quase como uma outra língua para quem não conhece a sétima arte.

O volume "Para Entender Cinema", da coleção "...ismos", ajuda a entender e traduzir o que é dito por estas pessoas e textos. Com exemplos de filmes e contextualização da origem do termo e do movimento, ajuda a entender melhor as diferentes formas de se fazer cinema.

Veja abaixo o que é cinema de autor:

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Cinema de Autor

Introdução: Os jovens críticos da revista francesa Cahiers du Cinema usaram a palavra auteur (autor) para distinguir cineastas cuja obra tem a força de uma afirmação pessoal em termos de estilo e tema, mesmo no caso de diretores subordinados aos grandes estúdios.

Palavras-chave: corte do diretor; estilo e tema identificáveis; individualidade.

Descrição: Nas duas primeiras décadas do cinema, o público ignorava a figura do diretor - o poder de atração de um filme estava na força de seus astros e de sua história. Apenas alguns poucos cineastas ficaram conhecidos, porque controversos (como D.W. Griffth), hábeis na autopromoção (como Orson Welles) ou fortemente associados a um gênero (como Cecil B. DeMille ao épico e Alfred Hitchcock ao suspense). No início dos anos 1950, porém, os críticos da revista Cahiers du Cinema identificaram os melhores cineastas como donos de uma marca singular e espontânea, artistas que usavam a câmera como meio de expressão pessoal. Para esse críticos, o diretor deveria ser analisado em termos de coerência estilística e temática - uma formulação que lançou luz sobre vários cineastas, inclusive alguns que, por trabalharem no sistema de estúdios de Hollywood, nunca haviam sido vistos como verdadeiros artistas. Entre os ídolos desses críticos estavam Howard Hawks, Raoul Walsh e Nicholas Ray, que atuavam exclusivamente no âmbito dos grandes estúdios, e também os diretores franceses Jean Renoir e Robert Bresson.

Reprodução
Anita Ekberg encenou o banho na Fontana di Trevi em "A Doce Vida"
Anita Ekberg encenou o banho na Fontana di Trevi em "A Doce Vida"

A semente do Cinema de Autor foi plantada em 1948 por Alexandre Astruc, em artigo publicado no semanário L'Écran Français intitulado "O nascimento de uma nova vanguarda: a câmera". Astruc inventou o termo câmera stylo (câmera caneta) para especular sobre a ideia de o cinema tornar-se "um meio de se escrever tão maleável e sutil quanto a linguagem escrita", próprio, portanto, para a expressão de uma visão pessoal. No exemplar de janeiro de 1954 da Cahiers du Cinema, no ensaio "Uma certa tendência do cinema francês", François Truffaut cunhou o termo "La politique des auteurs", posteriormente traduzido como "the auteur theory" - a teoria do autor. Truffaut argumentava que, apesar de ser um trabalho coletivo, um filme sempre tem a assinatura do diretor, mesmo no caso daqueles mais servis aos estúdios de Hollywood. Em 1957, Truffaut escreveu: "O filme do amanhã parece-me ainda mais pessoal do que um romance individualista ou autobiográfico... O filme do amanhã não será dirigido por 'funcionários públicos' da câmera, mas por artistas... Será semelhante à pessoa que o fizer".

No final dos anos 1950, os críticos da Cahiers du Cinema tornarem-se eles próprios autores. A teoria lodo foi assimilada por críticos de todo o mundo, e os diretores receberam seus créditos como principais criadores de seus filmes. A ampliação dos estudos sobre a arte do cinema e a difusão da informação para o grande público permitem que muitos cinéfilos, hoje, reconheçam de imediato o estilo único dos grandes diretores do passado: ninguém, a não ser Federico Fellini, poderia ter dirigido A doce vida (1960), assim como O sétimo selo (1957) jamais teria sido criado por outro cineasta que não Ingmar Bergman.

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Para Entender o Cinema
Autor: Ronal Bergan
Editora: Globo
Páginas: 160
Quanto: R$ 39,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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