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04/10/2017 - 13h46

Leia trecho do livro "O que os Donos do Poder Não Querem que Você Saiba"

da Livraria da Folha

Divulgação
Economista explica o funcionamento do poder e do dinheiro no sistema capitalista contemporâneo
Economista explica o funcionamento do poder e do dinheiro no sistema capitalista contemporâneo

O economista Eduardo Moreira revela os bastidores do sistema capitalista em "O que os Donos do Poder Não Querem que Você Saiba".

Lançado pela editora Alaúde, o livro explica de forma prática como funciona o mundo financeiro (bancos, bolsa de valores, investimentos) e sistemas políticos como o dos Estados Unidos e Cuba.

Eduardo Moreira foi eleito um dos três melhores economistas do Brasil pela revista "Investidor Institucional".

A obra desvenda as estruturas que regem o poder, e denuncia as maneiras pelas quais alguns poucos privilegiados influenciam opiniões para manter a ordem vigente.

Apontado pela Universidade de California como o melhor aluno do curso de Economia nos últimos 15 anos, Eduardo Moreira é um dos sócios fundadores e membro do comitê executivo do Banco Brasil Plural e foi responsável global pela mesa de Repo (Repurchase Agreements) do banco suíço UBS. É autor de livros como "A Vida É Sua!", "Investir É para Todos", "O Encantador da Montanha" e "Encantadores de Vida".

Leia abaixo um trecho do livro "O que os Donos do Poder Não Querem que Você Saiba".

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Dinheiro

A matéria-prima da economia é o dinheiro e, por isso, faz sentido começarmos esta discussão falando sobre ele. O dinheiro é simplesmente um meio de troca. Seu valor vem somente dessa sua característica. Em si, tem pouquíssima utilidade. Peguem uma nota de 100 reais, por exemplo. Não serve para quase nada. É um pedaço de papel pequeno, sujo e que já vem com algo escrito. Difícil imaginar alguma função diferente do que trocá-lo por produtos ou serviços. E foi exatamente com esse intuito que ele foi inventado.

Nossos ancestrais mais antigos, em algum momento, aprenderam que poderiam fazer trocas. Não precisavam ser produtores, artesãos, especialistas em tudo. Podiam focar naquilo em que tinham alguma vantagem e trocar seu excedente pelo excedente de seu vizinho que lhes fosse útil. Se em seu terreno havia uma árvore de maçãs e no do vizinho pés de milho, bastava trocar algumas maçãs por espigas e assim ter uma alimentação mais completa e agradável.

O problema começou a surgir quando as pessoas não tinham algo com valor de troca para o vizinho. Existiam vizinhos que, por exemplo, não gostavam de maçã. Como fazer então para conseguir a espiga de milho? A solução era buscar outro vizinho que tivesse laranjas para trocar pelas maçãs e, então, trocar as maçãs por espigas. Imaginem como o processo podia ficar complicado à medida que gosto e disponibilidade ficassem cada vez mais diferentes.

Assim, pessoas passaram a buscar as coisas que fossem úteis a quase todas - para que sempre tivessem algum valor de troca. E uma das primeiras "coisas" que assumiu este papel foi o gado. Quase todas as pessoas davam alguma utilidade para o gado - afinal servia de alimento, transporte e força de tração. Ele foi historicamente uma das primeiras "moedas" de troca. Daí a palavra "capital", do latim capita, ou cabeça (de gado).

O gado era perfeito como moeda de troca por sua ampla utilidade, mas era também pouco prático. Era preciso algo de menor tamanho, que pudesse atender a menores frações de troca e que, assim como o gado, fosse útil para quase todos. O sal foi um elemento que conseguiu cumprir esse papel. Era escasso, ajudava a conservar os alimentos e podia ser dividido em quase qualquer fração de forma muito prática. Daí a palavra "salário". E desse modo fomos evoluindo até chegar às moedas feitas de metais variados, às notas de papel, aos cartões de plástico e aos bitcoins virtuais que existem hoje.

