Saltar para o conteúdo principal
 
12/04/2013 - 20h30

'Os Prazeres da Noite' retrata prostitutas do começo do séc. 20

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro descreve prostituição na São Paulo recém-saída do mundo das fazendas
Obra retrata prostitutas na São Paulo do começo do século 20

"Os Prazeres da Noite" retrata como era a prostituição feminina em São Paulo no começo do século 20, quando a cidade deixava o jeito provinciano das fazendas para assumir ares de metrópole. O livro foi escrito pela professora Margareth Rago, formada pelo departamento de história da USP, com mestrado e doutorado na Unicamp.

Sua pesquisa abrange o período de 1890 a 1930, época em que o centro de São Paulo dominava a geografia da prostituição feminina em cabarés, "pensões chics", teatros e restaurantes, reunindo artistas, músicos, coristas, dançarinas, boêmios, gigolôs, prostitutas estrangeiras e brasileiras, além de empregados como choferes, garçons, arrumadeiras, cozinheiras, manicures, costureiras, porteiros e "meninos de recado".

O livro identifica esses lugares e figuras femininas e aproveita para analisar a condição da mulher e a exploração do sexo no início do séc. 20. Leia trecho de "Os Prazeres da Noite".

*

Se o mundo da prostituição pode ser focalizado como lugar de manifestação do desejo, onde o bordel figura como um "condutor de intensidades" (Guattari), não há como esquecer que a violência é uma dimensão constitutiva das relações sociais que aí se estabelecem: entre prostitutas e fregueses, entre caftinas e meretrizes e entre as próprias prostitutas. Uma ambígua rede de solidariedades e pequenas rivalidades, competições e manifestações de amizade marcam, assim, a subcultura da prostituição.

Além disso, por toda a máquina que essa instituição promove, trazendo altos lucros ilegalmente, a prostituição está muito próxima do mundo do crime, abrigando marginais: vagabundos, gigolôs, delinquentes, ex-presidiários, alcoólatras, viciados. A violência permeia o cotidiano das meretrizes, manifestando-se tanto em sua reterritorialização perversa, quanto nos códigos internos que regem a vida do meretrício --especialmente a do baixo meretrício, como examino neste momento a partir da documentação pesquisada.

Sexo e violência

Nem sempre a relação entre meretrizes e fregueses se caracterizou pela harmonia descrita nos livros dos memorialistas. Corpo-instrumento, a prostituta representa fundamentalmente para o freguês uma peça de produção do prazer. Não interessa nessa relação a pessoa da prostituta, suas ideias, apreensões, desejos, mas uma "performance" que foi comprada e deve ser satisfeita. Ora, muitos dos frequentadores do mundo marginal eram homens de classe social superior, cujas fantasias só poderiam ser compartilhadas por mulheres de posição social inferior, que não evocam as imagens familiares da esposa, irmã ou mãe, e que eram consideradas mais próximas do campo da animalidade e das perversões.

*

"Os Prazeres da Noite"
Autor: Margareth Rago
Editora: Paz e Terra
Páginas: 364
Quanto: R$ 45,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
Voltar ao topo da página