Você pode estar se perguntando: "Mas você falou que o gado virou moeda porque tinha utilidade, e disse que uma cédula de papel não tem utilidade alguma. Como ela pode valer como instrumento de troca?". A pergunta é fantástica, e se você pensou nela é porque seu mindset está no caminho correto!

Num dado momento da História, os metais preciosos assumiram o papel de moedas de troca. As moedas, aliás, eram simplesmente pedaços desses metais com inscrições cunhadas. Naquele momento, a lógica ainda era a mesma do gado. Os metais preciosos tinham utilidade para todos. Eram utilizados como ornamentos, símbolos de status e serviam para a construção de objetos religiosos. Sabemos que o ser humano não precisa só daquilo que come, precisa de várias outras coisas, aparentemente inúteis, para viver em sociedade. É um bicho estranho...

Só que os metais começaram a ficar escassos e a necessidade de moedas ficou cada vez maior. Os governos, então, passaram a emitir notas de papel, que valiam "o direito" de serem trocadas por certa quantidade de metal precioso. As notas, então - lastreadas por esse direito -, passaram a ser utilizadas como meio de troca. Até que, num determinado momento, nem mesmo esse lastro passou a existir. A verdade é que, em certa medida, o dinheiro que usamos hoje é um exercício fictício de crer que aquele papel, impresso por aquele agente, vale o que diz que vale. E esse valor só existe porque todos aceitam tal verdade dessa forma. Meio louco, mas é exatamente isso.

Voltando à nossa aula sobre economia, do mesmo jeito que as pessoas trocavam moedas por produtos, elas sempre trocaram também por trabalho. Assim, todas as vezes que precisavam de mão de obra para produzir algo, ofereciam uma quantidade de moedas por uma quantidade de trabalho. Quanto mais (ou melhor) trabalho fosse, mais moedas eram necessárias para comprá-lo.

A essa troca - a saber: de trabalho por moedas - damos o nome de salário. E a capacidade pessoal de oferecer horas de trabalho em troca de dinheiro, somada à demanda que cada produto ou serviço tem por parte das pessoas, balizam as razões de troca dos produtos e, portanto, o valor do dinheiro. Esta é, aliás, a base de uma das mais famosas obras sobre economia escritas até hoje, O Capital, de Karl Marx.

Não existe sociedade moderna alguma que funcione sem dinheiro. Dinheiro não é sinônimo de capitalismo, dinheiro é sinônimo de um meio de troca portátil, que é aceito - legalmente e por convenção - por todos.

Toda sociedade, umas mais, outras menos, possui pessoas que têm dinheiro em excesso e outras que precisam muito dele para executar seus projetos ou cumprir suas obrigações. E é por isso que existem lojas que vendem e compram dinheiro! O nome dessas lojas: bancos!

Bancos são lojas que intermediam o dinheiro entre os que o têm sobrando e os que o têm faltando, exatamente como uma loja de carros usados. Em vez de você ficar procurando um carro para comprar, e ficar ligando para cada uma das pessoas que você conhece, você vai a uma loja onde esse fluxo de procura e oferta de carros se concentra. Então, de uma forma simplista: bancos existem para concentrar, facilitar e intermediar os fluxos de procura e oferta de dinheiro.

Mas, se o dinheiro é o meio de troca que utilizamos para comprar e vender coisas, como será que compramos e vendemos o próprio dinheiro? Com os juros! Logo, se eu quero comprar 1.000 reais para usar durante um ano, eu tenho que pagar 100 reais para a loja de dinheiro (o banco).

Esses 100 reais são os juros de 10% que eu devo pagar para ter esse dinheiro comigo pelo período de um ano!

O leitor mais sofisticado, acostumado com o mercado financeiro e com investimentos, talvez esteja prestes a pular para o próximo capítulo, acreditando ler informações muito básicas sobre o tema. Não o faça! Em poucos parágrafos estaremos discutindo os assuntos mais complicados do mercado financeiro e tudo parecerá tão simples como você nunca imaginou possível.

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O QUE OS DONOS DO PODER NÃO QUEREM QUE VOCÊ SAIBA
AUTOR Eduardo Moreira
EDITORA Alaúde
QUANTO R$ 20,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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